Jogadores do Irão durante o hino nacional contra a Nigéria
Jogadores do Irão durante o hino nacional contra a Nigéria - Foto: IMAGO

Seleção do Irão protesta em campo por vítimas de ataque a escola

Taremi e companhia usaram braçadeiras pretas e seguraram mochilas escolares durante o hino nacional

Os jogadores da seleção masculina do Irão protagonizaram um protesto antes do particular contra a Nigéria, em Belek, na Turquia, em memória das vítimas de um ataque a uma escola primária. Durante o hino nacional, os atletas usaram braçadeiras pretas e seguraram mochilas escolares.

O gesto simbólico, que contou com a participação de jogadores como o ex-avançado do FC Porto, Mehdi Taremi, que marcou, visou homenagear as vítimas do ataque à escola Shajareh Tayyebeh, em Minab, no sul do Irão. Segundo fontes oficiais iranianas, o ataque, ocorrido no mês passado, resultou na morte de pelo menos 168 pessoas, incluindo cerca de 110 crianças.

Um assessor de imprensa da equipa explicou à Reuters o significado do protesto: «Os jogadores estão a segurar as mochilas escolares junto ao coração em memória das 165 raparigas que os americanos mataram numa escola iraniana.» Apesar de o Irão ter responsabilizado os EUA e Israel pelo ataque, que ocorreu perto de um complexo da Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC), nenhum dos países assumiu a autoria.

A imprensa norte-americana, por sua vez, noticiou que investigadores militares dos EUA acreditam que as suas próprias forças poderão ter atingido a escola de forma não intencional. O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos já instou os EUA a concluírem e publicarem os resultados da sua investigação.

Apesar de se ter qualificado para o Campeonato do Mundo pela quarta vez consecutiva, a presença do Irão no torneio, que será organizado pelos EUA, México e Canadá a partir de 11 de junho, permanece incerta. A tensão aumentou depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter afirmado que não seria «apropriado» que a seleção iraniana participasse, alegando preocupações com «a sua própria vida e segurança».

Em resposta, o presidente da federação de futebol do Irão, Mehdi Taj, declarou que o país não viajará para os Estados Unidos. «Quando Trump declara explicitamente que não pode garantir a segurança da seleção nacional iraniana, é certo que não viajaremos para a América», afirmou Taj numa publicação na conta de uma rede social da embaixada iraniana no México. O dirigente acrescentou que estavam a ser feitas negociações com a FIFA para que os jogos do Irão fossem realizados no México, mas a entidade que rege o futebol mundial parece ter descartado essa possibilidade.

O Irão, que perdeu por 1-2 com a Nigéria na sexta-feira, tem agendado um jogo de preparação contra a Costa Rica na terça-feira, também na Turquia. A seleção iraniana está inserida num grupo do Mundial com a Nova Zelândia, a Bélgica e o Egito, com jogos previstos para Los Angeles e Seattle.

No início deste mês, as jogadoras da seleção feminina do Irão recusaram-se a cantar o hino nacional durante um jogo da Taça Asiática Feminina da AFC, o que levou um apresentador da televisão estatal iraniana a chamá-las de «traidoras». Após o protesto, várias jogadoras procuraram vistos humanitários para permanecer na Austrália, mas acabaram por retirar os pedidos de asilo e regressar ao Irão.