Silas Andersen frente ao Shakhtar (IMAGO)
Silas Andersen frente ao Shakhtar (IMAGO)

Silas Andersen: maratonista a destruir e a construir (as notas do Sporting)

Dinamarquês foi determinante a defender nas fases mais delicadas do Sporting e foi importante e decisivo na construção de algumas jogadas atacantes. Rui Silva voltou a ser grande, tal como Maxi Araújo
Silas Andersen (8)

Cortou e criou, destruiu e construiu, parecendo jogar em pezinhos de lã, mas sempre com ares de maratonista que nunca se cansa. Correu mais de 12 quilómetros e raramente perdeu a noção de tempo e de espaço, afirmando-se como um batalhador incansável no miolo. Cruzou com precisão para a oportunidade de Maxi (9'), esteve na génese do golo com o passe para Suárez que antecedeu o remate certeiro de Doumbia (59’) e isolou o avançado colombiano com uma desmarcação soberba, embora o colega tenha atirado para as nuvens (69').

Rui Silva (8) — Passou por semanas difíceis, tendo aparentemente perdido a titularidade para Kaique, mas manteve a serenidade. Em Londres, respondeu com meia dúzia de defesas de elevado grau de dificuldade. Mostrou reflexos e frieza ao segurar o remate de Pedro Henrique (6') e ao travar a tentativa à queima-roupa de Kauã (54'), mas foi na reta final que teve de redobrar a atenção: deteve um disparo de meia-distância de Marlon (78'), reagiu a tempo de suster um livre direto traiçoeiro de Alisson (79') e saiu com autoridade dos postes para anular um cruzamento perigoso (81').

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Eduardo Quaresma (7) — Intenso e arrojado, sempre no limite. Esteve muito perto do golo aos 64', através de um excelente cabeceamento travado por uma grande intervenção de Riznyk, mas pregou um calafrio aos 73’, quando arriscou um desarme na grande área e ficou no limiar de cometer grande penalidade.

Eduardo Felicíssimo (7) — Se Paulo Fonseca quiser atuar daqui para a frente com três centrais, ganhou uma opção fortíssima. Felicíssimo é uma espécie de dois em um: médio que joga a central e central que joga a médio. Teve uma estreia europeia categórica, mostrando-se seguro, rápido e implacável a destruir o jogo ofensivo contrário, revelando-se o elemento mais cerebral do trio de centrais utilizado por Tiago Fernandes.

Gonçalo Inácio (7) — O mais posicional dos três centrais, sem procurar ousadias desnecessárias. Exibição mais sóbria do que o habitual, coroada por uma intervenção determinante ao salvar, praticamente em cima da linha de golo, um remate perigoso de Kauã.

Geny Catamo (6) — Continua a ser um virtuoso obrigado a despender enorme energia em tarefas defensivas, o que por vezes lhe retira frescura no último terço. Importante a libertar espaço na direita para o lance perigoso de Maxi Araújo (9'), arriscou em demasia, perdendo a bola que permitiu o remate a Marlon Gomes (78').

Altimira (7) — O farol do meio-campo leonino, sempre com visão de jogo e grande rigor tático. Ajudou, sempre que a equipa precisou, a aliviar a pressão sobre a área de Rui Silva e ainda assinou apontamentos vistosos no meio-campo do Shakhtar.

Doumbia (7) — Primeiro tempo discreto, com pouco raio de ação com bola para criar e raras transições do adversário para destruir, atuando nas costas de Ioannidis e de Suárez. Após o intervalo, transfigurou-se: surgiu mais solto, dinâmico e esclarecido. Quase marcou aos 47', num remate cruzado que tirou tinta ao poste, e acabou por decidir o encontro aos 59', finalizando com frieza a combinação com Suárez para selar o triunfo.

Maxi Araújo (8) — Como tem sido hábito desde a chegada a Alvalade, combinou atributos de maratonista com velocidade pura. Partida de enorme desgaste e com elevada exigência no controlo do virtuosismo de Alisson. Disfrutou de uma soberba ocasião para abrir o ativo aos 9', lançou Suárez com perigo (47’) e assinou um cruzamento tenso e milimétrico para o desvio de cabeça do avançado (68’).

Ioannidis (6) — Muito útil a condicionar o início de construção dos médios do Shakhtar. Trabalhador incansável, baixou no terreno e descaiu para os corredores sem hesitar, jogando quase sempre de costas para a baliza adversária. Esteve na origem da troca de passes à entrada da área que culminou no golo decisivo.

Luis Suárez (7) — O registo habitual: combativo e veloz, tanto com como sem bola. Criou perigo em vários momentos: serviu Doumbia no coração da área para um disparo rente ao poste (47’), assistiu o italiano para o 1-0 (59’) e voltou a ameaçar de cabeça após cruzamento de Maxi Araújo (62’). Desperdiçou, contudo, uma oportunidade soberba isolado na cara do guarda-redes aos 69', rematando muito por cima.

Zalazar (5) — Entrou para reforçar e refrescar o setor intermediário. Sentiu dificuldades para reter a bola durante o período de maior pressão do Shakhtar, mas revelou maturidade tática na gestão do ritmo de jogo e, já nos descontos, conquistou uma falta preciosa à entrada da área.

Fresneda (-) — Cerca de sete minutos em campo. Substituiu Catamo e, com a entrada de Blopa, derivou para o flanco esquerdo para estancar as investidas ucranianas.

João Simões (-) — Rendeu Doumbia perto do apito final para renovar o fôlego do meio-campo. Ganhou segundas bolas importantes nos instantes de maior aflição.

Salvador Blopa (-) — Estreia absoluta na Liga dos Campeões e os primeiros minutos da temporada na equipa principal. Foi a jogo aos 88' para render Maxi Araújo e fechar o corredor direito.

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