Sporting: questão central de leão
Disputados quatro jogos oficiais, Rui Borges já utilizou três duplas de centrais: Quaresma e Gonçalo Inácio nos dois primeiros encontros; Debast e Ibrahima Ba diante do Alverca; e o belga ao lado de Gonçalo Inácio frente ao Rio Ave.
Aqui chegados, e porque estão todos disponíveis depois de Debast e Ba não estarem no ideal da condição física nas duas primeiras jornadas, fica a questão: qual o duo preferencial para o onze base? Ora, segundo A BOLA apurou, esta questão — como boa pergunta que é — terá sempre um ponto de interrogação à frente, pois estará dependente do perfil do adversário.
De facto, pelos dados compilados, numa fatia considerável dos encontros de 2026/27 nos quais a equipa verde e branca terá de assumir mais a iniciativa de jogo, os chamados à liça serão Debast e Gonçalo Inácio. Rui Borges aposta forte na capacidade de construção deste duo, ambos dotados no passe longo a explorar as costas das defesas adversárias ou, em alternativa, a descobrir espaços para as movimentações mais curtas dos homens da frente, descobrindo nesgas de terreno.
Isto um pouco à imagem e semelhança do que aconteceu em Vila do Conde, quando Sotiris Sylaidopoulos colocou quatro futebolistas de vertigem ofensiva com pouca capacidade de recuperação na transição ataque-defesa e expôs a equipa à criação leonina.
Quanto a Ba, contratado ao Famalicão por expressivos 21,25 milhões de euros, o senegalês também terá muitas oportunidades, nomeadamente nas partidas frente a oponentes que exijam maior contundência, propensão para os duelos aéreos e fisicalidade nas abordagens.
Quaresma também é nome a ter em muita conta, pois demonstra uma qualidade no transporte de bola como nenhum dos outros três e é o mais rápido do quarteto, revelando-se o perfil ideal para defrontar conjuntos que explorem mais a profundidade. Além disso, pode jogar como falso lateral-direito, fechando mais este corredor e permitindo maior liberdade de ação a Fresneda.
No entanto, como para qualquer treinador, o objetivo de Rui Borges é que cada um destes futebolistas vá acrescentando qualidades ao seu portfólio, de modo a desenvolverem capacidades individuais que, por consequência, melhorarão a equipa na globalidade. É como na aritmética, em que o resultado final é sempre maior consoante a soma das partes.
O sistema tático de 4x2x3x1 em vigor desde a época passada permite uma rotatividade considerável. Mas sem abusos…
Felicíssimo ultrapassou Bruno Ramos
«A sorte de uns é o azar de outros». O ditado popular já se perde nos confins do tempo e aplica-se na perfeição ao tema do quinto central da equipa principal, vaga reservada a um jogador que terá sempre uma ligação especial aos bês. Bruno Ramos partiu um pouco à frente de Eduardo Felicíssimo na hierarquia da posição, até porque a SAD ativou junto do Académico de Viseu a cláusula de compra definitiva do brasileiro, com ambos a iniciarem a pré-época sob as ordens de Rui Borges. No entanto, o sul-americano voltou a sofrer uma lesão muscular e recolheu ao estaleiro no final da primeira semana de julho, de onde não mais saiu até ao momento.
Felicíssimo, que de origem é médio-defensivo, não terá esfregado as mãos de contente, mas meteu-as à obra e aproveitou a brecha para se impor na pré-época, acabando por ser chamado à ficha de jogo do plantel sénior, embora sem sair do banco. O brasileiro deverá recuperar dentro em breve, contudo o jovem montijense estará nesta altura à frente na corrida — tem ganhado rotina na posição em competição nos jogos da Liga 2 —, num duelo que nos próximos tempos verá entrar em cena Gueye, defesa senegalês muito alto (1, 95 metros), que já está em Portugal para reforçar o conjunto de Tiago Fernandes por empréstimo do Leganés.
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