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Jiménez: a emoção de quem espreitou a morte antes de marcar no Mundial 2026
Em 2020, um choque de cabeças quase lhe custou a vida. «É um milagre estar aqui convosco», afirmou Raúl Jiménez ao recordar o acidente que sofreu ao serviço do Wolverhampton, num jogo contra o Arsenal, a 29 de novembro de 2020, ao chocar com a cabeça de outro ex-Benfica, David Luiz. O facto de não só ter sobrevivido, mas também de ter regressado ao futebol de mais alto nível e de, aos 35 anos, se estrear a marcar num Mundial em sua casa, e logo no Estádio Azteca, só pode ser considerado um milagre.
O som desse impacto, descrito pelos jogadores que o ouviram, foi aterrador e amplificado pelo estádio vazio, devido às restrições da Covid-19, deixando uma marca indelével em quem o presenciou. «Há coisas que conseguimos apagar da memória, mas este momento ficará para sempre», recordou Nuno Espírito Santo, treinador do Wolves na altura, no documentário Code Red.
«O osso empurrava o meu cérebro para dentro»
Conor Coady, então jogador do Wolverhampton, que colocou Jiménez de lado nos primeiros instantes após o embate, descreveu a cena: «Os olhos dele estavam fechados e tinha um pouco de sangue a escorrer do nariz. Vi que estava mal e inconsciente».
Jiménez foi transportado de urgência para o St. Mary’s Hospital, em Londres, onde foi submetido a uma cirurgia de emergência para aliviar a pressão no cérebro. «A fratura do crânio... o osso partiu-se e houve uma pequena hemorragia no cérebro», explicou o avançado. «Estava a empurrar o meu cérebro para dentro e por isso é que a cirurgia tinha de ser rápida».
«Era como se fosse o melhor jogador do mundo»
O regresso aos relvados teve de ser prudente. Começou por treinar sozinho e depois em pequenos jogos, sem qualquer contacto físico e com a proibição de entrar na grande área. «Era como se eu fosse o melhor jogador do mundo, conseguia driblar toda a gente e ninguém me apanhava», brincou mais tarde. Seis meses após o acidente e de treinar cabeceamentos com bolas de espuma, Jiménez voltou aos treinos completos.
🗓️ On this day four years ago, Raul Jimenez scored his first goal since returning from his skull fracture with this brilliant solo effort at Southampton#Wolves | #WWFC pic.twitter.com/cY9jPr0TjT
— Wolves On This Day (@WolvesOnThisDay) September 26, 2025
O regresso aos golos foi um momento de pura emoção. Ao seu sexto jogo após o regresso, no início da época 2021/22, marcou o golo da vitória do Wolves contra o Southampton, num lance individual que culminou com uma celebração efusiva.
Sonho Mundial
Com presenças nos Mundiais de 2014, 2018 e 2022, Jiménez nunca conseguiu marcar no maior palco de todos. Mas após a última época no Fulham e o regresso já confirmado ao Wolverhampton, não perdeu a oportunidade para, de cabeça, marcar à África do Sul na estreia do Mundial 2026.
Raúl Jiménez dobra a vantagem mexicana 🫡#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #México #ÁfricadoSul #betano pic.twitter.com/Qq81YopbXs
— sport tv (@sporttvportugal) June 11, 2026
Além de toda a carga emocional que marca a sua história, Jiménez quis dedicar este golo ao pai, que morreu recentemente, em maio: apontou para o céu, enquanto era engolido pelos colegas mexicanos.
Por fim, importa recordar outra declaração do avançado, refletindo sobre o que mudou na sua vida após o grave acidente: «Ajudou-me a parar e a pensar em coisas nas quais nunca tinhas pensado antes. E talvez — embora eu o faça sempre — a desfrutar mais do que faço. Viver a vida no momento a 100%».