Sismo na Venezuela (EPA/RONALD PENA R)
Sismo na Venezuela (EPA/RONALD PENA R)

Sismo na Venezuela: Governo revela que há cinco portugueses incontactáveis

Ministro Paulo Rangel antecipa «más notícias»

O Governo português confirmou que cinco cidadãos nacionais estão incontactáveis na Venezuela, após os fortes sismos que abalaram o país. A informação foi avançada esta quinta-feira pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, que admitiu a possibilidade de surgirem «algumas más notícias» nas próximas horas.

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Em entrevista à CNN Portugal, o governante detalhou que não está a ser possível contactar uma família de quatro pessoas na região de La Guaira, nem tão pouco uma mulher na zona de Caracas. «Nós sabemos já, à medida que vão avançando as horas, que haverá uma família de quatro pessoas em La Guaira que estará mesmo desaparecida e, portanto, poderá estar debaixo de escombros», revelou Paulo Rangel. Sobre a mulher desaparecida, o ministro esclareceu que «claramente já não é um problema apenas de comunicação», embora ainda não seja possível confirmar se está soterrada.

Apesar do cenário preocupante, o chefe da diplomacia portuguesa sublinhou que muitas das pessoas dadas como incontactáveis poderão estar apenas com dificuldades de comunicação devido ao colapso das redes de telecomunicações. «Os telefones e a internet estão em baixo em muitas zonas», explicou, acrescentando que estar incontactável «não significa que estejam numa situação de risco de vida».

Ainda assim, Paulo Rangel reconheceu a gravidade da situação, dado que na Venezuela vivem mais de meio milhão de portugueses e lusodescendentes. «Infelizmente, eu julgo que nós teremos algumas más notícias ao longo do tempo», afirmou, justificando que, com as projeções a apontarem para milhares de vítimas mortais, «a probabilidade de haver pessoas com ligação a Portugal é maior».

Em resposta à catástrofe, Portugal preparou uma missão de emergência com 53 operacionais para apoiar as buscas. A equipa é composta por elementos da GNR, da Proteção Civil, equipas cinotécnicas, dois médicos, dois enfermeiros e tripulantes de ambulância. «Isto é ajuda de emergência para salvamento», frisou o ministro.

A partida da missão aguardava a ativação do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, cuja confirmação chegou durante a própria entrevista, um passo que Paulo Rangel classificou como «um avanço muito importante». Contudo, não foi avançada uma data para a partida por razões logísticas. O governante admitiu ainda a possibilidade de enviar «segundas vagas de ajuda» com material médico e bens essenciais para os desalojados.

Questionado sobre um eventual repatriamento de portugueses, o ministro afirmou que essa hipótese «neste momento não está previsto», sendo a prioridade absoluta salvar vidas. Relativamente aos tripulantes da TAP que tiveram de abandonar o seu hotel, Paulo Rangel garantiu que estão todos em segurança, elogiando a companhia aérea por ter tomado «conta de toda a operação». A sua saída do país, no entanto, está condicionada pelo encerramento do espaço aéreo.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros continua a acompanhar a situação e apela aos familiares para que utilizem os contactos do gabinete de crise e dos consulados em Caracas e Valência, apesar das comunicações limitadas. «Toda a informação que tranquilize a comunidade portuguesa e os seus familiares é a nossa prioridade», concluiu o ministro.

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