Treinador do Nantes confrontou ultras no relvado: «Pensavam que me iam agredir?»
A carreira de Vahid Halilhodzic, de 74 anos, terminou de forma tumultuosa no passado domingo, com a despromoção do Nantes e a interrupção definitiva do jogo contra o Toulouse devido a uma invasão de campo. O treinador franco-bósnio, já a caminho de Paris na manhã seguinte, recordou os acontecimentos com uma mistura de tristeza e resignação, mas sem perder o seu característico sentido de humor.
O final da partida foi marcado por uma invasão de campo por parte dos adeptos. Halilhodzic, num ato impulsivo, dirigiu-se aos invasores para tentar travar o caos. «Nem sequer refleti!», admitiu. «Sabia do rumor de uma invasão de campo, mas não pensei que fosse acontecer». O treinador explicou que a sua intenção era evitar consequências graves para o clube, como uma suspensão do estádio ou a perda de pontos na próxima época. «Eu disse: 'Isso não, isso não está bem, não para o Nantes'. E eles disseram-me: 'Deixa-nos fazer isto, Vahid'», relatou.
Apesar da tensão, Halilhodzic garante que nunca sentiu medo. «Não tive medo, já passei por situações mais graves na minha vida. Pensavam que me iam agredir? Nunca pensei que pudesse ser agredido. Nem por um segundo», afirmou, descrevendo o seu ato como «uma pequena loucura» típica da sua personalidade. «Sou assim, corajoso. Quando quero fazer algo, avanço, não tenho medo», atirou.
O técnico tentou dialogar com os adeptos, muitos deles encapuzados e determinados, mas foi contido por um segurança. «Era meu dever parar aquela loucura, foi mais forte do que eu», lamentou, acrescentando que o carinho que recebeu em Nantes o fez acreditar que não seria alvo de qualquer agressão.
Questionado sobre o futuro do clube, Halilhodzic foi crítico em relação à gestão desportiva. «É preciso mudar certas coisas, sobretudo no desportivo, na deteção de talentos, na construção de uma equipa», defendeu. Para o treinador, é urgente encontrar «estabilidade e apego ao clube», criticando a constante rotatividade de jogadores. «Não se pode mudar 20 jogadores todos os anos. O clube perdeu a sua identidade!»
O treinador lamentou ainda a falta de identificação de alguns jogadores com a história do clube. «Perguntei uma vez a um jogador: sabes quantas vezes o Nantes foi campeão? Ele disse-me: não sei. Isso diz tanta coisa», desabafou. «O Nantes bateu no fundo, estou muito triste, mas dei tudo o que podia», completou.