Treinador das águias falou em conferência de imprensa

Boas dores de cabeça, emprestados e... muito Lukebakio: tudo o que disse Marco Silva

Mercado dominou conferência de imprensa do treinador do Benfica que tocou a reunir e relativizou «egos». Duas boas notícias para a Madeira

Marco Silva antecipou, em conferência de imprensa no Benfica Campus, a visita do Benfica ao Marítimo, agendada para sábado, a contar para a quinta jornada da Liga.

-Que adversário espera tendo em conta o bom arranque de temporada do Marítimo?

-Terem entrado com bons resultados é sempre importante para uma equipa regressa à primeira divisão, acabou por ter impacto e percebe-se quando jogam em casa. O ambiente está a favor da equipa do Marítimo, como tem de acontecer e é normal. Uma equipa que nos vai tentar fazer a vida difícil. É forte, agressiva, com um bom apoio em casa e um bom começo que dá confiança. As equipas que sobem de divisão vêm normalmente numa dinâmica de vitória e se, de um ano para o outro, conseguirem que haja alguma continuidade, dá aquela confiança que é muito importante e, na minha opinião, acaba por ser decisiva para o que depois querem durante a temporada. Espera-nos um adversário difícil, que nos vai tentar contrariar, com os jogadores em posições específicas que podem criar alguns problemas. Temos de estar ao nosso melhor nível, temos de dar continuidade àquilo que temos feito e bem. Novo jogo, nova história, em que nós temos de provar novamente a nossa qualidade.

-O que espera de El Karouani e de Echeverri? Onde é que o argentino pode jogar?

-O Claudio [Echeverri] é claramente um jogador de corredor central para nós, poderá jogar por trás do avançado ou como terceiro médio na nossa estrutua. Sei que se tem falado que poderá jogar por fora, mas de todo foi essa a nossa opção quando olhámos para ele e não é nessa função que achamos que ele próprio pode render muito mais. Poderá ter jogado lá a espaços, mas é um jogador claramente de corredor central, pode ser terceiro médio médio, pode jogar um pouco mais libertado por trás do avançado, foi essa função para a qual foi contratado e para a qual vai ter de lutar bastante, para ganhar o seu espaço, para conhecer as nossas dinâmicas. Mas é um jogador tecnicamente evoluído, tem qualidade naquele espaço entre linhas, por trás do avançado, e que depois tem capacidade também de poder finalizar as ações, quer com passe, quer com golo. É o que nós esperamos que nos possa dar. Temos jogadores que nos dão isso também e naturalmente que quisemos acrescentar um jogador com essas características para aquela posição. Em relação ao Souffian [El Karouani], é um jogador um pouco diferente daquilo que nós temos, um jogador com características um pouco mais ofensivas, mas que vem completar e vem trabalhar muito. Um excelente começo de temporada do Dahl, há que dar o mérito para aquilo que tem vindo a crescer e tem vindo a fazer com a luta do Neto, que tem jogado connosco, faz parte do nosso plantel, com alguns espaços também na equipa B, a competição irá muito por aí. Na temporada passada tínhamos cinco laterais, três à direita e dois à esquerda, com dois jovens da formação em quem nós acreditamos e trocámos simplesmente o lado. Acabou por sair um lateral direito que não estava previsto, o Dedic, o mercado assim o ditou. Acabámos por equilibrar do lado contrário com um lateral esquerdo.

-Richard Ríos, na partida para a Arábia Saudita, deixou a porta aberta a um eventual regresso. Se Marco Silva ainda for treinador em 2027, é possível?

-A partir do momento em que é nosso jogador, esse regresso é claramente possível. Não tive absolutamente nenhuma conversa a dizer que o regresso não é possível ao nosso clube, de todo. Tivemos algumas boas conversas, de realça a forma como falou com os jornalistas. De todas as conversas que tivemos, nunca ouviu da minha boca que não contava, mesmo este ano. Óbvio que, chegando mais tarde, percebeu que a concorrência estava aqui como tem de estar, contratámos um jogador para a zona intermédia, não para a posição específica dos Ríos, que é o João [Palhinha]. A decisão foi ficar com dois jogadores para a posição 6, mais o Manu que pode jogar a seis e a central. Tínhamos três jogadores para aquela posição de 8, vemos o Fredrik para aquela posição, temos o Leandro e tínhamos o Ríos. O Ríos sabia dessa questão. Depois as questões do empréstimo e de ter decidido ir já foi uma decisão pessoal, da minha parte não está nada fechado, é nosso jogado. Posso puxar para a conversa a questão do Ivanovic [emprestado ao Lens]. Um excelente profissional, sempre que teve connosoc com uma atitude tremenda, feliz por estar, falou connosco, queria jogar. Foi contratado para jogar muitas vezes com dois avançados, é onde se sente melhor. Nós, na maioria das vezes, jogamos com um jogador na área como ferência, não vamos começar muitas vezes com dois avançados. Tentou procurar um espaço onde jogasse como jogou antes do Benfica o contratar. São decisões que temos de tomar, mesmo em relação ao Ivanovic, com características muito específicas, nada está fechado, bem pelo contrário. Se pudéssemos ter três avançados, tiraríamos espaço ao Anísio, mas o Ivanovic também nos daria muito boas soluções. Não é possível ficar com todos os jogadores. Quis ir à questão do Ivanovic que também tinha sido contratado e acabou por ser emprestado. São jogadores do Benfica, a porta está aberta, foi uma decisão pessoal que respeitamos.

-Os adeptos do Benfica podem esperar uma dupla de meio-campo composta por Ausnes e João Palhinha amanhã?

-Poderão jogar, como podem jogar também o Enzo e o Barreiro. É uma decisão que irei tomar amanhã, qual será o melhor onze para o jogo. A partir do momento que estão disponíveis, e neste caso posso dizer que o Fredrik está disponível e vai integrar a lista dos convocados para o jogo. Poderá começar ou não, depende da nossa decisão. Não tem tido muitos jogo, tentamos dar ao máximo as condições para jogar,e aos poucos vai ter de começar a jogar. Nós precisamos dele no seu melhor, é um jogador fundamental e quanto mais depressa estiver no seu melhor, de certeza seremos mais fortes com todos os jogadores disponíveis. O Fredrik é claramente e será um jogador chave para nós. Depois poderá ser com o Enzo, também está disponível, poderá ser com o João, terão de esperar por amanhã. Poderá ser com Sudakov ou outro jogador qualquer para fazer o triângulo do meio-campo.

-O plantel do Benfica ficou como tinha planeado?

-Estamos prontos, preparados para ser competitivos e para lutar por todos os objetivos.

-Trubin vai continuar no plantel?

-Vai continuar.

-Foi o Marco Silva que travou a saída de Lukebakio?

-É pouco importante se foi o Marco, o Manuel ou o António. Questões técnicas só posso ser eu, acho que isso não há dúvidas para ninguém e não deverão essas dúvidas. Foi uma decisão técnica. O Lukebakio tem características muito próprias que no corredor direito não temos como outro jogador, a minha avaliação técnica no que são os nossos extremos e para o que queremos no corredor direito, não temos nenhum jogador com as características do Lukebakio. Podem depois colocar a questão: 'Ok, mas não tem jogado a titular desde que começou a pré-temporada'. Isso já são outras questões de planeamento e da estratégia para o jogo. Desde a primeira hora o Lukebakio também sabe, independentemente de não ter vindo a jogar, qual é a minha opinião, perguntou-me várias vezes. Precisamos de um jogador com as suas características no plantel do Benfica.

-Todos os jogadores querem jogar, mas existem estatutos e fases da carreira diferentes. Acha que Lukebakio está preparado para assumir um papel de menor relevo? Como é que vai gerir esses egos de balneário?

-Giro como tem de ser gerido e de uma forma muito clara com os jogadores. Os jogadores têm de olhar para as suas carreiras, a questão da idade é sempre um aspeto importante, momentos de carreira também. Eu vou menos pelo investimento que foi feito nos jogadores, já é outra história, disse isso na semana passada. Não tomamos decisões técnicas por decreto, este jogador custou X tem de jogar ou este jogador custou Y tem de jogar. É é por rendimento, é por aquilo que eles nos vão demonstrando e é assim que gerimos e tomamos decisões sem dúvida nenhuma. Em relação à questão da idade e do momento de carreira compreendo muito mais sim a decisão pessoal dos jogadores ou o envolvimento dos jogadores consoante a posição que têm ou não de relevo no onze inicial ou a vir do banco. Isso eu percebo, compete-me a mim como líder do grupo motivá-los e colocá-los, independentemente de mais satisfeitos ou menos satisfeitos, ao nível que é importante para o Benfica.

-Qual é o plano concreto que tem para Lukebakio?

-Temos quatro/cinco extremos, da forma como quisermos olhar para o Rafa, que é um jogador muito mais de corredor central, mas tem feito um princípio de época muito bom na direita por necessidades da equipa e pelas características dos nossos defesas direitos. Pela forma como começámos a construir, acabámos por ter o Rafa, que era a opção que tínhamos para o corredor direito, muito mais por dentro. O que é certo é que as dinâmicas começaram a ser boas, de uma forma que nos agradava e neste momento o Rafa tem estado muito bem a jogar no corredor direito, praticamente no corredor central, mas vindo do corredor direito. Acabámos ter aqui ainda mais uma opção para o corredor. Sinceramente, são bons problemas. Os planos que tenho para o Lukebakio são os mesmos que tenho para o Prestianni, para o Andreas, para o Kaminski e para o Rafa que está a jogar a extremo e que tenho para os jogadores de cada posição. O Pavlidis está a fazer um excelente início de temporada, mas se me perguntar os planos que tenho para o Durán, são planos de ajudar o Benfica no máximo que ele conseguir e se tiver de jogar jogos de início irá jogar de início. Não tem a mesma idade do Lukebakio, percebo a questão, mas veio com ganas de chegar aqui, jogar e ser importante no Benfica. Neste momento, tem de perceber que o jogador que está a jogar na posição está a jogar muito e bem, está a fazer golos, e ele tem de trabalhar para chegar a esse patamar e depois agarrar o lugar quando tiver a oportunidade. E o Lukebakio não será diferente. Volto a dizer que é um jogador que tem características que se colocarmos lá o Rafa, ou o Prestianni como jogou muitas vezes no ano passado e vai jogar lá na direita também este ano de certeza, não têm as mesmas características. É um jogador claramente de corredor, jogar aberto completamente sempre no corredor. Em alguns jogos, para não dizer num bom número de jogos, nós vamos precisar de jogadores com as características de Lukebakio em campo.

-O Benfica vai enfrentar um ciclo com cinco jogos em 15 dias, quatro deles fora de portas. De que forma é que o calendário apertado pode influenciar na sua gestão da equipa?

-Vai ter influência sem dúvida. Calendário carregado e com viagens, quatro jogos fora de casa, pensando sempre no próximo, não há, mas temos de ir vendo também essa questão. Já o mês de agosto foi um mês atípico para nós naquilo que é a carga de jogos para os jogadores. Chegámos a esta altura da época já já com seis jogos feitos na Liga Europa, o que não é muito normal. Devido à nossa superioridade, conseguimos, na maioria dos casos, também ir gerindo quem tem jogado mais e ao mesmo tempo também dar minutos a quem precisa claramente de jogo. Vem aí uma fase um pouco diferente, com jogos de três em três dias. A questão positiva é que nós entre jogos vamos ter quase sempre um intervalo três dias tirando um dos casos. Por isso mesmo é que temos o plantel que temos e queremos estar com soluções. Falámos do Lukebakio, do Durán e outras posições o Enzo e o João, dois jogadores para a mesma posição que nós estamos muito contentes de ter no plantel. É por isso mesmo é que é importante temos profundidade no plantel, não só para estarmos precavidos para algum tipo de lesões que esperemos que não aconteçam, mas também para a densidade de jogos que vamos te que será muito grande até à paragem. Depois da paragem será um calendário bem apertado, em que precisamos de fazer uma gestão física dos jogadores e não perder qualidade. Mesmo que sejam jogadores um pouco diferentes oferecem coisas diferentes sem perder a qualidade daquilo que é a dinâmica da equipa e a nossa qualidade coletiva. Isso é o mais importante para mim, termos esta capacidade e esta concorrência pelos lugares, faz os jogadores não estarem cómodos. Para mim também é importante não haver comodidade, o saber que vai jogar sempre não é muito positivo ao nível em que estamo. Se queremos ter sucesso no final da tempoada, e os jogadores sabem que essa a minha mensagem para eles, vamos precisar de toda a gente a um nível muito bom. Só assim é que será possível termos sempre um Benfica forte e esse é o meu objetivo enquanto treinador, mesmo com algumas decisões difíceis que temos de tomar, mesmo com alguns jogadores de qualidade a lutarem pela mesma posição. É uma dor de cabeça que eu prefiro ter. A questão dos egos é algo que eu tenho de gerir da melhor forma que conseguir, sempre olhando para aquilo que é melhor para o Benfica. Essa questão compete-me a mim gerir e depois compete aos jogadores também depois mostrarem a sua qualidade para estarem ao serviço da equipa quando vier a oportunidade de jogarem. Vamos precisar de todos de certeza absoluta.

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