Santi garcia festeja a marcação do segundo golo do Gil Vicente. -Foto: HUGO DELGADO/LUSA
Santi garcia festeja a marcação do segundo golo do Gil Vicente. -Foto: HUGO DELGADO/LUSA

Seca do galo terminou abençoada pelo Santi Murilo (crónica)

Gil Vicente acabou com o longo jejum de sete jogos sem vencer na Liga. Murilo e Santi Garcia apontaram os golos do galo e Zé Vitor o do Nacional. Todos na sequência de bola parada. Não há Andrew? Há Dani Figueira!

Acabou a seca do galo, no que a triunfos diz respeito. O Gil Vicente não saboreava a conquista dos três pontos desde 3 de novembro, na receção ao Santa Clara, e por isso a conquista desta vitória frente ao Nacional foi efusivamente festejada por todos, jogadores e adeptos, também em reconhecimento pela excelente campanha da sua equipa na 1.ª volta e que a mantém no 4.º lugar da classificação, apenas atrás dos três grandes.

Num jogo bem disputado, o Nacional entrou melhor e privilegiou o ataque à profundidade para explorar a velocidade de Jesús Ramírez e Paulinho Bóia, para tentar chegar à baliza de Dani Figueira, que brilhou numa dessas ocasiões, quando o extremo brasileiro lhe surgiu pela frente e picou-lhe a bola. O guarda-redes que ocupou a vaga que era de Andrew – transferido para o Flamengo – brilhou, afastando-a com a mão esquerda e foi decisivo nos descontos, quando o Nacional pressionava à procura do empate, quando desviou com uma palmada um cabeceamento de Jesús Ramírez que levava a direção certa. No Cidade de Barcelos, certamente, ninguém se lembrou da saída de Andrew

O Gil Vicente contrariou essa superioridade inicial dos madeirenses com um futebol apoiado, conduzido preferencialmente por Luís Esteves e colocou-se em vantagem através de um lance estudado. O maestro (Luís Esteves) dos gilistas marcou um canto para a entrada da área, onde estava Murilo sem marcação para atirar rasteiro, com a bola a bater na base do poste esquerdo antes de entrar.

Contudo, a vantagem dos minhotos não durou muito tempo e três minutos depois os madeirenses empataram, igualmente na sequência de bola parada. Liziero, o homem das bolas teleguiadas do Nacional, colocou o esférico na direção de Léo Santos, sobrando depois para Zé Vitor, que perante Dani Figueira, não perdoou. Um golo com a participação dos dois centrais dos insulares, como, de resto, já vem sendo habitual.

Tal como no início do encontro, os madeirenses voltaram a entrar por cima após o descanso, com Chuchu Ramírez a desperdiçar à boca da baliza. O Nacional perdeu a chance de se colocar em vantagem, ao contrário do Gil Vicente que marcou na primeira oportunidade que teve na etapa complementar, por Santi Garcia, na recarga de um tiro de Zé Carlos à barra. Novamente na sequência de canto.

Os gilistas souberam depois controlar o avanço e resistiram ao assédio final dos madeirenses em busca do empate que esteve à vista por duas vezes. Primeiro por Paulinho Bóia, o mais perigoso do Nacional, numa iniciativa individual (69’) que passou perto do poste direito, e no cabeceamento de Chuchu (90+2’), já referenciado anteriormente. Pelo meio Luís Esteves (75’) também podia tranquilizar o Gil Vicente, quando se isolou, falhando na finalização.

O melhor em campo: Murilo (Gil Vicente)
Antes do início do jogo o extremo dos galos de Barcelos já estava a festejar, ao receber uma camisola que assinalou os 100 jogos pelo emblema gilista. E Murilo deu continuidade à festa, adornando-a com um golo e uma exibição bem conseguida, feita de técnica, velocidade e muita vontade. Além dessa finalização que foi a cereja no topo do bolo, esteve perto de bisar num remate à meia-volta aos 41 minutos.

As notas dos jogadores do Gil Vicente (4x2x3x1): Dani Figueira (7), Zé Carlos (6), Buatu (6), Elimbi (5), Konan (5), Zé Carlos Ferreira (5), Santi Garcia (7), Murilo (7), Luís Esteves (6), Tidjany Touré (6), Gustavo Varela (6), Bamba (5), Joelson Fernandes (5), Martín Fernández (5), Espigares (-)

A figura do Nacional: Liziero
O médio raramente falha um passe, tanto em curta como em longa distância e foi preponderante no ataque à profundidade dos madeirenses. É o responsável pelas bolas paradas e, por norma, coloca-as teleguiadas para os seus colegas, como sucedeu no golo, quando a endossou para Léo Santos assistir Zé Vitor. Em ajuda defensiva, Liziero também acrescenta uma capacidade de recuperação notável.

O que disseram os treinadores:

César Peixoto, treinador do Gil Vicente

«Hoje fomos felizes. Acho que merecemos a vitória, perante uma equipa que nos complicou muito, principalmente na 2.ª parte. A primeira foi inteiramente nossa, mas o Nacional a sair sempre muito bem nas transições e criando duas situações que poderiam ter feito golo. Mas criamos muitas mais, na 1.ª parte aconteceu-nos muito do que tem acontecido nos últimos jogos, temos muito volume, muitas oportunidades, a bola a rondar e depois falta um bocadinho de qualidade, às vezes, e uma pontinha de sorte. Era importante, sei que se falava muito nos empates e disse sempre que era o pormenor que nos estava a faltar para vencer. Na 2.ª parte agarramo-nos e na parte final o Nacional meteu muita gente na frente, alta, e nós tivemos de fechar a um pouco a equipa, porque sabíamos que era importante desbloquear esta série.»

Tiago Margarido, treinador do Nacional

«Foi um jogo muito dividido, muito tático, com as equipas encaixadas. Tivemos a primeira oportunidade, que o (Paulinho) Bóia falha isolado, depois o Gil Vicente chega à vantagem sem nada o prever, com um remate em que o Murilo bate mal na bola e com felicidade acaba por entrar. Tivemos capacidade para reagir, chegámos ao golo e uma boa oportunidade no fecho da 1.º parte em que o Chuchu não consegue desviar para a baliza. Na 2.ª parte as equipas voltaram a entrar encaixadas, um jogo muito equilibrado e o Gil Vicente acaba por chegar à vantagem depois de uma bola na barra que acaba por sobrar para um jogador deles. Estamos num momento em que essas situações estão a pender para o adversário, mas aquilo que é a produção da equipa satisfaz-me, porque nós tivemos outra oportunidade pelo (Paulinho) Bóia que bate cruzado e no fim o Chuchu de cabeça poderia ter feito golo. Acho que o empate seria o mais justo, porque as duas equipas foram muito equivalentes e encaixaram-se muito bem uma na outra.»