Teste positivo de doping de estrela da NFL era, afinal, um cancro
O que aparentava ser a pior notícia da carreira desportiva de Alex Singleton acabou por se transformar no alerta que lhe salvou... a vida. O jogador dos Denver Broncos, de 32 anos, revelou que um controlo antidoping positivo para a hormona hCG foi, na verdade, o sintoma que levou à descoberta precoce de um cancro nos testículos.
O episódio remonta a uma quarta-feira, 29 de outubro de 2025. Ao chegar ao balneário para treinar, o jogador deparou-se com uma carta a notificá-lo de uma suspensão de seis jogos, devido à presença da referida substância proibida. «Só pensei: 'Que raio?!' O coração caiu-me», recordou o atleta, ao canal canadiano TSN.
Convicto da inocência, Singleton pesquisou sobre a substância e descobriu que níveis elevados de hCG podem constituir um indicador de cancro testicular. Embora Singleton se sentisse fisicamente bem e tivesse acabado de ser pai de uma menina, a esposa do atleta insistiu para que consultasse um especialista. «Numa sexta-feira a minha mulher disse-me: 'Porque não vais ao urologista na segunda-feira? Vamos primeiro ter a certeza de que não tens cancro. Depois, logo nos preocupamos com a suspensão'», relatou.
A consulta confirmou o cenário temido. O médico detetou uma anomalia física e informou que existia 95% de probabilidade de se tratar de um tumor, diagnóstico prontamente confirmado por ecografia. «Foi a primeira vez na minha vida que senti medo», confessou o atleta, acrescentando ter dito à esposa: «Agora temos uma explicação.»
Com cirurgia agendada para a sexta-feira seguinte, Alex Singleton ainda solicitou autorização médica para alinhar frente aos Las Vegas Raiders. «Perguntei se podia jogar. Talvez fosse a última vez em que podia jogar futebol americano», contou. Com a realização de uma TAC, que comprovou que o tumor não se tinha espalhado, os médicos deram luz verde. Singleton disputou as 60 jogadas na vitória por 10-7 dos Broncos, contabilizou nove placagens e praticamente nenhum colega de equipa conhecia a sua situação clínica. Como a doença foi detetada numa fase inicial, o defesa não necessitou de quimioterapia nem de radioterapia.
Três dias após a intervenção cirúrgica, o defesa partilhou o sucedido com o plantel numa reunião emotiva e, de forma surpreendente, regressou aos relvados logo na semana seguinte, no encontro diante dos Washington Commanders.
Um ano volvido sobre o diagnóstico, o jogador assumiu a missão de alertar para a saúde masculina. Singleton lidera a tabela de estatísticas da NFL, com 87 placagens, e está a doar uma quantia por cada desarme efetuado a uma fundação de luta contra o cancro.
«Sinto uma enorme responsabilidade. Se a minha história salvar a vida de uma única pessoa, se apenas uma pessoa for ao médico e isso lhe salvar a vida, isso significa tudo para mim», sublinhou, deixando um apelo à prevenção: «É apenas mais uma forma de usar a minha plataforma e mostrar que não há problema em falar sobre isto, é importante fazer exames e isto diz respeito a todos nós. Conheçam o vosso corpo e façam um check-up uma vez por ano, para que possam estar presentes durante o máximo de tempo possível para as pessoas que amam.»