Três troféus para o Torreense em dez meses valem destaque em Espanha
O Torreense é uma das equipas do momento no futebol feminino português. Sob o comando de Gonçalo Nunes, a equipa conquistou a Taça de Portugal, a Taça da Liga e a Supertaça no espaço de dez meses, estando agora a apenas um ponto de garantir um inédito apuramento para a Liga dos Campeões.
O percurso da equipa de Torres Vedras mereceu destaque, esta quinta-feira, no prestigiado jornal espanhol Marca, onde o treinador revelou a fórmula para este sucesso retumbante.
«O sucesso da equipa reside no trabalho diário e na competência em todas as áreas, desde a direção e equipa técnica até, o mais importante, às jogadoras», afirmou Gonçalo Nunes, que, recorde-se, chegou ao clube em novembro de 2024.
Temos uma equipa jovem e muito ambiciosa que ainda quer conquistar mais, tanto coletiva como individualmente
O técnico destacou a importância da união do grupo, sublinhando que «o coletivo é o mais importante para uma equipa». Para Nunes, «não há troféus nem conquistas se o grupo não remar na mesma direção. Só assim chegam as grandes vitórias». A prova da evolução do plantel é que, das 24 jogadoras atuais, 11 já faziam parte do grupo aquando da sua chegada. O trabalho desenvolvido resultou na chamada de quatro jogadoras à seleção principal (Carolina Correia, Raquel Ferreira, Bárbara Lopez e Rute Costa) e de outras duas à seleção Sub-23 (Bruna Ramos e Matilde Costa).
Apesar dos três troféus conquistados - Taça de Portugal (17 de maio de 2025), Supertaça (7 de setembro de 2025) e Taça da Liga (28 de março de 2025) -, o treinador mantém a ambição. «Temos uma equipa jovem e muito ambiciosa que ainda quer conquistar mais, tanto coletiva como individualmente», garantiu, acrescentando que o futuro do projeto dependerá «da resposta do clube e do investimento em mais e melhores recursos».
A um passo de fazer história na Liga feminina, precisando apenas de um ponto nos dois jogos restantes para se qualificar para as competições europeias, Nunes admite que gerir as expectativas foi um desafio. «Trabalhámos este tema com humildade, mantendo os pés na terra, concentrando-nos no trabalho, e os resultados foram surgindo naturalmente. Levar o Torreense a palcos internacionais seria o culminar de um trabalho bem planeado e com um futuro brilhante pela frente», explicou.
Falta de estádio próprio
O treinador elogiou ainda a estrutura do clube, descrevendo-o como tendo «uma boa visão estratégica de futuro», o que permitiu competir com equipas como o Benfica, recente campeão nacional, e o Sporting. No entanto, apontou uma desvantagem significativa: «Este ano, lamentavelmente, não tivemos um estádio próprio [na qualidade de clube visitado urilizaram o Estádio Municipal de Rio Maior], um lugar que consideremos casa, o que nos coloca em desvantagem e torna o trabalho realizado ainda mais meritório».
Desafiado a descrever o estilo de jogo que defende, Gonçalo Nunes diz-se um treinador metódico que privilegia a posse de bola.
«Gosto que as minhas equipas sejam proativas, dominantes e intensas. Gosto que haja coesão em todos os aspetos do jogo; só assim podemos atacar e defender com eficácia. Considero-me uma pessoa honesta, direta e empática, que confia muito nas minhas capacidades. Gosto de transmitir essa confiança às minhas jogadoras, ao clube e a todos os que nos rodeiam. Não há outro segredo senão o trabalho», finalizou.