Rui Costa, presidente do Benfica
Rui Costa, presidente do Benfica

Rui Costa cercado por crise geral no Benfica e Mourinho não ajuda

Presidente enfrenta forte contestação e alto risco desportivo e financeiro, que pode ter custos sérios na próxima temporada

O Benfica pode ter comprometido de uma vez por todas o acesso ao segundo lugar da Liga e à fase de eliminatórias da UEFA Champions League, a única forma que tinha de chegar à fase de liga da prova milionária e aos milhões que sustentam financeiramente clube e plantel, que permitem atrair treinadores e jogadores competitivos.

Depois de ter ganho vantagem aparentemente decisiva em relação ao Sporting, eis que a equipa de José Mourinho falhou em grande com empates em Famalicão (2-2) e na Luz, frente ao SC Braga (2-2).

Jogadores foram ontem contestados no relvado em mais do que uma ocasião, durante a partida e no final, quando enfrentaram as bancadas — «Vocês são uma vergonha», entoaram os benfiquistas — já sem a companhia de José Mourinho, treinador da equipa, mas o alvo principal da ira foi o presidente do clube, o mesmo presidente que conquistou com autoridade as eleições em outubro. Ouviram-se bem os pedidos de «demissão», assim como outras coisas, que não têm lugar nestas linhas.

Rui Costa está, neste momento, cercado pelo caos: lida com forte crise interna (sócios divididos), lida com graves problemas desportivos (falhou principais objetivos), delapidação do plantel (exemplo de Sudakov ou Ivanovic), com jogadores valiosos a perder valor, lida igualmente com questões de ordem financeira, pois o risco de falhar a Champions é muito real e sem os milhões da prova milionária não será fácil fazer plantel tão caro como o atual e convencer jogadores e, sobretudo, Marco Silva a aceitar o projeto.

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O treinador português do Fulham, de 48 anos, é desejado para substituir José Mourinho, a confirmar-se a saída deste para o Real Madrid, e os argumentos com Champions ou sem Champions não são obviamente os mesmos —Nuno Catarino, o rosto financeiro do Benfica, o CFO da SAD, explicou as diferenças, em entrevista à televisão do clube, realizada há apenas um mês, quando perspetivava outra situação: «Para já, o cenário, obviamente, é de chegarmos à Liga dos Campeões. É o cenário central e é sempre para ele que trabalhamos. Nalguma eventualidade, muito remota, acredito, de ser algo diferente, temos de fazer os ajustamentos necessários para garantir o equilíbrio económico-financeiro e desportivo do Benfica.»

Rui Costa enfrenta, pois, problemas graves e de todas as origens quando o final da temporada de aproxima: a última jornada, no Estoril, chega com a casa benfiquista a escaldar, sob pressão interna e externa, que põe em causa presidente, jogadores e treinador.

José Mourinho não ficou para ver os lenços brancos que apareceram nas bancadas e também não foi um conforto para Rui Costa no final da partida, afirmando com todas as letras que neste momento não renovaria contrato com o Benfica: «Não, 1 de março é 1 de março, não é altura para pensar em contratos», explicou o técnico, aludindo ao timing em que estaria disponível para assinar até junho de 2029 e, também, ao facto de a Liga estar na reta final.

José Mourinho disse igualmente que tem estado «isolado» no seu trabalho, o que significa algo muito diferente da «sintonia» que Rui Costa garantiu haver em declarações exclusivas a A BOLA, e ainda sublinhou que é ele quem «decide os momentos», como quem diz que é Mourinho e apenas Mourinho que escolhe se fica ou sai do Benfica ou quando fica ou sai da Luz.

O mais alto dirigente dos encarnados tem, pois, de pensar seriamente no processo treinador e, muito provavelmente, em abordar o mercado sem o habitual conforto financeiro da Champions. O Benfica precisa de vencer o Estoril na Amoreira e esperar depois que o Sporting não ganhe ao Gil Vicente, em Alvalade. É futebol, é possível, mas é altamemente improvável, mais a mais aos olhos dos benfiquistas, depois de terem dormido as últimas semanas à frente dos leões.

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