Raúl Jiménez marca pelo México (IMAGO)
Raúl Jiménez marca pelo México (IMAGO)

Jiménez: a emoção de quem espreitou a morte antes de marcar no Mundial 2026

Antigo avançado do Benfica estreou-se a marcar num Campeonato do Mundo aos 35 anos

Em 2020, um choque de cabeças quase lhe custou a vida. «É um milagre estar aqui convosco», afirmou Raúl Jiménez ao recordar o acidente que sofreu ao serviço do Wolverhampton, num jogo contra o Arsenal, a 29 de novembro de 2020, ao chocar com a cabeça de outro ex-Benfica, David Luiz. O facto de não só ter sobrevivido, mas também de ter regressado ao futebol de mais alto nível e de, aos 35 anos, se estrear a marcar num Mundial em sua casa, e logo no Estádio Azteca, só pode ser considerado um milagre.

O som desse impacto, descrito pelos jogadores que o ouviram, foi aterrador e amplificado pelo estádio vazio, devido às restrições da Covid-19, deixando uma marca indelével em quem o presenciou. «Há coisas que conseguimos apagar da memória, mas este momento ficará para sempre», recordou Nuno Espírito Santo, treinador do Wolves na altura, no documentário Code Red.

«O osso empurrava o meu cérebro para dentro»

Conor Coady, então jogador do Wolverhampton, que colocou Jiménez de lado nos primeiros instantes após o embate, descreveu a cena: «Os olhos dele estavam fechados e tinha um pouco de sangue a escorrer do nariz. Vi que estava mal e inconsciente».

Conor Coady apercebe-se da gravidade do acidente sofrido por Jiménez (IMAGO)

Jiménez foi transportado de urgência para o St. Mary’s Hospital, em Londres, onde foi submetido a uma cirurgia de emergência para aliviar a pressão no cérebro. «A fratura do crânio... o osso partiu-se e houve uma pequena hemorragia no cérebro», explicou o avançado. «Estava a empurrar o meu cérebro para dentro e por isso é que a cirurgia tinha de ser rápida».

«Era como se fosse o melhor jogador do mundo»

O regresso aos relvados teve de ser prudente. Começou por treinar sozinho e depois em pequenos jogos, sem qualquer contacto físico e com a proibição de entrar na grande área. «Era como se eu fosse o melhor jogador do mundo, conseguia driblar toda a gente e ninguém me apanhava», brincou mais tarde. Seis meses após o acidente e de treinar cabeceamentos com bolas de espuma, Jiménez voltou aos treinos completos.

O regresso aos golos foi um momento de pura emoção. Ao seu sexto jogo após o regresso, no início da época 2021/22, marcou o golo da vitória do Wolves contra o Southampton, num lance individual que culminou com uma celebração efusiva.

Sonho Mundial

Com presenças nos Mundiais de 2014, 2018 e 2022, Jiménez nunca conseguiu marcar no maior palco de todos. Mas após a última época no Fulham e o regresso já confirmado ao Wolverhampton, não perdeu a oportunidade para, de cabeça, marcar à África do Sul na estreia do Mundial 2026.

Além de toda a carga emocional que marca a sua história, Jiménez quis dedicar este golo ao pai, que morreu recentemente, em maio: apontou para o céu, enquanto era engolido pelos colegas mexicanos.

Por fim, importa recordar outra declaração do avançado, refletindo sobre o que mudou na sua vida após o grave acidente: «Ajudou-me a parar e a pensar em coisas nas quais nunca tinhas pensado antes. E talvez — embora eu o faça sempre — a desfrutar mais do que faço. Viver a vida no momento a 100%».

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