Geny Catamo tornou-se num dos intocáveis de Rui Borges e vive o melhor período da carreira - Foto: IMAGO
Geny Catamo tornou-se num dos intocáveis de Rui Borges e vive o melhor período da carreira - Foto: IMAGO

Sporting: há uma explicação para a 'transformação' do letal Geny Catamo

Moçambicano soma já 11 participações para golo em 29 jogos. Golo ao Moreirense, naquele que foi um dos momentos da temporada para o extremo, é consequência do crescimento, trabalho específico e... confiança. Rui Borges pediu-lhe para arriscar mais e os resultados estão à vista. Mas há ainda outros pontos que o colocaram no lote de intocáveis do onze

O Sporting encontrou em 2025/2026 a versão mais decisiva de Geny Catamo. O golo em Moreira de Cónegos, em mais um daqueles momentos que ficam gravados nos highlights de um jogador, resume crescimento, confiança e, sobretudo, trabalho específico: um remate seco, fora da área, a selar mais uma excelente exibição do extremo leonino.

Geny Catamo atravessa o melhor período da carreira - Foto: IMAGO

Um golo sublime que não surgiu por acaso. Surge, ao que foi possível apurar, como consequência direta da nova ideia implementada por Rui Borges. O técnico tem procurado tornar Geny mais incisivo no ataque às zonas de finalização, oferecendo-lhe algo tão simples quanto determinante: confiança. Confiança para arriscar, para decidir e, sobretudo, para tentar rematar de meia e longa distância.

Esse trabalho específico tem sido visível. Maior liberdade para o extremo definir e assumir o momento. Com objetivo claro: potenciar números e ter impacto. E os dados avaliados a esta fase da época já confirmam a tendência — Catamo prepara-se para cilindrar os registos da temporada passada.

Nova versão mais perigosa

Em apenas 29 jogos disputados esta época, o internacional moçambicano já superou os números que somou em 48 partidas na anterior. Se em 2024/2025 fechou com 10 participações para golo, agora já soma 11 — distribuídas por 7 golos e 4 assistências.

Mais do que estatística, há influência real no jogo. Catamo tornou-se uma das peças que mais sobressaem na nova matriz leonina. Habituado a atuar num sistema de três centrais, na era Ruben Amorim, ocupando toda a faixa direita como ala, passou agora a desfrutar de maior liberdade ofensiva. Pelo corredor direito, mas a percorrer, sempre que possível, terrenos interiores com diagonais curtas, a procurar zonas de remate para poder decidir no último terço com maior maturidade.

É aí, nesse momento de decisão, que a nova versão de Geny Catamo se torna especialmente perigosa: velocidade para acelerar transições, imprevisibilidade para desmontar blocos baixos e frieza para escolher entre assistir ou alvejar a baliza.

Como se tornou intocável

As qualidades de Catamo não se esgotam no ataque. Se nesta área, o extremo oferece desequilíbrio, no capítulo defensivo mantém-se abnegado. Intenso na pressão, agressivo na recuperação e disciplinado na organização. Acabando por funcionar, muitas vezes, como mais um lateral na linha defensiva para garantir superioridade numérica e fechar espaços junto à baliza de Rui Silva, contribuindo para o equilíbrio coletivo.

E é por esta disponibilidade, sobretudo pelo trabalho sem bola, que se torna ainda mais valioso na estratégia de Rui Borges. Pois consegue decidir jogos e sustenta um modelo sólido e equilibrado.

Em Moreira de Cónegos, o remate de Geny ficará na memória. Mas, mais do que o golo, ficou a confirmação de que o moçambicano atravessa a fase mais madura, mais eficaz e exuberante da afirmação na carreira. E se a tendência se mantiver... o final de época será agitado em Alvalade, pois o extremo é, por esta altura, uma das peças mais cobiçadas deste leão e muitos clubes já se posicionam para tentar levar o extremo de Alvalade.

Míssil a confirmar tendência

O remate certeiro de Geny Catamo diante do Moreirense marcou um dado curioso no contexto coletivo dos leões: tratou-se do 11.º golo do Sporting esta época em remates de fora da área. Neste capítulo, Pedro Gonçalves lidera com quatro tentos, Francisco Trincão soma três, Geny Catamo surge agora com dois (o outro ocorreu na goleada por 6-0, em Alvalade, diante do Aves SAD), enquanto Alisson Santos (que entretanto já deixou os leões) e Suárez fecham a lista com um cada.

Mais do que um número, esta nova arma de Geny Catamo simboliza também a sua transformação. O extremo já não hesita. Enquadra, prepara e dispara. Sem receios. A liberdade concedida por Rui Borges traduz-se numa maior propensão para assumir o risco — agora recompensado, pois tornou-se num dos elementos mais desequilibradores do plantel.

Uma influência que, curiosamente, se fez sentir com maior força após a lesão de Geovany Quenda que era a sua principal ameaça na luta por um lugar no corredor direito. Com a lesão do jovem — que está na fase final da recuperação a uma fratura no quinto metatarso do pé direito em Londres, no Chelsea — o moçambicano voou mais alto do que nunca.

Um momento fulgurante potenciado pelo treinador que, de resto, já passou ao jogador a importância do rendimento em números (golos/assistências) para um extremo de clube grande. Não só em termos coletivos mas de valorização externa. E Catamo já trabalha para chegar aos dois dígitos em golos e assistências...