Soltem os fogos! Marítimo está de regresso à Liga
Missão cumprida. Com distinção. O Marítimo está de regresso ao convívio com os grandes do futebol português. Três anos após uma fatídica descida - após 38 anos de longevidade no principal escalão do futebol português - a equipa insular selou este ansiado regresso a três jornadas do final do campeonato com um triunfo, sofrido, no Seixal, diante do Benfica B. Os maritimistas, com mais de mil adeptos no berço dos encarnados, apresentaram-se com fato de gala, dando ideia de uma verdadeira exibição de candidato ao título, assente na organização, maturidade e eficácia.
As (boas) intenções depressa tiveram efeitos práticos. O Marítimo, destemido, sem rédeas defensivas, tomou conta do jogo, saltando à vista as boas movimentações de Martin Tejón, Bouzaidi e Butzke, um trio ofensivo que foi ‘amarrando’ algumas das setas encarnadas nas alas como Banjaqui ou José Neto, sempre mais preocupados em fechar espaços do que em criar desequilíbrios. Os golos, nos primeiros 45 minutos, surgiram com naturalidade. Apesar da posse de bola ligeiramente superior para o Benfica, tudo espremido, poucas foram as vezes em que Samuel Silva foi incomodado. Ao contrário de Diogo Ferreira, guarda-redes encarnado, a principal figura na primeira metade. Só não conseguiu travar a bomba de Butzke, aos 16’, numa bola que sobrou para a área após um lançamento lateral de Igor Julião, e o penálti (uma panenkada carregada de estilo) de Simo em cima do intervalo.
Cheirava a festa. O mais difícil estava feito. Ou talvez não. Talvez impulsionados pela presença de José Mourinho na bancada, os jovens encarnados (com nomes de futuro já bem identificados como Gonçalo Oliveira, Banjaqui, João Rêgo, Prioste, Gonçalo Moreira, Anísio Cabral ou José Neto) entraram na etapa final com outra ambição. E eficácia. O infortúnio de Paulo Henrique, a marcar na própria baliza após livre de Prioste, e pouco depois a expulsão de Martin Tejón relançou o jogo. O Marítimo foi obrigado a sofrer. Recuou, recuou e a 15 minutos do final, novo golpe na ‘resistência’ insular após nova expulsão, desta vez a Igor Julião.
E a partir daqui, jogo de sentido único para os encarnados. Que tudo fizeram para, pelo menos, adiar a festa. O Marítimo, por sua vez, numa segunda parte de grande exigência física (e de resistência…), resistiu a quase tudo apesar das muitas ameaças encarnadas. Inteligentes na gestão do tempo, sempre equilibrados emocionalmente, caíram no relvado apenas após o apito final. O cansaço, esse, depressa ficou para trás, pois o dia era de festa. O Marítimo já reservou um lugar na Liga em 2026/2027.