Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol. Foto Miguel Nunes
Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol. Foto Miguel Nunes

Luciano Gonçalves reage à polémica e nega reuniões «para antecipar nomeações»

Presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol em comunicado

Luciano Gonçalves, Presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, reagiu nesta quarta-feira à polémica levantada pela demissão de Duarte Gomes do cargo de diretor técnico nacional da arbitragem.

O dirigente começa por rejeitar as imputações de que diz ter sido alvo após a saída do antigo árbitro, e que levaram à intervenção do Ministério Público. «Rejeito, de forma absoluta e categórica, todas as imputações que me são dirigidas. Tenho a consciência absolutamente tranquila e a plena convicção de que a verdade dos factos será integralmente apurada», lê-se na nota emitida nas redes sociais.

«Posso afirmar, de forma clara e inequívoca, que nunca revelei a qualquer presidente, dirigente ou representante de qualquer clube a identidade do árbitro nomeado para qualquer jogo antes da respetiva comunicação oficia. Da mesma forma, nunca qualquer Presidente ou dirigente de clube me pediu a nomeação de um árbitro específico para qualquer encontro, e, por consequência, nunca me senti influenciado, condicionado ou pressionado nas tomadas de decisãol», acrescentou, defendendo que os encontros mantidos ao longo da época foram realizados no âmbito das funções que exerce.

«As reuniões que mantive ao longo da época com presidentes e dirigentes de clubes inserem-se no exercício normal das responsabilidades do Presidente do Conselho de Arbitragem. Nessas reuniões foram explicados critérios gerais de gestão da arbitragem, ouvidas preocupações dos clubes e promovido o diálogo institucional que sempre considerei essencial para aproximar a arbitragem dos seus intervenientes. Nunca tiveram como finalidade antecipar nomeações, permitir qualquer influência sobre as mesmas ou condicionar decisões do Conselho de Arbitragem», defende.

Luciano Gonçalves refere ainda ter partido dele o pedido de averiguações sobre os factos que lhe foram imputados internamente.

«Assim que tomei conhecimento das suspeições que agora são públicas, procurei compreender a origem das alegações, promovi contactos com os intervenientes que me foram referenciados e fui eu próprio quem solicitou que toda esta situação fosse apreciada pelos órgãos competentes da Federação Portuguesa de Futebol (...) Tenho total confiança nos órgãos da Federação Portuguesa de Futebol e estou convicto de que as averiguações permitirão esclarecer integralmente os factos», lê-se também.

Leia o comunicado na integra:

Nos últimos dias foram tornadas públicas suspeições e acusações relativas ao exercício das minhas funções como Presidente do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol.

Rejeito, de forma absoluta e categórica, todas as imputações que me são dirigidas. Tenho a consciência absolutamente tranquila e a plena convicção de que a verdade dos factos será integralmente apurada.

Tomei a iniciativa de solicitar aos órgãos competentes da Federação Portuguesa de Futebol a apreciação e o integral apuramento desta situação, colocando-me, desde o primeiro momento, totalmente disponível para prestar todos os esclarecimentos que entendam necessários. Paralelamente, recorri aos meios judiciais competentes para defesa da minha honra, do meu bom nome e da minha família, por entender que essa dimensão pessoal não pode nem deve ficar sem resposta.

Ao longo de toda a minha vida procurei exercer as minhas funções com total independência, transparência, responsabilidade e respeito pelas instituições.

Posso afirmar, de forma clara e inequívoca, que nunca revelei a qualquer Presidente, dirigente ou representante de qualquer clube a identidade do árbitro nomeado para qualquer jogo antes da respetiva comunicação oficial.

Da mesma forma, nunca qualquer Presidente ou dirigente de clube me pediu a nomeação de um árbitro específico para qualquer encontro, e, por consequência, nunca me senti influenciado, condicionado ou pressionado nas tomadas de decisão do Conselho de Arbitragem.

Do mesmo modo, nunca procurei influenciar qualquer árbitro no exercício das suas funções, nunca solicitei a qualquer árbitro que atuasse de forma contrária aos seus deveres e sempre respeitei, de forma absoluta, a independência que deve caracterizar a arbitragem portuguesa.

As reuniões que mantive ao longo da época com Presidentes e dirigentes de clubes inserem-se no exercício normal das responsabilidades do Presidente do Conselho de Arbitragem. Nessas reuniões foram explicados critérios gerais de gestão da arbitragem, ouvidas preocupações dos clubes e promovido o diálogo institucional que sempre considerei essencial para aproximar a arbitragem dos seus intervenientes. Nunca tiveram como finalidade antecipar nomeações, permitir qualquer influência sobre as mesmas ou condicionar decisões do Conselho de Arbitragem.

Assim que tomei conhecimento das suspeições que agora são públicas, procurei compreender a origem das alegações, promovi contactos com os intervenientes que me foram referenciados e fui eu próprio quem solicitou que toda esta situação fosse apreciada pelos órgãos competentes da Federação Portuguesa de Futebol.

Não aceito viver numa realidade em que alguém possa ser julgado e condenado na praça pública, apenas porque uma narrativa é repetida ou porque determinadas conversas, frases ou mensagens são retiradas do seu contexto e interpretadas de forma parcial.

Os factos devem ser apreciados por quem tem competência para o fazer, com base na prova e nunca na especulação.

Quem acredita na sua inocência não pede silêncio; pede escrutínio. Foi exatamente o que fiz.

Tenho total confiança nos órgãos da Federação Portuguesa de Futebol e estou convicto de que as averiguações permitirão esclarecer integralmente os factos.

Entretanto, o Conselho de Arbitragem continuará a desempenhar as suas funções com a competência, a independência e o profissionalismo que sempre demonstrou. O Conselho de Arbitragem continuará totalmente focado na preparação da nova época desportiva, com a estabilidade e a serenidade que o futebol português exige.

Nunca me escondi ao longo da minha vida e não será agora que o farei. Continuarei a colaborar, de forma total e transparente, com todas as entidades competentes, a defender a minha honra pelos meios legalmente previstos e a aguardar, com serenidade e confiança, que a verdade prevaleça.

Passei uma vida inteira a defender que ninguém deve ser julgado pela pressão, pelo ruído mediático ou pela opinião pública, mas sim pelos factos e pela prova. Não peço para mim um tratamento diferente. Peço apenas que me seja aplicado o mesmo princípio que sempre defendi para a arbitragem portuguesa: que a minha atuação seja apreciada pelos factos, pela prova e pelas conclusões das entidades competentes, e nunca por rumores, interpretações ou especulações.

A verdade não precisa de ruído para prevalecer. Precisa apenas de ser procurada com independência, rigor e justiça. É isso que espero e é isso que continuarei a defender.

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