Thiago Silva pensou terminar a carreira: «Se não tivesse um clube como o FC Porto...»
Apesar dos 41 anos de idade, várias épocas ao serviço de gigantes como Milan, PSG e Chelsea e 113 internacionalizações A pelo Brasil, a estreia pelo FC Porto conseguiu deixar Thiago Silva... nervoso. Quem o diz é o próprio, numa extensa entrevista ao canal TNT Sports, em que recordou os primeiros dias no clube azul e branco.
«Estava nervoso pela responsabilidade que tinha, por ser um clássico e por ser o meu primeiro jogo. O que muitos não sabem é que eu apenas tive seis treinos. Tinha estado de férias no Rio de Janeiro e, como não gosto de ficar parado durante as férias, comecei a preparar-me sem saber para onde ia, já a pensar em como iria chegar ao próximo clube. Fiz essa preparação mental. O desgaste do futebol brasileiro é muito grande, por isso fiquei 15 ou 16 dias a descansar, mas ao mesmo tempo tinha de me preparar de alguma forma, então comecei a trabalhar no ginásio, a correr, a fazer bicicleta e a jogar futevólei, um desporto que eu adoro», começou por detalhar Thiago Silva, que faria o primeiro jogo pelos dragões num duelo de exigência máxima, frente ao Benfica, na Taça de Portugal.
«Quando cheguei aqui, fiz a apresentação, fomos cinco dias para o Algarve, voltámos no sexto e no sétimo ou oitavo tivemos jogo: FC Porto-Benfica. Não era um jogo qualquer, mas preparei-me psicologicamente e disse a mim mesmo: 'É o primeiro jogo, ainda não estou totalmente entrosado, mas é um FC Porto-Benfica. Tenho de dar uma boa resposta'. Não fisicamente, por ser logo de repente, mas taticamente, na entreajuda e na comunicação. Tinha de jogar como se tivesse treinado durante 30 dias. Essa foi a minha preocupação, daí o nervosismo, apesar de as pessoas acharem que eu estava bastante calmo. É isso que tento passar, um pouco mais de tranquilidade devido à minha experiência. Quando terminou o jogo, a pressão saiu toda, senti algumas cãibras, mas o resultado final trouxe um alívio mental muito grande por ter chegado e mostrado as minhas capacidades», acrescentou o ex-Fluminense.
Thiago Silva revelou, ainda, que equacionou dar por terminada a carreira. No entanto, quando o FC Porto apareceu em cena, o caso mudou de figura. «Se não tivesse um clube, principalmente um tão especial como o FC Porto, teria terminado a minha carreira em dezembro. Quando surgiu o interesse de um grande clube como o FC Porto, com a história que eu tinha aqui e que não correu como eu queria há 22 anos, aceitei, porque este ciclo tinha de ser fechado. Pensei bem e senti que era neste clube que deveria estar», vincou.
«Não esperava voltar ao mais alto nível na Europa. Na verdade, o meu pensamento no regresso ao Brasil foi para encerrar a carreira, não é? (...) Mas sou tão apaixonado por futebol... Por isso é que o faço até agora, com 41 anos e procuro dedicar-me ao máximo. E vais vendo que estás a ter condições de seguir, vais indo, vais indo... E o facto de ter voltado à Europa, para um grande clube como é o FC Porto, também teve como motivo estar tão longe da minha família», acrescentou Thiago.
As declarações do central sobre Francesco Farioli já tinham sido reveladas num dos teasers da entrevista, mas a publicação da mesma na íntegra permitiu perceber ainda melhor a impressão que o jogador tem do técnico... cinco anos mais novo do que o próprio Thiago Silva: «Só na primeira videochamada é que me apercebi de que o míster era mais jovem do que eu. Surgiu naturalmente esse comentário de ele ter 36 anos e eu 41, sinceramente fiquei contente e triste ao mesmo tempo, é uma mistura de sentimentos porque nunca tinha passado por isso, mas estou mesmo muito feliz com o trabalho que temos feito e que ele tem orientado. Tem uma energia incrível, sabe imensas coisas aos 36 anos, é ainda mais jovem do que eu. Tenho a certeza de que terá uma história muito bonita no futebol como treinador. Já tive bons exemplos na minha carreira, fui comandado por muitos treinadores vencedores, agora tenho um mister com 36 anos que, numa semana, consegue dar-nos vídeo, preparação, treino e a abordagem mental para o jogo. E não é aleatório. É tudo específico para o adversário que vamos defrontar. A preparação semanal é muito boa, tal como a reunião pré-jogo e os treinos, a energia dele e de toda a equipa técnica é incrível. O FC Porto é uma grande família e, quando cheguei, encontrei esse lado familiar. Temos um super comandante, com tão pouca idade, mas com experiência vasta para fazer uma carreira incrível. Não tenho dúvidas de que isso vai acontecer, mais cedo ou mais tarde, e já está a acontecer aqui no FC Porto. Espero que possamos ter sucesso juntos este ano para que este seja o início de grandes temporadas com grandes títulos na vida dele.»