Treinador do FC Porto analisou o empate frente ao Benfica

FC Porto: tradição no século XXI 'descansa' Farioli nas contas do título

Desde o início do século, a liderança isolada à 25.ª jornada resultou sempre no FC Porto campeão. Vantagem de 4 pontos sobre o Sporting não é a mais larga... mas também já houve mais curtas. Farioli combate fantasma do Ajax

A jornada 25 da Liga prometia mexer com a corrida pelo título nacional, mas, feitas as contas, ficou tudo na mesma. Os adeptos puderam encher a barriga com dois pratos do melhor que o futebol português tem para oferecer — o SC Braga-Sporting e o Benfica-FC Porto foram dois belíssimos jogos —, contudo, o impacto pontual acabou por ser... nulo. Os três da frente mantiveram as distâncias com que iniciaram a ronda e nem a luta pelo quarto lugar mexeu, uma vez que o Gil Vicente também empatou.

A equipa orientada por Francesco Farioli segue, portanto, no topo da tabela classificativa, com quatro pontos de vantagem sobre o rival verde e branco. Ao intervalo do clássico na Luz, com dois golos de vantagem sobre as águias, o universo portista já esfregava as mãos perante o vislumbre de um possível xeque-mate no campeonato, mas a segunda parte não correu de feição aos dragões, que consentiram o 2-2 ao minuto 88. Ainda assim, a faca e o queijo continuam do lado do FC Porto, a única equipa que depende de si própria para deitar as mãos ao tão desejado título. E o histórico também está do lado de Farioli e companhia.

A BOLA recuou até ao início do século XXI e concluiu que, desde 2000/01, os azuis e brancos foram sempre campeões nas épocas em que eram líderes isolados à 25.ª jornada. Aconteceu em 10 ocasiões — 2002/03, 2003/04, 2005/06, 2006/07, 2007/08, 2008/09, 2010/11, 2011/12, 2017/18 e 2021/22 —, sendo que, em duas delas (campeonato com 30 rondas), os dragões até fecharam matematicamente a contenda nessa mesma ronda: em 2007/08 e em 2010/11, com a festa a fazer-se em plena Luz, era André Villas-Boas o treinador.

No que concerne à vantagem pontual sobre o perseguidor direto, a atual diferença (mais 4 pontos) está longe de ser a maior com 25 jogos disputados. O máximo deste século remonta a 2007/08 (mais 18 do que o Benfica), com Jesualdo Ferreira ao leme, mas o agora presidente (mais 16, também sobre as águias) e José Mourinho, em 2002/03 (mais 13 em relação ao... Benfica) andaram lá perto. Por outro lado, em 2005/06 (+2) e em 2011/12 (+1) a vantagem era menor, mas nem aí o FC Porto cedeu. A título de curiosidade, os portistas fecharam a 25.ª jornada de 2018/19 e de 2019/20 na liderança partilhada com o Benfica; no primeiro caso ficaram em segundo, no segundo levantaram o troféu. E, recuando a 2012/13, os dragões até partiram para a 26.ª ronda quatro pontos atrás do rival encarnado... mas acabaram por ser campeões.

Farioli não pretende, claro, ser a exceção à regra e os pergaminhos do passado recente do clube até podem servir de inspiração — e, em simultâneo, dar algum conforto — para o que ainda falta jogar na Liga. Há ainda 27 pontos em disputa e o FC Porto já não tem mais clássicos. Teoricamente, o desafio mais complicado das últimas nove jornada terá lugar dentro de duas semanas, no reduto do SC Braga, mas a receção ao Famalicão (28.ª), assim como as deslocações ao Estoril (29.ª) e à Amadora (31.ª), também despertam aconselhável dose de cautela.

O saldo azul e branco na segunda volta da presente edição do campeonato traduz-se em cinco vitórias, dois empates e uma derrota, o que significa que a formação orientada por Farioli já deixou fugir mais pontos (7) do que em toda a primeira volta (2), onde concedeu apenas um empate. Em termos de golos, também já sofreu mais — seis nos últimos oito jogos, contra quatro nos primeiros 17. Também é verdade que o técnico italiano já tinha avisado: «É impossível replicar a primeira volta, o que diz muito sobre o que fizemos.» Olhando para a tradição, porém, Farioli pode estar a caminho de enterrar de vez o fantasma do Ajax...