Foi desta forma que Luis Suárez inaugurou o marcador (Foto IMAGO) - Foto: IMAGO

Suárez foi o ilusionista principal de noite mágica (as notas do Sporting)

Colombiano, com dois golos, cravou na memória leonina uma data que fica para a história: 20 de janeiro de 2026. Geny Catamo com imensa corda e numa caixinha de música bem afinada e Alisson impactante
O melhor em campo: Luis Suárez (9)
Está definitivamente ultrapassada a orfandade que o leão poderia sentir após a saída de Gyokeres. Dois golos ao campeão europeu em título e consequente vitória da equipa é fator para guardar nos imemoriais da história leonina e na pessoal. E dois remates certeiros plenos de oportunidade e de frieza, sendo ele o ilusionista principal duma noite mágica em Alvalade: 20 de outubro de 2026. Mas não se ficou por aqui o colombiano, pois demonstrou uma enormíssima capacidade de sofrimento. No primeiro tempo desceu muitas a zonas mais recuadas para ser pivot ofensivo e é dele um passe magistral para Geny (36'). Já na compensação, não se importou de ver amarelo para travar a progressão de Kvaratskhelia. O passe do 'cafetero' foi caro, no entanto, nunca se viu alguém comprar um Ferrari com trocos...

Rui Silva (7) — Há noites em que até se consegue travar um vendaval com as mãos, como aconteceu com o maiato. E foi com as mãos mas também com o pé, como aconteceu naquela parada em que impediu que Dembélé ficasse com a baliza escancarada.  O PSG carregou muito, mas o keeper já sabia o que o esperava. Fantástica a defesa ao remate de Dembélé (61’). No golo dos franceses, só se tivesse asas chegaria à bola…

Fresneda (6) — Voltou à direita da defesa e teve pela frente o abre-latas Barcola. Na primeira parte o francês ainda conseguiu fugir pelo flanco mas no segundo tempo o espanhol trancou-lhe a porta. E a sete chaves…

Gonçalo Inácio (6) — Algumas dificuldades em travar os avançados contrários quando estes impuseram mais a componente física, mas com o andar do relógio foi acertando o compasso. Na saída de bola, viu que tinha muito a ganhar quando esticasse o jogo. Foi o que fez, com sucesso.

Matheus Reis (7) — Tem 30 anos? Está em final de contrato e não vai renovar? Não parece. Grande jogo do luso-brasileiro, com cortes absolutamente magistrais e ainda com fôlego para se incorporar no ataque, ele que até costuma ser comedido nesse aspeto. Foi um dos que segurou a varinha mágica para Suárez fazer aquelas duas mágicas…

Ricardo Mangas (5) — Toda a gente está de acordo sobre a qualidade dos extremos/avançados do PSG, pelo que não se antevia tarefa fácil para o algarvio. No entanto, cometeu alguns erros que pouco tiveram a ver com os adversários como na hora de cortar a bola. O último lapso, quando falhou a interceção dum passe longe, permitindo que Dembélé ficasse com o esférico, fizesse falta e visse o amarelo, foi-lhe fatal, sendo substituído pouco depois…

Morita (6) — O japonês demorou muito em entender as movimentações do PSG. Viu-se muitas vezes envolvido no carrossel parisiense, caiu algumas vezes, mas levantou-se sempre e nunca se aleijou.

João Simões (7) — Será que tem apenas e só dois pulmões como todos os seres humanos? Deu a sensação de ter quatro, pelo que correu. Andou sempre num virote numa das primeiras linhas de pressão à saída de bola do campeão europeu e deu muitas vezes dimensão ofensiva a uma equipa que, por força das circunstâncias esteve muitas vezes encolhida.

Geny Catamo  (8) — Chegou da CAN cheio de corda e voltou a apresentar um futebol de caixinha de  música, sendo o principal desequilibrador do lado verde e branco. Começou com uma sensação de golo (14’) e prosseguiu com inúmeros raides pela direita a causar o pânico no gigante, que se ia vergando à capacidade do moçambicano. Antes do primeiro golo, é dele o remate que toca em Vagiannidis e sobra para Suárez. O papel principal foi do colombiano, mas o camisola 10 ficou com o Óscar de melhor ator secundário.

Trincão (6) — No primeiro tempo enredou-se em demasia em voltas, voltinhas e meias voltas inconsequentes, mas parece ter sido insuflado por um balão de lucidez ao intervalo. Depois disso, ainda se perdeu algumas vezes, mas é dele a primeira jogada de verdadeiro perigo, quando colocou um bombom à mercê de Suárez, mas o colombiano não o conseguiu engolir e inaugurar o marcador. No segundo golo, é dele a bomba que explodiu nas mãos de Chevalier para, depois, Suárez selar o resultado.

Maxi Araújo (7) — Quando atuou na posição favorita mostrou-se muito pouco. Porém, quando recuou para lateral esquerdo a exibição subiu muitos patamares. Um verdadeiro leão em toda a dimensão da palavra.

Vagiannidis (6)  — O toque subtil para deixar Suárez na cara do golo foi fantástico, mas se é inegável que o remate de Kvaratskhelia é fantástico, também não se pode negar que o grego deu demasiado espaço ao georgiano.

Daniel Bragança (6) — Não foi tão feliz como diante do Casa Pia mas entrou no melhor período do Sporting.

Alisson (8) — O brasileiro gosta mesmo de jogos de Champions. Quando parecia ter entrado só para dar descanso a um Geny Catamo rebentado, negou o que parecia uma evidência. Teve impacto importantíssimo. Primeiro pegou na bola, enrolou toda a gente e disse ao PSG que o resultado não estava feito. E depois provou-o, participando no lance do segundo golo dos de Alvalade.

Kochorashvili (—) — Entrou para participar na festa. E já não foi nada mau…