Escândalo na Áustria: «Fomos espiadas através da fechadura da porta do balneário»
A defesa suíça Eleni Rittmann, de 25 anos, decidiu falar publicamente para denunciar a condenação, que considera demasiado branda, de um dirigente do seu antigo clube austríaco, o Altach, por voyeurismo. O homem foi sentenciado a sete meses de prisão com pena suspensa e a uma multa de 1.200 euros, uma pena surpreendentemente leve e que está a dar que falar na Áustria.
O caso remonta à sua passagem pelo Altach, onde um dirigente da equipa filmou e fotografou as jogadoras no balneário durante três anos. «Ele gravava vídeos e tirava fotos através da fechadura da porta. Ninguém imaginava tal coisa», revelou a jogadora, que atualmente representa o Évian, em França, ao jornal L'Équipe.
O homem foi descoberto após a polícia ter levantado suspeitas sobre ele numa investigação relacionada com a dark net, já que a apreensão do seu computador portátil revelou as imagens e vídeos da equipa, captados nos balneários e no ginásio das instalações. Entre as vítimas encontravam-se também jogadoras menores de idade.
Rittmann acusa mesmo o clube de ter tentado abafar o caso. «A informação filtrou-se e o clube não nos comunicou imediatamente. Penso que queriam abafar o caso, que não se soubesse», afirmou. A notícia foi-lhe comunicada por e-mail, sem detalhes, mas com a sugestão de apoio psicológico. Foi uma amiga, que ainda joga no Altach, que lhe contou o que realmente tinha acontecido.
Apesar da gravidade dos atos, o dirigente não se encontra preso. «O tribunal condenou-o a sete meses de prisão, mas com pena suspensa. Ele está em liberdade», lamentou a defesa. A sentença incluiu ainda uma multa de 1200 euros e uma indemnização de 625 euros para cada uma das jogadores que foram espiadas. «Como se não fosse nada», desabafou.
O trauma deixou marcas profundas na jogadora: «Já não me sinto à vontade nos balneários nem nas casas de banho públicas. Olho sempre à minha volta para ver se há uma câmara ou algo do género», confessou Rittmann, que se mostra desiludida com a impunidade. «Como é possível que tantas coisas como esta aconteçam no futebol feminino e ninguém fale sobre isso?»