Soprar o balão da permanência para acabar noite em Blesa (crónica)
Após seis jogos (seguidos) a perder e um empate, o Rio Ave voltou, finalmente, a ser feliz no campeonato. Na realidade, a vitória por 1-0 diante o Tondela foi o quebrar de outros dois enguiços para a turma de Sotiris Silaidopoulos: marcou fora, pela primeira vez, em 2026 (ao fim de cinco partidas); e, dez deslocações depois, voltou a não sofrer.
Já o conjunto orientado por Cristiano Bacci, que estava há cinco jogos seguidos sem perder, provou novamente o sabor amargo da derrota e voltou ao penúltimo lugar, do qual tinha saído da última jornada.
Na primeira parte, o espetáculo, no Estádio João Cardoso, foi intenso, com duas equipas com muita vontade de marcar, várias oportunidades, esféricos nos ferros e um penálti falhado (já lá iremos). O clube da caravela foi melhor a criar perigo em lances corridos. Os beirões, por seu turno, estiveram mais fortes nas bolas paradas.
A pontaria canarinha esteve, especialmente, virada para os ferros. Aos 32', Diogo Bezerra, num grande cabeceamento, tirou tinta ao poste direito da baliza defendida por Bernardo Fontes. Cinco minutos depois, no lado contrário, foi Pedro Maranhão a cabecear uma bola que acabou por embater na trave. Por fim (já nos descontos da primeira parte), mas, desta vez, com o pé, foi o brasileiro do Rio Ave a desperdiçar uma grande penalidade, ao rematar contra o travessão.
Com 2-1 para os rioavistas, em bolas nos ferros, Joe Hodge, na etapa complementar, não se quis ficar a rir e acertou no poste que faltava ferir: o esquerdo. Foi na sequência de um lançamento lateral que o médio irlandês, após receber de peito, rematou (53') à meia-volta para aquele que parecia o 1-0 para os tondelenses.
Não faturaram os anfitriões... fizeram-no os forasteiros, ao minuto 70, por Blesa, com grande classe. Num lance em que não se fazia prever perigo para os auriverdes, Spikic, através de um passe delicioso com a parte exterior do pé, isolou o número 11, que rematou, de primeira, pelo lado esquerdo, para dentro da baliza, sem qualquer hipótese para Bernardo Fontes.
Com este tento, o espanhol deu mesmo oxigénio à equipa nortenha na luta pela permanência. Ar (e pernas) faltou, sim, aos beirões, na segunda parte (menos animada do que a primeira). Fora o lance de Joe Hodge, os comandados de Cristiano Bacci revelaram-se muito incapazes de criar perigo.
As notas dos jogadores do Rio Ave (4x2x3x1): Van der Gouw (5); Vrousai (6), Brabec (6), Gustavo Mancha (5) e Nelson Abbey (5); Nikitscher (6) e Ntoi (5); Diogo Bezerra (5), Olinho (6) e Spikic (6); Blesa (7); Ryan Guilherme (5), João Tomé (5), Tamble Monteiro (5), Petrasso (-) e Leonardo Buta (-)
As notas dos jogadores do Tondela (5x4x1): Bernardo Fontes (5); Bebeto (5), João Silva (4), Christian Marques (5), Brayan Medina (5) e Rodrigo Conceição (5); Pedro Maranhão (6), Juan Rodríguez (5), Joe Hodge (6) e Aiko (5); Benjamin Kimpioka (4); Yaya Sithole (5), Hélder Tavares (5), Jordan (5), Tiago Manso (4) e Moudjatovic (4)
Cristiano Bacci, treinador do Tondela
Não jogámos como nos últimos jogos. Faltou-nos energia. Temos tido alguns problemas de gestão de jogadores. Não é desculpa, é um facto. Faltam nove finais. Temos de estar confiantes. Não foi o nosso melhor jogo, mas tivemos ocasiões para marcar. Falta aproveitar melhor.
Sotiris Silaidopoulos, treinador do Rio Ave
Foi uma vitória muito importante, merecemos, num campo difícil. Foi a confirmação das boas exibições que temos tido. Vai dar-nos confiança. Tivemos muitas mudanças a meio da temporada, vieram muitos jogadores e estão a adaptar-se muito bem e a dar-nos coisas boas.