Mundial
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O que assusta é a ausência de um plano na Seleção
O que assusta no que se tem visto da selecção portuguesa não é só a falta de qualidade, é a ausência de um plano.
O que diferencia uma equipa de alto nível de um conjunto de jogadores é isso mesmo: uma intencionalidade colectiva, uma declaração de intenções. Algo que nos permita identificar o colectivo mesmo que os onze elementos em campo troquem de camisola.
O teste frente à Colômbia era o primeiro teste a sério da selecção nesta prova. As condições climatéricas não eram favoráveis e a equipa colombiana tinha dado boas indicações nos jogos anteriores, mas não parece possível explicar os problemas estruturais da equipa e a ausência de ideias com a temperatura e a humidade. Martínez vai para o quarto ano e continua sem se perceber qual é o projeto colectivo. Percebe-se um padrão: o respeito obstinado pelos jogadores com mais estatuto, e a tentativa de mexer no colectivo através da troca individual. Repare-se como a equipa melhora com Dalot e João Neves neste último jogo. Melhora porque fisicamente e individualmente a equipa cresce, não porque as ideias melhorem. Aos 70’ sai Vitinha e Félix, entra Samu e Leão. Mexe-se nos jogadores para mexer na táctica, sendo reativo: Samu para lutar, Leão para esticar. É a assumpção de que o jogo fugiu do controlo.
Quando não existe uma identidade colectiva a equipa torna-se um conjunto de individualidades. É difícil perceber quais as ideias da equipa quando tem a bola ou quando a conquista. Defendemos à zona? A homem? Depende da circunstância? E a atacar? Procuramos os corredores laterais ou o jogo interior? Os laterais envolvem por fora ou por dentro? E os extremos? Por estas ocupações do espaço serem em função do jogador vemos, muitas vezes, posicionamentos conflituantes.
Acredito que acabemos por vencer a Croácia. Somos superiores individualmente e arriscamo-nos a resolver o jogo na individualidade.
Veja-se como mesmo num jogo mau, frente à Colômbia, Leão quase resolvia o jogo nos últimos minutos. Na ausência de uma ideia, os fogachos passam a iluminar o caminho da equipa. Não vencer a Croácia tornaria Portugal a desilusão da prova.
Diz-se que o verdadeiro Mundial começa agora. Talvez seja verdade: vejo o Canadá-África do Sul e percebe-se que são duas equipas que jamais chegariam à fase seguinte noutro formato. O Japão cai, mas cai agarrado a uma ideia, numa segunda parte em que Vinícius decide e Ancelotti vence. Os bons jogadores também crescem com a equipa.