Tiago Fernandes a dedicar a vitória ao falecido pai, Manuel Fernandes - Foto: Imago
Tiago Fernandes a dedicar a vitória ao falecido pai, Manuel Fernandes - Foto: Imago

Dedicatória especial, Felicíssimo e regresso à B: tudo o que disse Tiago Fernandes

Técnico interino do Sporting explicou o que o levou a mudar o sistema e porque acreditou que iria ter sucesso a disputar um jogo fora com o Shakhtar na Champions, isto com apenas dois dias de treino

- Que análise faz ao jogo?

- O Shakhtar já tinha demonstrado com o Inter e o PSV que era capaz de jogar contra equipas com qualidade, a sair por trás. Tivemos dificuldades em trancar a saída de bola do Shakhtar, por um ou outro posicionamento, depois ajustámos e tivemos sucesso em alguns momentos. Tivemos 3, 4 oportunidades de golo na primeira parte e precisávamos de um para dar moral ao jogo. Ao intervalo, corrigi umas situações e fomos uma equipa mais adulta, preparada e fizemos golo fruto dessa correção da posição de Doumbia. Na segunda parte, ele já estava melhor. Fomos o melhor Sporting dos 45 aos 65 minutos, não fizemos o 2-0 e depois a nossa estratégia foi defender em zonas de baixa, evitar cruzamentos com linhas de cinco. Resultado justo e seguimos com nove pontos. Parabéns aos jogadores, porque interpretaram bem a estratégia, são muito inteligentes.

Galeria de imagens 28 Fotos

- Fez uma revolução no onze em dois dias, o que o levou a pensar que tinha sucesso?

- Por isso é que somos treinadores. Temos de tomar decisões, não ter medo, arriscar. Tomar decisões pela nossa cabeça, ter convicções. Senti que pelas opções para jogo iríamos ser mais confortáveis jogar para uma linha de 5. Temos dois dos melhores avançados do campeonato e desfrutar deles na mesma equipa era importante. Dois jogadores que conseguem ter mais bola e criar oportunidades juntos. Há espaços para deixar Suárez no 1-1 com centrais, ele é forte na profundidade, e depois jogar com os médios. Geny estava protegido pelo Quaresma, umas vezes saltava o Quaresma ou o Inácio no interior. Dei os parabéns aos jogadores no final, porque entenderam o que era preciso apenas com um treino ou dois e alguns de vídeo. Foram recetivos e humildos, o que deu uma vitória importante para o nosso clube.

- Acredita que os jogadores se vão adaptar rapidamente a Paulo Fonseca?

- Jogadores e treinadores têm de estar preparados para estas situações. Fomos chamados para um jogo. O mais importante é sempre o clube, o Sporting tem de estar acima de todos. A direção sabe o que é o melhor para o clube, estamos a cumprir a nossa função específica. Cheguei e foi tudo fácil, parabéns à direção, é fácil para mim chegar e ter sucesso nesse sentido. Saí e voltei ao Sporting e está muito melhor agora, mais preparado para jogar nestes palcos. Estão preparados para jogar comigo ou outro treinador. Eles têm de perceber a exigência que é um clube como o Sporting, a exigência que este clube nos obriga a ter em termos de rendimento desportivo. É continuarmos humildes, no nosso caminho, que as coisas vão correr bem. Acredito bastante que o Sporting vai fazer uma excelente época, os jogadores estão a crescer, precisam do seu tempo e espaço. E vai correr bem, porque acredito bastante que as coisas estão alinhavadas para isso.

- Não esperava ter oportunidade de continuar? E o que aconteceu com Maxi e Zalazar?

- Disse aos jogadores para entrarmos com uma dinâmica muito forte, porque iríamos causar surpresa, não pelo sistema, mas pela atitude competitiva. Mudar o sistema e estarmos parados sem dinâmica não iríamos causar desconforto ao Shakhtar. Eles não estavam preparados para nós jogarmos com aquele losanglo no meio e eu ouvi o Arda Turan a dar instruções aos jogadores para anular o losanglo. Acabámos por conseguir desbloquear a organização defensiva do Shakhtar, que tinha dificuldades naqueles momentos. Eu vi três jogos deles na liga ucraniana e vi também o jogo do Inter e PSV. Isso foi importante para mim como treinador sentir que a equipa conseguiu interpretar essas ideias. Trabalho na equipa B é fruto do trabalho dos meus colegas que estão na formação e que me preparam os jogadores para chegar à equipa B com esta qualidade, e ao recrutamento também. Vou continuar a fazer o meu trabalho na equipa B, que me dá um prazer enorme estar ali na Liga 2. Um contexto competitivo bastante equilibrado, estou quase a fazer 100 jogos lá, é bom. A direção sabe perfeitamente o que é o melhor para o Sporting e para mim, por isso estou tranquilo. Posso estar feliz de estar de volta ao Sporting e à equipa B, ajudar estes miúdos a serem competitivos e chegarem à equipa principal. Hoje foi bom desfrutar e isso já me deixa muito feliz e orgulhoso como sportinguista. Maxi foi cansaço, Zalazar foi um toque no joelho, nada de especial.

- Felicíssimo foi a grande surpresa, porquê quando tinha mais centrais? E em quem mais gostaria de ter apostado?

- Mais importante do que eu lhes dar a oportunidade é eles merecerem. O Edu tem feito uma boa campanha, muito jovem ainda, tem muito para aprender. Eu também lhe disse no final do jogo que fez um grande jogo, está deslumbrado, maravilhado por ter jogado na Champions pela primeira vez como titular e 90 minutos contra um grande adversário. Confiei nele, ele tem de manter a humildade e amanhã chegar ao treino e estar preparado para continuar a competir e à espera de uma oportunidade. O Kauã, que está na equipa B, é tão bom como ele. Se baixar o rendimento... - já foi suplente do Kauã -, nestes miúdos que já fizeram 10, 20, 30 jogos 90 minutos pelo Sporting, o que lhes digo sempre é: 'esta exigência deste clube é diferente dos outros, por isso é que nem todos conseguem chegar a este patamar, continuem a ser humildes, à procura do seu espaço.' Mesmo os que não jogaram hoje têm qualidade para jogar, basta continuar a lutar pelo seu espaço, manter-se humilde e de forma competitiva. É essa a exigência que passamos, fiquei feliz pelo Edu, pela equipa. Gosto tanto da equipa B que os punha todos a jogar aqui, tanto na Champions como na Liga. Eles também já me mandaram mensagem a felicitar, temos um grupo muito forte, unido, somos uma família. Há três dias estava no Estádio do Mar em Matosinhos a defrontar o Leixões, hoje estou aqui, amanhã posso estar novamente noutro lado e até posso um dia estar sem trabalho porque o futebol é mesmo assim. Há que desfrutar do momento e aproveitar sempre com os pés assentes no chão.

- Reparei que no final apontou o dedo para o céu, dedica esta vitória ao seu pai? E pergunto pelo Ba, que até se equipou para entrar, mas mudou de ideias nos minutos finais. Porquê?

- A vitória dedico a todos os sportinguistas e o meu pai era um deles, se calhar o maior de todos, em termos fanáticos, e ele sabe também que este dia também é especial para mim, deve ser para ele também. Ba? Senti que o Edu estava com dificuldades no final, não estava é à espera de ter de tirar o Fresneda para a direita, mas foi uma adaptação rápida também porque o jogador que entrou com o pé esquerdo estava a criar muitas dificuldades e o Iván passando para a esquerda fechava o pé esquerdo dele no cruzamento e conseguíamos anular. O Felicíssimo deu-me a entender que estava a sentir cãibras e não tinha mais hipóteses de mexer. Chamei-o, tive de ir quase ao meio-campo porque ele não me estava a ouvir, a perguntar se estava bem. Ele disse-me que está bem e eu disse ao Ba para se sentar, porque não era preciso entrar. Não gosto muito de mexer na linha defensiva, especialmente nos minutos finais, não é fácil para quem entra. Mas o Blopa e o Iván tiveram um compromisso muito bom nesses últimos minutos.

- Quão importante foi manter o Shakhtar à sua frente em todo o jogo?

- Jogámos com uma linha de 5 para poder pressionar mais na frente, saltávamos com os homens da frente. Fazíamos 4x4, 5x5, partíamos a equipa para crescer também a linha defensiva. Não viemos aqui em busca do ponto, de um resultado de transição ou bola parada. Somos o Sporting, um clube grande e temos de jogar assim em qualquer estádio. Com esta ambição, atitude e garra, porque se passarmos esta mensagem aos jogadores eles sentem que o caminho é para a frente, com a qualidade que eles têm vamos ganhar jogos.. Não joguei com uma linha de 5 para jogar num bloco baixo, sim talvez para defender em melhores condições, mas não para vir aqui à procura do ponto.

A iniciar sessão com Google...