Schmidt distorceu a verdade

Na derrota do Bessa, se o treinador do Benfica fosse português teria sido triturado e acusado de falta de liderança por ter perdido o controlo da equipa

ROGER SCHMIDT podia ter evitado dar do Benfica a imagem  de uma casa desarrumada e poupado o seu presidente a mais uma dor de cabeça, porque é nele que associados e adeptos confiam. O que seria uma normal altercação motivada por decisão técnica para ser tratada com a discrição que se impunha, e por quem tem autoridade para tal, transformou-se, porque assim o treinador quis, num problema maior para Rui Costa solucionar.

Digo que o treinador quis porque já revelou possuir experiência e confiança suficientes para não se expor em público com afirmações e posições tão aparentemente ingénuas e inábeis. Portanto, ele disse o que entendeu dizer, talvez sem a exata noção da turbulência que iria provocar. Admito que sim, embora não esteja convencido disso, pela razão simples de o treinador alemão ter pretendido colocar a maior fatia da responsabilidade pela derrota sofrida no Bessa no deficiente desempenho do seu guarda-redes quando os culpados foram vários, assim como vários foram os motivos. 

Se o treinador do Benfica fosse português atrevo-me a dizer que teria sido triturado e acusado de falta  de liderança por ter perdido o controlo dos jogadores. Seria o mínimo, insisto, pela incapacidade revelada pela equipa para proteger a vantagem de um golo (apontado por Rafa Silva), com a particularidade dessa vantagem ter sido alcançada com menos um elemento em campo, e  a partir dela erguer  um bloco coeso  e apenas autorizar o opositor a cheirar a bola, como se diz na gíria.  Nada disso se verificou porque  houve uma falha generalizada, não ao nível da vontade de fazer bem, mas da organização coletiva, ou falta dela,  e o que fez Schmidt? 

A saída de Di María gerou falatório. O treinador justificou-a pelo esforço na Supertaça, mas a pressa em «mudar para três centrais e atacar com laterais ofensivos» revelou-se um fiasco. Como costuma dizer-se, à primeira todos caem mas à segunda só cai quem quer e Schmidt voltou a cair,  por teimosia, só pode ser,  pois no SC Braga-Benfica para a Taça de Portugal, em fevereiro último, procedeu da mesma forma e com idêntico desfecho. 

Então, houve a expulsão de Bah e, imediatamente, tirou do campo Gonçalo Guedes para fazer entrar Gilberto. Cinco minutos depois os bracarenses empataram, com golo de Al Musrati. Outra curiosidade: então como agora prescindiu  dos marcadores dos golos (Gonçalo Guedes e Di María). O argentino porque não defende, percebe-se, e o português?
   
Voltando ao caso de Vlachodimos, Roger Schmidt distorceu a verdade ao afirmar que Samuel Soares fez uma boa pré-época quando foi a partir de um erro grosseiro dele no jogo com o Burnley que os alarmes soaram e o Benfica enviou o seu emissário privativo ao Brasil com o propósito de acordar com o Athletico Paranaense  a transferência do guarda-redes Bento. 

As coisas não correram de feição e  virou-se o  azimute para a Ucrânia, com sucesso. O gigante Anatoliy Trubin (1,99 metros), de 22 anos, foi contratado por dez milhões de euros mais a cedência de  40 por cento em futura mais-valia. Por este preço, com certeza que não se mudou para o futebol português para ser suplente. 

Vlachodimos não é um Neuer, nem um Courtois, mas é um bom guarda-redes que tem o direito de seguir a sua vida. Penso que o Benfica deve fazer parte da solução e facilitar-lhe a saída. É assim que procedem os grandes clubes e é aqui, na defesa do bom nome do Benfica no Mundo, que a intervenção do presidente é absolutamente necessária.
 
Não vou avaliar as razões da cada um, porque não vi, nem ouvi o que se passou entre eles,  mas parece-me que ninguém fica bem na fotografia. Por outro lado, Schmidt dizer que o Benfica continua a ter «três bons guarda-redes»,  é um bocado gozar com quem trabalha, assim como, ao fim de tantos meses distraído, reconhecer, em relação a David Neres, que «esteve fantástico» no jogo com o Estrela da Amadora e que «há muito bons argumentos para ele  ser titular». Creio que já todos tínhamos reparado, menos ele. Enfim… 

MOTA E VIEIRA 

NO Dragão, José Mota, treinador do Farense, de quem eu gosto, aproveitou o tempo na conferência de Imprensa ao nível de um profissional da comunicação em que cada segundo foi aproveitado para passar a mensagem que quis passar, sublinhando as virtudes sem deixar de apontar os defeitos.  Foi excelente no filme que fez do jogo. Sofrer um golo ao minuto 90+10 doeu muito, ainda assim com tempo para Diogo Costa recusar o empate a Mattheus Oliveira (90+15). Foi lutar até ao fim.

Na Luz, Sérgio Vieira, treinador do Estrela da Amadora, chegou a acreditar no seu autocarro que mais não foi do que uma reminiscência do velho e antipático antijogo. Depois divagou em várias direções, produzindo insinuações pouco claras e  garantindo que «se estivesse do outro lado gostaria de ganhar doutra forma». Alguém percebeu?…