Sporting: Rui Borges vive 'déjà vu' com nova onda de lesões
Ano novo, vida nova, um popular adágio que não se aplica a todos. A entrada em 2026 está a ser amarga para o Sporting, não só em termos de resultados — empate com o Gil Vicente na 17.ª jornada da Liga (1-1) e derrota com o V. Guimarães (1-2) na meia-final da Allianz Cup —, mas também no que a baixas diz respeito. Um déjà vu para Rui Borges, que viveu período idêntico no início do ano passado.
Na preparação do encontro com os vimaranenses, eram dez os problemas no plantel: cinco lesionados (Quenda, Debast, Blopa, Ricardo Mangas e Pedro Gonçalves), dois a ganhar condição física (Daniel Bragança e Nuno Santos), dois na CAN (Diomande e Catamo) e um castigado (Gonçalo Inácio). Depois do encontro, realizado no Estádio Municipal Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, o Unidade de Performance recebeu mais dois clientes.
Fotis Ioannidis sofreu um desconforto num joelho, ainda aguentou alguns minutos mas aos 22' deixou-se cair no chão, sendo inevitável a substituição — nada de grave porém, saiu por precaução e pode até não falhar o jogo com o casa Pia no dia 16.
Depois, já na segunda parte, mais concretamente aos 62', num choque de cabeças com Samu, Eduardo Quaresma caiu no chão, agarrado à face do lado esquerdo, abandonou o relvado de maca e, desde então, está internado no Hospital de Santo André, em Leiria, onde, sempre acompanhado por elemento do Sporting, foi ontem à noite submetido a intervenção cirúrgica ao osso zigomático, tendo pela frente paragem de no máximo três semanas.
Duas lesões musculares
As reações ao panorama clínico do plantel têm sido muitas, com a Unidade de Performance no centro das atenções. Contudo, as lesões musculares são apenas duas, os restantes episódios, como Rui Borges já fez questão de sublinhar, não são controláveis.
Ricardo Mangas e Pedro Gonçalves são os jogadores com problemas musculares — Blopa, que pertence à equipa B também se ressentiu muscularmente numa sessão de trabalho da formação profissional para a qual foi chamado por Rui Borges —, enquanto no lote de lesões traumáticas estão Quenda, Ioannidis, Nuno Santos, Eduardo Quaresma, Debast e Daniel Bragança, que após 11 meses de ausência já esteve no banco de suplentes, em Leiria, depois de ter cumprido 28' pela equipa B.
«É caso de estudo»
Em jeito de desabafo, no final do jogo, confrontado com nova onda de lesões, Rui Borges desabafou: «Triste, o Sporting parece um caso de estudo. Saímos com mais duas lesões [Eduardo Quaresma e Ioannidis], tem-nos acontecido tudo.»
Um verdadeiro déjà vu para o treinador que, em período similar no ano passado chegou a ter 11 jogadores no estaleiro. Aliás, diga-se que desde que assumiu o cargo, a 26 de dezembro de 2024, nunca teve todos os jogadores disponíveis — Nuno Santos ainda não foi utilizado na era do treinador de Mirandela —, o que tem levado vários jovens da equipa B a saltar patamar para trabalharem com a equipa A, como Salvador Blopa, Flávio Gonçalves, Chris Grombahi, João Muniz, Rayan Lucas, Rômulo Júnior.
Até Luís Guilherme já se estreou, dois dias após ter sido oficializado como reforço de inverno e com apenas um treino com os novos companheiros.
A equipa parece estar no redline, Rui Borges já falou em «cansaço acumulado e falta de energia», sendo certo que, terminada a primeira volta, o Sporting está a sete pontos de distância do líder FC Porto e já falhou a possibilidade de conquistar dois troféus, nomeadamente a Supertaça (para o Benfica) e a Allianz Cup (afastado pelo V. Guimarães na meia-final).