O Benfica perante o seu juiz
Marco Silva viu o que toda a gente viu: o Benfica foi mau. Outros treinadores podiam ter tentado «dourar a pílula», dar confiança para a segunda mão, criar expectativa, olhar para a margem mínima de uma eliminatória perfeitamente recuperável. Mas o técnico não foi assim: a análise foi honesta e clara sobre a exibição. Para quê tentar iludir o povo, quando o povo sabe o que viu?
É verdade que, muitas vezes, as análises começam pelo resultado, mas no caso do jogo do Benfica com o St. Gallen o marcador e a performance andam de mão dada. Enfim, tente-se ver algum líquido num copo que parece vazio.
Comecemos pela sabedoria popular. Rafa Silva foi escolha quase unânime dos leitores de A BOLA para o onze encarnado. De facto, o (antigo) internacional português contratado em janeiro ao Besiktas foi outra vez o principal destaque da equipa. Tendo em conta o que Rafa deu ao Benfica antes de sair para a Turquia, talvez seja otimista pensar que esses tempos podem voltar. Algo que só a época pode confirmar. Outro aspeto positivo - haverá quem discorde pela falta de experiência internacional - é a utilização de Miguel Figueiredo. O Benfica precisa que a formação tenha peso no onze, mas esse peso não pode ser apenas pelo número. Tem de ser pela qualidade, é certo.
Miguel Figueiredo terá mais a provar, mas é muito de realçar a aposta. Marco Silva decidiu-se por um miúdo e não por uma adaptação. Confiou e isso faz antever que o treinador do Benfica não terá problemas em fazer o mesmo no futuro. Dir-me-ão que foi por necessidade, por ausência de Barreiro, ou dos mundialistas Ríos e Aursnes. É um argumento. Mas contraponho que outros não teriam hesitado em «inventar» um tipo de solução com um jogador mais «batido». Se nunca ninguém atirar os rapazes aos leões, a águia mãe nunca saberá se eles são capazes de voar.
E basta. O bom do Benfica não foi mais que isto. A grande novidade é que hoje há mais. A segunda mão com o St. Gallen, para a semana, é uma final. E, em julho, as únicas finais que devem ser jogadas são as de mundiais. Mas hoje o Benfica aparece perante o seu juiz. Não sabemos quantos adeptos serão e sabemos que o jogo tem cariz quase irrelevante. Mas também se antevê que a receção com o Belenenses servirá como tribunal, para se perceber que margem e confiança estão os benfiquistas. Confiantes pela precocidade do momento, apesar da exibição e resultado, ou a coçar a cabeça e com as veias a notarem-se?