Sidny, ala do Benfica (foto: Imago)
Sidny, ala do Benfica (foto: Imago)

«Treinava sozinho até à exaustão»: segredos de Sidny para reconquistar o Benfica

A BOLA falou com quem conhece bem o reforço de janeiro das águias

Contratado ao Estrela da Amadora em janeiro, por 6 milhões de euros, mais 2,5 milhões em objetivos, por 90 por cento do passe, Sidny Lopes Cabral teve impacto imediato na equipa do Benfica.

Com qualidade para ser lateral e ala nos dois flancos, o internacional cabo-verdiano, que fez formação nos Países Baixos e principalmente na Alemanha, parecia lançado para ser mais importante na equipa, mas um episódio extra-futebol travou a evolução — esteve afastado da equipa desde o final da 2.ª mão do play-off da Champions com o Real Madrid, depois de nesse jogo ter pedido a camisola a Vinícius Jr, no meio da polémica de alegado racismo envolvendo Prestianni, extremo dos encarnados. Sidny falhou algumas convocatórias e regressou à competição apenas no último jogo, com o V. Guimarães, lançado nos últimos 14'.

A BOLA foi tentar conhecer um pouco mais da personalidade de Sidny e Marian Willhem, que treinou o jogador de 23 anos nos alemães do Viktoria Koln, lembra traços que conduziram à transferência de Sidny para o Estrela da Amadora, no início desta época.

Destacou-se imediatamente como um jogador de ala moderno e dinâmico. Tinha uma velocidade de ponta explosiva, excelente coordenação e uma habilidade natural para ganhar duelos.

«Destacou-se imediatamente como um jogador de ala moderno e dinâmico. Tinha uma velocidade de ponta explosiva, excelente coordenação e uma habilidade natural para ganhar duelos», recorda o técnico, que ainda lidera o Viktoria na terceira divisão da Alemanha. «O que mais me impressionou foi a sua versatilidade e adaptabilidade, sentia-se confortável em múltiplas funções. O ritmo de trabalho, ofensivo e defensivo, era excecional. E trabalhava muito», reforça.

Sobre as expetativas criadas, Marian Willhem admite que com jogadores jovens «nunca se pode ter cem por cento de certeza», mas diz que Sidny apresentava «muitos indicadores» positivos — o «nível técnico, combinado com mentaliadde e vontade de melhorar» sugeria que o ala tinha «potencial para alcançar um nível muito alto». «O que o diferenciava era a sua mentalidade de jogo e a fome de ser o melhor em campo», aponta.

Marca e assiste na seleção
Sidny voltou a mostrar pontaria afinada, agora ao serviço da seleção, na derrota de Cabo Verde com o Chile (2-4), em jogo de preparação para o Mundial, na madrugada de sexta-feira. O lateral/extremo cabo-verdiano finalizou um boa jogada coletiva com um remate de pé direito junto ao poste direito da baliza adversária — na altura promoveu a reviravolta no marcador. Também assistiu no segundo golo. O jogador de 23 anos, que soma apenas três titularidades em 12 jogos sob o comando de Mourinho, voltou assim a sorrir. Sidny soma três golos em oito internacionalizações. Mostrando-se otimista, o jogador reagiu ontem nas redes sociais. «Um bom teste para a nossa equipa. Vamos continuar a trabalhar arduamente para nos prepararmos para o próximo Mundial… vamos dar tudo!», garantiu o benfiquista, na conta pessoal do Instagram.

Marian considera que a melhor posição para o cabo-verdiano é a de ala, dependendo do sistema. Mas a «habilidade com os dois pés» dá-lhe «grande vantagem». Lembra-se que Sidny «treinava muitas vezes sozinho, até à exaustão», atingindo qualidade com treino específico, «repetições, repetições e repetições». O trabalho da equipa técnica com o jogador foi focado sobretudo na perceção posicional, no timing das corridas e na tomada de decisão no último terço; também na postura defensiva e transições, na reação à perda da bola. «No capítulo técnico, trabalhámos cruzamentos e finalizações. Análises individuais de vídeo também ajudaram a entender o posicionamento e a melhorar a inteligência de jogo dele», explica o técnico.

Não se desanima facilmente e demonstra uma forte postura profissional. É alguém muito resiliente.

Entre os pontos fortes que deteta, o antigo treinador de Sidny fala em velocidade, versatilidade e a capacidade de impactar o jogo, defensiva e ofensivamente. E fala de características que podem ajudar o jogador a ultrapassar a fase de negativa no Benfica: «Ele é agressivo nos duelos, confiante com a bola e sempre procurando levar a equipa para a frente. Mentalmente, é muito focado, disciplinado e resiliente. Não se desanima facilmente e demonstra uma forte postura profissional. É alguém muito resiliente.»

Em relação ao futuro, Marian Willhem fala na necessidade de «consistência» a jogar a um nível muito alto e «jogar regularmente» para refinar «a tomada de decisão».

Vejo-o bem encaixado numa grande liga europeia, onde a intensidade e a disciplina tática são essenciais. Um clube que confia em jovens jogadores e que permita o seu crescimento. É o ambiente perfeito para seu desenvolvimento. Estou muito feliz em vê-lo no Benfica e, ao mesmo tempo, curioso para ver até onde o caminho vai levá-lo», conluiu o treinador.

Estou muito feliz em vê-lo no Benfica e, ao mesmo tempo, curioso para ver até onde o caminho vai levá-lo.

Sidny está agora na seleção de Cabo Verde, onde é jogador importante e alimenta o sonho legítimo de estar no Mundial-2026. No Benfica, sabe A BOLA, Sidny Lopes Cabral, apesar de não estar satisfeito por não ser utilizado, respeita as decisões de José Mourinho e luta para recuperar a confiança dos adeptos e do treinador, e a presença nas convocatórias. Tem boa relação no clube e acredita que vai ser importante para a equipa ainda esta época — tem 12 jogos (463 minutos), um golo e três assistências.