Elijah Just foi o primeiro jogador da Nova Zelândia a marcar dois golos num Mundial (IMAGO) - Foto: IMAGO

Saiu de casa aos 14 anos, viveu num anexo dinamarquês e agora fez história pelos 'All Whites' no Mundial

Eli Just é o primeiro neozelandês a marcar dois golos no Campeonato do Mundo

Ainda não foi desta que a Nova Zelândia conseguiu a primeira vitória na fase final de um Campeonato do Mundo, mas do empate com o Irão, na última madrugada, saiu uma nova estrela nacional: Elijah Just, autor de um bis para os All Whites.

Tanto no Mundial de 1982, disputado em Espanha, como na segunda presença, em 2010, na África do Sul, a Nova Zelândia foi eliminada na fase de grupos com apenas dois golos marcados. Tantos quantos marcou agora, logo na primeira jornada, por obra de Eli Just, o primeiro jogador do país a festejar dois golos no Mundial, e logo no mesmo jogo. Chris Wood, habitual goleador da equipa, fez duas assistências e cedeu o protagonismo ao colega que partiu do lado direito do ataque.

Elijah Just nasceu a 1 de maio de 2000 (26 anos) em Palmerston North, na Ilha Norte da Nova Zelândia, filho de pai alemão e mãe chinesa. Saiu de casa com apenas 14 anos, para integrar a Olé Football Academy, em Wellington. «Fui para um dormitório. Penso que era o mais novo, na altura. Tive de crescer depressa, mas quando olho para trás penso que talvez tenha sido a fase mais divertida da minha vida», chegou a dizer.

Já como profissional representou Western e Eastern Suburbs, nos escalões inferiores, mas com apenas 19 anos mudou-se para a Europa, como reforço do Helsingor, da terceira divisão da Dinamarca. «Tive a felicidade de ir lá com dois outros neozelandeses. Como tive esse apoio não fiquei tão isolado», recordou o jogador, que depois ficou a viver com uma família local. «Depois de assinar contrato fui para o Mundial sub-20 e a família disse que ia transformar um anexo para eu viver. Fiquei muito feliz. Era um quarto pequeno com uma cama de solteiro, mas eles até recebiam a minha namorada quando ela ia visitar-me.»

Mesmo no velho continente, o avançado tem feito quase todo o trajeto em escalões inferiores: em 2022 assinou pelo Horsens, mas caiu da elite do futebol dinamarquês no final da primeira época, e em 2024/25 esteve cedido ao St. Polten, da segunda divisão austríaca.

A época de explosão foi a última, ao serviço do Motherwell, que ficou em quarto lugar na Liga escocesa, sob o comando de Jens Berthel Askou, técnico que já tinha treinado Just no Horsens. Com sete golos e sete assistências em 43 jogos, Eli foi mesmo nomeado para o prémio de Jogador do Ano, arrecadado pelo português Cláudio Braga (Hearts).

Ainda assim, o desempenho do neozelandês impressionou até o capitão do Motherwell, Paul McGinn, que temeu o pior quando viu o avançado de 1,74m pela primeira vez: «Olhei para ele e pensei: “Futebol escocês?! Podes ter problemas aqui!”».

O nome de Eli Just tem agitado o mercado no Reino Unido, mas não só, até porque Askou já foi anunciado como novo treinador do Toulouse. Os golos no Mundial podiam despertar ainda mais cobiça pelo avançado, avaliado em 2,5 milhões de euros, e agora com 11 golos em 45 internacionalizações pelos All Whites, que representa desde 2019.

A iniciar sessão com Google...