Subida no 'ranking' foi mérito dos clubes de uma liga cogumelo
Portugal recuperou o sexto lugar do ranking UEFA e isso é uma boa notícia. Tal como é hábito nestas situações, as palavras de regozijo do presidente da Federação, Pedro Proença, e da Liga Portugal, Reinaldo Teixeira, foram imediatas, ainda que em boa verdade esta tenha sido uma conquista dos mesmos de sempre: os três grandes e o SC Braga, representantes habituais do futebol nacional na Europa.
Há uns tempos, um criador de conteúdos nas redes sociais (creio que alemão) imaginou o que seria uma liga ibérica, não tendo dúvidas em selecionar este quarteto num campeonato de 18 clubes, respeitando mais ou menos a proporção dos dois países (14 para os espanhóis, 4 para portugueses), considerando que esta seria uma liga que competiria com a inglesa como a melhor do Velho Continente.
Trago este exemplo para ilustrar como a opinião pública internacional, e em especial aquela que se move no espaço digital, vê o futebol português. Raramente analisa-o como um todo, apenas de forma segmentada. Benfica e FC Porto com muita projeção, Sporting a fazer o seu caminho consolidado (ainda falta sair de 'Lisboa'), SC Braga com um trajeto consolidado. Quanto ao resto, é um profundo desconhecimento.
Alguns dirão que pouco ou nada se poderá fazer. Que o tecido social em Portugal é desigual e centralizado e o campeonato está fadado a ter o aspeto de um cogumelo, com uma diferença grande do píleo (o chapéu) para a parte mais fina em baixo.
Os últimos sinais também não fazem adivinhar nada de novo. O chumbo no mês passado da distribuição do mecanismo de solidariedade pelos emblemas da Liga 2 foi apenas uma demonstração de uma cultura de décadas, algo que nos Países Baixos, por exemplo, já existe há vários anos.
Mas há outro dado que também vale a pena refletir. Portugal é o sexto do ranking UEFA, é o 6.º nos últimos 20 anos em presenças nos quartos de final da Champions (nove, apenas menos duas que a França) e muito à frente do 7.º, Países Baixos (só duas). Mas ao nível de assistências ocupa um modesto 8.º lugar, com 12.300 pessoas por jogo (já inclui partidas dos três grandes), atrás dos 20.000 da Eredivisie (6.º lugar).
Portugal possui assumidamente melhores jogadores e treinadores, mas falta uma identidade coletiva que observo noutros países que lutam pelo mesmo espaço. Ainda muitos se recordam de um famoso vídeo produzido pela Eredivisie em 2023 usando Boulahrouz como protagonista quando os neerlandeses roubaram o sexto lugar à liga portuguesa. Por cá não houve qualquer resposta, à exceção das declarações institucionais. Pode parecer algo sem importância, mas não é: a força das marcas também se vê nestes detalhes.
ELEVADOR DA BOLA
A subir
Rui Borges, treinador do Sporting
A reviravolta frente ao Bodo/Glimt vai colocá-lo nos livros de história do Sporting. A gestão do grupo, o estudo do adversário e a comunicação foi um tratado. O Arsenal é favorito nos quartos de final, mas não são favas contadas. Garantidamente.
Estagnado
Rui Costa, presidente do Benfica
Pode ter razão material nos reparos que fez na Gala Cosme Damião, mas um momento como este exige outra solenidade que não o tradicional rol de queixinhas. Apouca a figura do presidente e do clube.
A descer
Sérgio Conceição, treinador do Al Ittihad
Foi para a Arábia Saudita, agarrou no clube campeão, mas os resultados não são famosos: apenas 17 vitórias em 32 jogos, está fora da luta pelo título e foi afastado da Taça do Rei nas meias-finais. Não tem sido feliz nos seus projetos desde que saiu do FC Porto.