O conto de fadas de Maja começou a escrever-se no Estoril. IMAGO
O conto de fadas de Maja começou a escrever-se no Estoril. IMAGO

Se Maja vencer Roland Garros o agente da polaca promete gelar os franceses

Piotr Szczypka é o discreto apoio da protagonista do conto de fadas de Roland Garros. A polaca que saiu de uma depressão profunda para o estrelato em Paris, depois de vencer em Portugal, está a aprender a lidar com a nova pressão mediática e das redes sociais

A tenista polaca Maja Chwalińska, de 24 anos, está a viver um autêntico conto de fadas em Paris. Sem patrocinador de equipamento e com dificuldades financeiras, a atual número 114 do ranking WTA chegou à final de Roland Garros, atraindo a atenção de várias marcas e garantindo um prémio monetário que mudará a sua carreira.

A nova menina bonita do ténis da Polónia

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Maja Chwalinska conquistou o Oeiras Ladies Open em abril, derrotando a sua melhor amiga, a austríaca Sinja Kraus, por 6-1 e 6-3. Este título WTA 125 no Jamor marcou o segundo troféu da tenista polaca em Portugal, após a sua vitória no Porto em 2024. A vitória em Oeiras levou-a a alcançar o top-120 da hierarquia WTA, fixando-se na 118.ª posição, e deu-lhe o embalo necessário para disputar o qualifying de Roland-Garros

Chwalińska explicou por que motivo usava equipamentos diferentes em cada jogo. «Neste momento, não tenho patrocinador, então uso o que me agrada. É bom, porque não há restrições. Se uma camisola cai bem, simplesmente visto-a», disse com um sorriso.

Aquilo que parecia ser uma escolha era também fruto de muitas dificuldades, conforme explicou o agente da tenista, revelando que para jogar o Open da Austrália, há três anos, pediu alojamento através das redes sociais a polacos que vivessem perto de Melbourne.

Esta situação manteve-se no início de Roland Garros. A caminhada de Maja começou na fase de qualificação e, três dias depois, garantiu um lugar no quadro principal, sempre com uma camisola cinzenta escura, sem qualquer logótipo. No entanto, à medida que avançava no torneio, a sua história começou a captar atenções.

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«Se ela vencer vou celebrar atirando-me ao Sena!», prometeu Szczypka que revelou também que quando chegou a Paris a expetativa era que Maja pudesse avançar uma ou duas rondas. «Acabaria com a pressão enorme de nunca termos dinheiro», contou. Uma das joias de Paris, o rio Sena esteve interdito a banhos durante anos, mas foi reabilitado para os Jogos Olímpicos Paris2024, enchendo de orgulho os franceses.

Quando apareceu com uma camisa de uma marca cara, o polaco confessou que ficou triste com o outro lado das redes sociais que se apressaram a criticá-lo e a questionar o conto de fadas. «Algumas pessoas atiram-me com palavras duras, mas não me importo porque já passei por muita coisa. Quem não me conhece e não conhece toda a equipa não sabe como chegamos até aqui. Portanto, não têm o direito de nos julgar, pois simplesmente desconhecem nossa história. Quanto à minha roupa, a verdade é que me sujei de chocolate no jantar e tive de pedir uma camisa emprestada a um amigo. Vim para cá com três camisas e algumas peças íntimas porque achei que conseguiria chegar à fase final e imaginei que compraria alguma coisa depois. Mas não temos como ir às compras; lavamos tudo durante a noite. Gostaria de agradecer ao meu amigo que teve pena de mim e me emprestou as suas melhores roupas», contou.

Em torneios do Grand Slam, onde patrocinadores principais como BNP Paribas e Perrier têm uma presença consolidada, é difícil para outras marcas ganharem visibilidade. Os jogadores de topo, como Sinner, Alcaraz, Sabalenka e Siwatek, têm contratos de patrocínio dispendiosos e de longa duração. Por isso, muitas empresas focam-se em atletas menos conhecidos que protagonizam percursos surpreendentes, cujos equipamentos ainda têm espaço para publicidade a um custo mais acessível.

Foi o caso de Chwalińska. A empresa de investimentos Eightstone e a casa de apostas XTB foram as primeiras a surgir na sua camisola. Contudo, foi uma confissão da própria tenista que provocou a maior mudança. «Numa entrevista após a partida contra Maria Sakkari, eu disse que estava com dificuldades para pagar o hotel, porque recebemos o cheque só depois do fim do torneio», contou.

A revelação levou a Oshee, produtora polaca de bebidas isotónicas e patrocinadora de Iga Swiatek, a agir de imediato, cobrindo os custos da sua estada em Paris. «Estou-lhes grata», declarou Chwalińska, que, tal como a sua compatriota, assinou um contrato com a marca, passando a exibir o seu logótipo a partir dos quartos de final.

No que parece para já não haver grandes mudanças é na alimentação da sua pequena equipa, já que Maja contou divertida que comem pizza todos os dias porque são supersticiosos e tem dado sorte. Se Maja vencer talvez tenham de juntar champanhe ao jantar, mas provavelmente não vão mudar.

O percurso da polaca é notável não só pelo sucesso desportivo, mas também pelo retorno financeiro. Tendo amealhado cerca de 743.840 euros em toda a carreira, a presença na final já lhe garante, no mínimo, 1,4 milhões de euros. Este valor representa um enorme impulso, especialmente após um período conturbado.

Em 2021, após ser eliminada na qualificação de Wimbledon, Chwalińska fez uma pausa na carreira para lidar com uma depressão e problemas de saúde mental que a afetavam há dois anos. «Eu não conseguia sair da cama. Para ser honesta, não havia vida em mim», confessou sobre essa fase difícil, marcada pela pressão do ténis profissional.

Esse período parece agora definitivamente ultrapassado. Este sábado, Maja Chwalińska defrontará Mirra Andreeva na final, com a certeza de que um generoso prémio a espera, faltando apenas saber se o valor de 1,4 milhões de euros será ou não duplicado com a conquista do título.

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