Rui Borges continua depois de temporada difícil
Rui Borges continua depois de temporada difícil

Sporting: motor novo, mas com velhas dúvidas

Os leões arrancam com um meio-campo novo. Rui Borges continua, mas carrega o peso de zero títulos. Entre a revolução e a necessidade de afirmação, será necessário saber conviver com o risco

O Sporting arranca hoje para a nova temporada. Depois de uma época sem títulos, ainda que com alguns excelentes momentos europeus, e em que o apuramento para a Champions resgatado no final perante o grande rival acaba por contrastar com o escândalo da Taça perdida no Jamor para um Torreense de Segunda Liga, há um reset. Mas um parcial. Que revoluciona aquilo que foi muitas vezes o coração do seu sucesso. Saem os metrónomos Hjulmand e Morita, além de Quenda, e devem ser acompanhados por Pedro Gonçalves e Bragança. No seu lugar, entram Zalazar, Doumbia, Altimira, Silas Andersen e Pedro Lima, ficando os leões à espera de uma oportunidade de mercado que lhes permita ir à procura de um extremo de nível superior aos contratados na última época.

Ao contrário do que costuma acontecer, a revolução não atinge o treinador que, numa manobra de antecipação talvez desnecessária de Frederico Varandas, renovara pouco tempo antes. Um treinador que foi campeão num primeiro ano ainda marcado positivamente pelo líder que recolocou os leões no caminho dos títulos e negativamente por quem lhe sucedeu. Um técnico que a juntar ao facto de nunca ter sido consensual mesmo quando ganhou, fecha a temporada com a imagem dos zero títulos, que dificilmente não pesará se o arranque for abaixo das expetativas, que existem sempre no início das épocas. E que será sempre lembrado após qualquer eventual mau resultado.

Mexer na sala de máquinas — mesmo que os que entram tenham inegável valor, algo que é indiscutível — e não afastar o peso negativo que estará sobre Rui Borges durante a temporada é um risco com que os leões terão de conviver. Como outros conviveram num passado não tão longínquo assim.

É óbvio que o técnico dá garantias de trabalho, da criação de dinâmicas a curto prazo e de competitividade para os duelos com os rivais. Ficaram, no entanto, dúvidas não dissipadas sobre o que continuará a ser o Sporting nos momentos decisivos. E, por vezes, a comunicação não ajuda. Mesmo que seja legítima e autêntica. Dificilmente tem levado os jogadores a transcenderem-se.

Borges só tem época e meia de experiência num grande. Temos de considerar a hipótese de que esteja a absorver conhecimento, sobretudo na área da liderança e da comunicação. Devia fazê-lo. O próprio clube devia ajudá-lo. Os jogos não se ganham só em campo e, sim, o técnico tem algo a provar.

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