Sapatilhas de 100g e treino intestinal: o segredo do recorde mundial da maratona
O queniano Sabastian Sawe tornou-se no primeiro atleta a completar a maratona em menos de duas horas, estabelecendo um novo recorde mundial de 1:59.30 horas. O feito, alcançado no passado domingo na Maratona de Londres, é atribuído aos avanços tecnológicos e à ciência do desporto.
A magnitude do evento foi tal que o segundo classificado, o etíope Yomif Kejelcha, também terminou a prova abaixo da barreira das duas horas, com o tempo de 1:59.41 horas. Na competição feminina, a etíope Tigst Assefa melhorou o recorde mundial, que já lhe pertencia, em nove segundos, fixando a nova marca em 2:15.41 horas.
Segundo especialistas, a tecnologia foi um fator decisivo. As sapatilhas utilizadas pelos atletas da frente pesavam menos de 100 gramas e foram desenhadas para diminuir o desperdício de energia e aumentar a impulsão a cada passada. A preparação física, apoiada pela ciência do desporto, incluiu ainda trabalhos de musculação e de melhoria da capacidade respiratória e cardiovascular.
No caso específico de Sabastian Sawe, um método de treino inovador destacou-se: um programa focado na educação do intestino, desenvolvido por uma equipa especializada. Julia Bargieri, nutricionista do Comité Olímpico do Brasil.
«Nós não treinamos só para correr, treinamos para conseguir comer durante a corrida para que a energia se mantenha. Aumentamos a capacidade de absorção pelo intestino de uma maior quantidade de hidratos de carbono. Se eu fizer isto devagar, ao longo de seis meses, o meu intestino vai-se habituando a absorver melhor», detalhou a especialista.
Esta preparação nutricional foi crucial na segunda metade da maratona, período em que o queniano manteve uma impressionante média de 21,4 km/h. «Essa reta final é exatamente onde a nutrição entra. É como se eu tivesse um posto de gasolina aditivada. Quanto mais cheio é o tanque, mais o meu carro vai andar», concluiu Bargieri.
Para dissipar quaisquer dúvidas sobre a integridade do desempenho de Sawe, a própria equipa técnica solicitou um aumento na frequência dos controlos antidoping. Recorde-se que o Quénia é o país com o maior número de atletas suspensos por uso de substâncias proibidas.