Gonçalo Inácio empatou de cabeça (IMAGO)
Gonçalo Inácio empatou de cabeça (IMAGO)

Sporting está quase no ponto para a festa que aí vem (crónica)

É a pré-época, sim, é, mas o Sporting parece ter soluções para diversos tipos de jogo: Zalazar confirma-se como o grande desequilibrador, o trio de médios tem robustez física e técnica e, atenção, muita atenção, ao menino Rafael Nel...

Faltam apenas alguns dias para que tudo seja, por fim, a sério e, para já, o Sporting está quase no ponto. Muita mobilidade, transições sempre rápidas, conforto em vários momentos do jogo e, sobretudo, nenhum dos jogadores deixou de suar o que era preciso suar. Talvez falte apenas limar algumas arestas defensivas, pois, por algumas vezes, surgiram pequenos tremeliques junto a Rui Silva e João Virgínia.

Talvez a pré-época do Sporting necessitasse de algo assim: um susto. Após três triunfos quase sem mácula (4-1 ao Celtic, 7-0 ao Estrasburgo e 2-0 ao Mónaco), jogos em que raramente a força mental para lidar com adversidades foi posta à prova, eis que, logo ao minuto 2, um pequeno erro (passe muito à queima de Zalazar), seguido de outro pequeno erro (Altimira com dificuldade em lidar com a bola vinda de Zalazar), acabou com o Nottingham Forest a marcar, após Rui Silva desviar o remate de Chris Wood para a esquerda e Maxi Araújo não evitar a recarga de Igor Jesus.

FORTE REAÇÃO

O Sporting, porém, não acusou o toque. Pegou na bola, com três médios muito rotativos e móveis (Altimira, Silas Andersen e Doumbia) e Zalazar a mostrar-se o arquiteto da maioria das jogadas ofensivas, comprovando que o golo do campeão europeu de 1979 e 1980 não causara mossa.

Zalazar, logo aos 6’, teve um tiraço à entrada da área, que obrigou o guarda-redes Matz Sels a desviar, com dificuldade, pela linha de fundo. Logo de seguida, de bola parada, chegou o empate: canto na direita de Zalazar e Gonçalo Inácio a subir bem alto e a desviar de cabeça para o 1-1. Feito o empate, o leão ficou descansado, mas não descansou. Manteve a intensidade e a cooperação entre todos os jogadores, com (repete-se) o trio de médios a trocar imenso de posição, como se houvesse, dentro do Sporting de Rui Borges, uma pequenina amostra de futebol total.

Ao intervalo, como se esperava, o treinador leonino mexeu no onze: Rui Silva por João Virgínia, Vagiannidis por Fresneda e Gonçalo Inácio por Felicíssimo. E depois de 15 minutos, se tanto, em que o Nottingham pareceu ter energia suficiente para incomodar a defesa leonina, a alta rotação recomeçou.

Zalazar viu o que quase ninguém via: um buraquinho por onde meter a bola junto de Doumbia, perto da pequena área. O italiano fez uma receção perfeita, enganou o defesa que o marcava e, de novo de pé esquerdo, como frente ao Estrasburgo, marcou um golaço.

Pouco depois, aos 60', Rui Borges recomeçou a mexer: Ioannidis por Nel, Silas Andersen por Jesse Derry e Geny Catamo por Luís Guilherme. E menos de três minutos depois, como, aliás, algumas vezes o fez já nesta pré-temporada, Rafael Nel entrou e... marcou. Doumbia picou a bola por cima da defesa dos Tricky Trees e, de cabeça, o jovem número 9 fez um golo brilhante.

Mais mexidas a caminho dos 90' (Zalazar por Flávio Gonçalves, Doumbia por Pedro Lima e Maxi Araújo por Rodrigo Dias) e, aos 82', Flávio Gonçalves viu um buraco igual ao que Zalazar vira no golo de Doumbia e meteu a bola na frente de Rafael Nel. E o 9 leonino bisou, provando que há Luis Suárez e Fotis Ioannidis, mas há também Rafael Ferreira Nel, de 21 anos. Tal como o Sporting, Nel está quase no ponto para a festa que aí vem.

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