Celebração dos jogadores da Seleção Nacional de andebol após a vitória histórica sobre a Dinamarca no Euro 2026 (EHF)

Heróis do Mar, Nobre Seleção...

Esta já é a seleção de Kiko Costa, do irmão Martim, de Salvador Salvador e Areia, de Rêma e Calvalcanti, de Frade e Branquinho, e outros companheiros de equipa. Nomes que já todos conhecem e certamente perdurarão na memória

Se há Seleção de Portugal que empolga, que puxa ao sentimento patriótico, é a de andebol. Tão ou mais do que a de futebol – e isso é muito. Muitíssimo. A cada Europeu ou Mundial que os denominados Heróis do Mar competem está garantido o espetáculo, a emoção, a constatação de temos uma das melhores equipas nacionais da modalidade. E isso é muitíssimo. Só ao nível da de futebol.

É verdade que a seleção portuguesa de andebol ainda não ganhou um grande título internacional. Mas apesar da imensa valia dos oponentes, todos europeus, todos com décadas de experiência de avanço dos portugueses, parece que essa conquista chegará mais cedo ou mais tarde. Com esta ou vindoura geração de jogadores. Porque se percebe que a indispensável sucessão, a renovação está a ser feita com a devida ponderação pelos responsáveis técnicos nacionais. Todavia, que desperdício, que injustiça seria esta geração - de ouro - não alcançar esse triunfo histórico. 

Esta já é a seleção de Kiko Costa, do irmão Martim, de Salvador Salvador e Areia, de Rêma e Calvalcanti, de Frade e Branquinho, e outros companheiros de equipa. Nomes que já todos conhecem e certamente perdurarão na memória - como os dos compatriotas homólogos futebolistas. Os elogios desbragados que jornalistas, observadores e adversários, por toda a Europa, tecem à qualidade e gabarito destes jogadores, as imagens de lances de fino recorte técnico de que correm nas redes sociais após cada jogo, são prova inequívocas que devemos ter orgulho e, acima de tudo, crer no sucesso, ainda maior, desta Seleção.

A citação do poeta espanhol Antonio Machado, de que o caminho faz-se caminhando, deverá prevalecer às expectativas que tenhamos desta Seleção. O talento, o trabalho, o empenho e a ambição estão todos lá. De jogadores, a técnicos, a dirigentes. Um labor sério, discreto como são os dos bem-sucedidos – dos vencedores, dos campeões. Garantir presença contínua nas maiores competições (Europeus e Mundiais) já foi etapa cumprida. Estar, com regularidade, ao nível das melhores congéneres do mundo, atingindo as fases mais adiantadas desses torneios, também. Resta a conquista de troféu. Muito caminho já se caminhou. Mas ainda há caminho que caminhar.

O que se segue para palmilhar pelos pupilos do selecionador Paulo Pereira é o primeiro adversário no main round do Europeu 2026: a Alemanha. Após a retumbante vitória sobre a Dinamarca no derradeiro jogo da fase de grupos, na Jyske Bank Boxen, a catedral do andebol do país escandinavo, onde os tetracampeões mundiais não perdiam desde 2014 e contra mais de 15 mil adeptos nacionais nas bancadas, assegurando dois pontos de bónus para esta fase, não é pretensioso considerar que a vitória está ao alcance de Portugal.

Ainda mais, sabendo-se que os germânicos são adversário de boa recordação recente para os Heróis do Mar, que os venceram em emocionante duelo nos quartos de final do Mundial de 2025, em Oslo, Noruega, com um golo de Martim Costa nos segundos finais de um frenético prolongamento. Difícil, portanto. Mas não há facilidade na caminhada da glória.