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Selecionador do Egito recorda troca de palavras com Messi e volta a atacar arbitragem
Já de regresso ao seu país, Hossam Hassan, selecionador do Egito, abordou a eliminação frente à Argentina nos oitavos de final do Mundial 2026 (2-3), tecendo mais duras críticas à arbitragem do francês François Letexier e revelando pormenores de uma acesa troca de palavras com Lionel Messi.
Uma semana após o encontro, Hassan, de 59 anos, falou à jornalista egípcia Mona El Shazly, começando por apontar o dedo à atuação do árbitro. «Não vamos ignorar o que aconteceu. Houve algo chamado pressões, que logicamente ocorreram. Isso fez com que os nossos jogadores estivessem constantemente a ser admoestados, que nos assinalassem faltas contra, que nos anulassem um penálti aqui e depois nos marcassem um golo ali», lamentou.
O selecionador egípcio acredita que esta pressão externa condicionou a sua equipa. «Os jogadores, coitadinhos, viram-se sob uma pressão em que sentiram que os golpes vinham de todos os lados. Isto influenciou-os a cometer alguns erros, para além das lesões que ocorreram», acrescentou.
Sobre François Letexier, Hassan descreveu-o como «alguém que se empenhava em tirar-te da tua concentração», acusando-o de «distribuir cartões» e «assinalar faltas sem motivo». Para o técnico, foi «lógico» que os seus jogadores sentissem «injustiça e pressão», fatores que, na sua opinião, «afetaram de forma enorme, a 100%» o desempenho da equipa.
Hassan foi mais longe, afirmando que o resultado poderia ter sido outro. «Poderíamos ter estado a vencer por 3-1 com a jogada de Hamdi Fathy [referindo-se a um penálti não assinalado antes do golo de Enzo Fernández]. Estes acontecimentos ocorreram muito rapidamente. Não culpo os jogadores, mesmo que tenha havido erros individuais e de posicionamento, mas tudo isto serviu para desmoronar a equipa, para arruinar os seus planos», sustentou.
A troca de palavras com Messi
Outro dos momentos marcantes do jogo foi a sua interação com Lionel Messi. Hassan relatou o episódio que começou com o árbitro. «Quando o árbitro veio ter comigo, mostrou-me um cartão amarelo de imediato e depois queria mostrar-me o vermelho. Ele pergunta-me: ‘Tem a certeza?’. Eu disse: ‘Sim, tenho a certeza’. Ele pergunta: ‘Porquê?’. Eu respondi: ‘Porque não és justo. Houve dois penáltis para nós e vejo que não és justo’», contou.
Foi nesse momento que o capitão argentino interveio. «Claro que os jogadores tentavam acalmar-me, mas eu insistia. Então, o Messi aproximou-se e começou a dizer: ‘Porquê, porquê?' e não sei que mais. Eu não lhe quis responder porque não queria começar uma discussão com ele», explicou o selecionador.
Hassan destacou ainda a raridade do comportamento de Messi, que, segundo ele, demonstrava a dificuldade que a Argentina sentiu. «Foi uma das poucas vezes em que o Messi interveio em altercações com alguém», observou, acrescentando que o astro argentino «estava a levar as coisas muito a sério e as pessoas ficaram surpreendidas por ele ter chorado», porque «o jogo contra a seleção do Egito foi difícil e colocou-os em apuros».
Para concluir, o técnico egípcio frisou que não procurou o confronto com o jogador. «A conversa foi apenas ‘não é justo’ e 'porquê?'. Eu não queria dirigir-lhe a palavra, estava a falar com o árbitro, que insistia para que eu me retratasse. Ele não me devia ter mostrado o cartão amarelo e, depois do amarelo, queria mostrar-me o vermelho. Por isso, insisti em dizer-lhe: ‘Não és justo’», atirou.