Tiago Lopes, da FIFA Medical Centre of Excellence, fala sobre o equipamento GPS

«Torna mais suscetível a lesão»: alerta especialista sobre a fadiga no futebol

Tiago Lopes, da FIFA Medical Centre of Excellence, liga a recuperação inadequada ao risco de lesão muscular e destaca o papel do GPS na deteção precoce da fadiga dos atletas

A fadiga muscular continua a ser um dos principais fatores associados às lesões que afetam os jogadores de futebol, alertou o Dr. Tiago Lopes, da Clínica Espregueira – FIFA Medical Centre of Excellence, em entrevista à A Bola TV. Segundo o especialista, «as lesões musculares ainda acabam por ser um fator de enorme peso em todos os clubes», estando esta condição «muito ligada» ao fenómeno da fadiga acumulada.

O médico sublinhou, no entanto, que a fadiga não explica isoladamente o problema: «é decorrente de vários fatores, não podemos só explicá-lo pela fadiga», sendo antes «porventura uma das variáveis que será preponderante» para o aparecimento de lesões.

Tiago Lopes foi mais longe ao estabelecer uma relação direta entre a gestão da recuperação e o risco de lesão, num cenário de calendários cada vez mais apertados. «Se nós tivermos uma recuperação inadequada, com estes níveis competitivos que estamos a observar, torna mais fácil e mais suscetível que o atleta sofra uma lesão muscular», explicou, defendendo a necessidade de «estratégias de recuperação instituídas pelas equipas médicas e pelas associações nacionais». Entre essas medidas, destacou «a própria reposição hídrica e dos eletrólitos, a própria reposição nutricional, a própria otimização do sono» e «a monitorização das cargas a que os atletas estão sujeitos».

Questionado sobre a utilidade prática dos dispositivos GPS usados pelos jogadores durante os jogos, o especialista explicou que estas ferramentas permitem avaliar «aquilo que é a carga externa» a que o atleta está sujeito, através de «métricas muito bem definidas» como «a distância total percorrida, o número de ações de aceleração e desaceleração, o número de ações de alta intensidade».

Segundo Tiago Lopes, estes dados «conseguem ajudar a prever o nível de fadiga a que aquele atleta está sujeito», ainda que sublinhe que não devem ser encarados como uma solução isolada. Devem, antes, ser cruzados com outros indicadores que permitam projetar de forma mais fiável a fadiga real do jogador.

Com base nesse cruzamento de informação, as equipas médicas conseguem «identificar e também priorizar» o plano de treino e a estratégia de recuperação de cada atleta entre jogos, considerou o especialista, para quem o GPS é hoje «um instrumento fundamental naquilo que é a monitorização da fadiga de um jogador de futebol» — uma ferramenta que, associada às estratégias de recuperação já em prática, ajuda a mitigar o risco acrescido de lesão num contexto de exigência competitiva cada vez maior.

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