«Se alguém comprar um bilhete por 2 milhões levo-lhe um cachorro-quente e uma Cola»
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, justificou os preços exorbitantes dos bilhetes para o próximo Mundial nos Estados Unidos, Canadá e México. «Temos de olhar para o mercado e estamos num mundo onde o mercado do entretenimento é o que mais se desenvolveu. Por isso, temos de aplicar tarifas de mercado», afirmou o líder da FIFA numa conferência em Beverly Hills.
Dois milhões de euros?
Infantino referiu ainda que a imensa procura por bilhetes está a impulsionar os preços, especialmente sob a legislação americana, que permite a revenda de bilhetes por valores muito acima do preço original. Na própria plataforma de revenda da FIFA, na semana passada, quatro bilhetes para a final do Mundial foram oferecidos por mais de 2 milhões de euros cada, e pouco pode o organismo fazer para controlar esta subida.
«Isso não significa que esses bilhetes custem 2 milhões e não significa que alguém os vá comprar», esclareceu Infantino. «E se alguém comprar um bilhete para a final por 2 milhões de dólares, eu pessoalmente levo-lhe um cachorro-quente e uma Cola para garantir que tenha uma experiência fantástica», acrescentou.
O modo como os preços estão estruturados tem sido muito questionado, perante a variação de valores entre lugares próximos — assentos separados por poucos metros têm um custo bastante diferente, por exemplo.
O líder da FIFA acrescentou que 25% dos bilhetes para a fase de grupos tinham preços inferiores a 300 dólares (250 euros) e pareceu sugerir que pouco há a fazer e os preços nos EUA são naturalmente caros. «Não se pode ir ver, nos Estados Unidos, um jogo universitário - quanto mais falar de um jogo profissional de alto nível - por menos de 300 dólares. E isto é o Campeonato do Mundo.”
A FIFA afirma ter recebido mais de 500 milhões de pedidos de bilhetes para o Mundial. Este número é muito superior ao dos dois Mundiais anteriores, que registaram cerca de 50 milhões de pedidos. Os preços são visivelmente mais altos: o bilhete mais caro para a final do Mundial do Qatar em 2022 custou cerca de 1300 euros, enquanto o bilhete mais caro para a próxima final do Mundial, a 19 de julho, ascende a aproximadamente 11 mil euros.
Queixa formal
A Euroconsumers e a Football Supporters Europe (FSE) , Associação Europeia de Adeptos, presentaram uma queixa formal à Comissão Europeia contra a FIFA. As organizações de consumidores denunciam «preços excessivos» e «condições de compra injustas» na venda de bilhetes.