Humberto Coelho durante a entrevista a A BOLA (Foto: Breno Barison)
Humberto Coelho durante a entrevista a A BOLA (Foto: Breno Barison)

«Rui Costa está no auge e é um presidente sem ego»

Em entrevista a A BOLA, Humberto Coelho, candidato a vice-presidente na lista de Rui Costa, elogia a personalidade do atual líder

– Se for preciso, pode ir até ao balneário falar com os jogadores?

– Não, não. No balneário é o treinador que manda. Posso descer ao balneário, mas com autorização do treinador. Não vou estar agora a dizer que vou para o balneário, de maneira alguma. A minha posição é só uma: ajudar o Benfica a ganhar. E aí não vou ter que dar satisfações a ninguém. Só dou aos benfiquistas. Importante é sabermos como se ganha. Como vamos ganhar.

– Vê também qualidades na candidatura adversária?

– Sim, claro, vejo algumas qualidades. Mas não são suficientes, porque não têm o conhecimento do clube e isso não é suficiente para governar o Benfica.

– Vê Rui Costa como presidente-ditador, digamos assim, ou como um presidente de consensos?

– Rui Costa é um presidente de consensos, mas é, ao mesmo tempo, um presidente forte. Só que é sereno a falar e sereno a decidir, o que é fundamental. O Rui Costa não é um presidente de andar a fazer muito barulho, mas, quando é preciso, ele está lá. Depois, quando é preciso mostrar o conhecimento do que é o Benfica, ele também está lá. Porque ele conhece tudo o que se passa no Benfica. É por isso que ele é o presidente ideal para o Benfica.

– Que diferenças vê entre Rui Costa e Noronha Lopes?

– Conhecimento e capacidade de gerir. E também a sua equipa. Sabe quem é o nosso presidente do Conselho Fiscal? É o filho de um dos grandes presidentes do Benfica: Fernando Martins! Raul Martins é uma pessoa extraordinária e com uma competência fantástica. Temos, depois, outro filho de outro presidente. Aliás, de outro grande presidente: Jorge de Brito. Manuel de Brito está na sustentabilidade. A nossa equipa tem pessoas em todas as posições que conhecem o clube por dentro. E no imediato.

– Há 25 anos, no Euro 2000, o Humberto era o selecionador nacional e treinava Rui Costa e Nuno Gomes. Como é que os vê passados 25 anos?

– O Rui está no auge. Vai ter um papel importantíssimo na história do Benfica. As pessoas gostam dele. É um presidente sem ego, é um presidente que gosta de trabalhar e que gosta do que faz. É o pai da família benfiquista. O Nuno Gomes foi um bom jogador e uma boa pessoa.

– Esperava a diferença da primeira volta entre os dois candidatos?

– Sim, esperava. E agora, no sábado, espero que todos aqueles que votaram na primeira volta apareçam para votar na segunda. Que ganhe as eleições quem mereça, mas não tenho qualquer dúvida de que o nosso projeto é o melhor e o nosso presidente é o melhor.

– Qual é o projeto desportivo da vossa equipa?

– Fala-se muito em projetos e em pessoas, mas o Benfica precisa é de menos slogans. A Direção do Rui Costa apresenta um projeto que já está em execução, com resultados e com uma estrutura profissional forte. Quanto a vitórias, não são palavras, é competência, conhecimento do clube. Isto é que é o nosso projeto. Conhecemos o clube por dentro e sabemos bem o que temos que fazer para ganhar, porque no Benfica há uma coisa que é fundamental: ganhar, ganhar, ganhar. A nossa equipa está preparada para ganhar e para trabalhar.

– Tema sempre presente nestas campanhas tem sido a formação. Quais as vossas ideias para a formação do Benfica?

– A formação é fundamental, claro, mas não basta dizê-lo, é preciso fazê-lo. Temos uma das melhores formações do mundo, uma das melhores academias do mundo. O complexo do Seixal é extraordinário. Dele já saíram muitos jogadores para grandes potências europeias. E vai continuar a ser uma das melhores academias do mundo. A competência do staff que está no Seixal é enorme. Tem trabalhado muitíssimo bem e assim vai continuar a trabalhar. Porém, não se pense que todos os anos vão sair cinco ou seis jogadores para a equipa principal. Isso é impensável, pois há jogadores muito bons nos juniores, mas depois, quando chegam aos seniores, seja por questões físicas ou de mentalidade, não conseguem passar aquele degrau para a primeira equipa. No meu tempo de júnior, havia jogadores melhores do que eu e passei, e eles ficaram pelo caminho. Quando joguei a primeira vez na equipa principal, com o Oriental, em Marvila, tinha 16 anos, o mister Ângelo era o treinador. Ganhámos por 4-1 e, quando acabou o jogo, ele chegou ao balneário, deu-nos os parabéns e disse: “Boa, rapazes, mas temos que fazer mais e melhor.” Comecei ali, em Marvila, a compreender o que era o Benfica. Ganhar 4-1 fora de casa e o treinador dizer: 'Temos de fazer melhor.'