Momento em que Raul Jiménez fez o 2-0 para o México - Foto: IMAGO
Momento em que Raul Jiménez fez o 2-0 para o México - Foto: IMAGO

'Hat trick' de Mundiais e a vitória para a tricolor (crónica)

Azteca tornou-se o primeiro estádio a receber jogos de três campeonatos (1970, 1986 e 2026). Vitória justa do México frente a um adversário que somou muitos erros. Pesadelo para o médio do Tondela, Jiménez a voar mais alto

Foi a primeira vez que um estádio foi palco de três Mundiais. O Azteca preparava-se para entrar na história: 1970, 1986 e 2026. Ocasião de gala, uma cerimónia de abertura que não desiludiu e duas equipas que reeditavam o jogo de abertura do Mundial-2010, na África do Sul.

Não demorou muito tempo para o México mostrar que é melhor. Mais organizado, sereno e conhecedor das fragilidades dos sul-africanos. Uma delas, talvez das mais gritantes: a incapacidade de sair a jogar sob pressão alta, sem que os médios ou defesas conseguissem virar-se com a velocidade e destreza que se impõe em momentos tão delicados como este.

Se é para sair de trás para ganhar mais à frente, convém que seja bem feito, caso contrário é um suicídio. E assim foi: Sithole, médio do Tondela, recebeu o passe do guarda-redes Williams (que antes já efetuara excelente defesa a remate de pé esquerdo de Raul Jiménez), sentiu o adversário a respirar-lhe na nuca, falhou a receção e o resto foi... um convite à fome de Quiñones, o colombiano naturalizado mexicano: o melhor marcador do campeonato da Arábia Saudita disparou forte, de pé direito, fazendo passar a bola por entre as pernas do guarda-redes adversário.

O relógio marcava apenas 9 minutos e o rumo parecia traçado: os sul-africanos, alinhando com uma linha de cinco elementos na linha defensiva, nunca conseguiram desdobrar-se, sem um rasgo de criatividade, demasiado presos, incapazes de chegar à área mexicana; e a equipa da casa tranquila, gerindo os tempos de jogo e beneficiando dos muitos erros não forçados do adversário. Num deles, Quiñones finalizou com classe ao poste.

A pausa para hidratação não foi aproveitada para arejar a cabeça de quem estava a perder. O ritmo manteve-se lento, o que beneficiava os mexicanos, maduros o suficiente para não perderem os equilíbrios mesmo com a tentação de marcar de qualquer maneira num jogo que parecia demasiado fácil.

Ao intervalo, o 1-0 era lisonjeiro para a África do Sul, que abriu a segunda parte repetindo o erro do primeiro golo: bola do guarda-redes para o médio, apoios mal colocados, perda de bola que por pouco não deu em golo. Ao México bastava esperar e explorar desposicionamentos do adversário. Numa bola em profundidade nasceu a expulsão de Sithole aos 50', por derrube a Gutiérrez (um pesadelo para o médio do Tondela) e depois de 17 minutos de demasiadas facilidades, a ponto de provocar algum descontentamento dos adeptos pela ausência de mais um golo, lá apareceu o 2-0, num cabeceamento de Jiménez a grande passe de Alvarado.

A partir daí a África do Sul perdeu todas as noções de estratégia e entregou definitivamente o jogo com a expulsão de Zwane por agressão - gesto de quem estava de cabeça perdida. Para os mexicanos só não foi a vitória perfeita porque Cesar Montes também viu o vermelho ao derrubar Mudau, que se dirigia para a área.

Na conversão do livre referente à falta, os dois jogadores sul-africanos desentenderam-se, gerando uma posse de bola para o México. Um lance que espelha o desnorte de uma equipa que tem de mostrar muito mais se não quer fazer apenas turismo no continente americano. Quanto ao México, cumpriu o que se exigia. Sem brilhar, mas de forma segura.

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