Pedro Amaral festeja depois de marcar ao FC Porto - Foto: A BOLA
Pedro Amaral festeja depois de marcar ao FC Porto - Foto: A BOLA

A noite em que o Rio Ave deixou o dragão em choque: «Tudo saía como queríamos»

Do golo à assistência, Pedro Amaral revive a vitória que marcou o Rio Ave-FC Porto de 2022. Foi a última derrota dos azuis e brancos em Vila do Conde, com o lateral a brilhar ao lado de Aziz

Os jogos entre Rio Ave e FC Porto costumam ser testes exigentes para os dragões, em particular quando são jogados em Vila do Conde. Ainda assim, o histórico não deixa grandes dúvidas: em 74 confrontos, os vila-condenses só venceram três vezes, duas delas em casa. A mais recente aconteceu a 28 de agosto de 2022, na 4.ª jornada da Liga 2022/23, numa noite recordada a A BOLA pelo lateral-esquerdo Pedro Amaral.

O Rio Ave de Luís Freire surpreendeu um FC Porto orientado por Sérgio Conceição com uma exibição de caráter e enorme eficácia, atingindo o intervalo a vencer por 3-0. Aziz bisou, aos 22 e 43 minutos, e Pedro Amaral marcou pelo meio, aos 33’, antes de Toni Martínez reduzir já nos descontos. Pedro Amaral, que também fez a assistência para o primeiro golo, guarda essa partida com particular carinho. Além da vitória rara sobre os azuis e brancos, foi o primeiro golo do lateral pelo Rio Ave no principal escalão.

Pedro Amaral celebra um dos golos de Aziz, depois de uma assistência sua

«Foi um momento muito, muito especial mesmo. Foi o culminar também de uma primeira parte de grande nível, não só a minha, como de todos. Também foi o meu primeiro golo no Rio Ave e senti-me mesmo muito feliz. Foi aquela adrenalina de se fazer um golo, é o que se sente quando marcamos e podemos ajudar a equipa», recordou.

Na altura, preparámos o jogo da mesma forma como preparávamos os outros. O mister Luís Freire tinha muito clara a sua ideia, fosse contra quem fosse

O antigo jogador dos vila-condenses explica que não houve uma preparação diferente para receber o FC Porto. A matriz de Luís Freire manteve-se, independentemente do peso do adversário, mas a equipa viveu uma dessas noites mágicas, em que tudo bate certo. «Nós, na altura, preparámos o jogo da mesma forma como preparávamos os outros. O mister Luís Freire tinha muito clara a sua ideia, fosse contra quem fosse. Executamo-la da mesma forma, mas é daquelas noites em que parece que tudo sai da forma como queremos», confirma. 

Pedro Amaral e Pepê, um dos 'sobreviventes' do FC Porto de 2022

A vantagem de três golos ao intervalo não alterou, segundo Pedro Amaral, a serenidade de um conjunto que se sentia confortável no jogo e não se deixou dominar pela dimensão do resultado: «Sinceramente, senti que ao intervalo estávamos a desfrutar de jogar e não estávamos com a pressão de ter de ganhar. Senti mesmo a equipa tranquila, independentemente do resultado. O que falávamos era como se estivesse 0-0 e partir para a segunda parte da mesma forma.»

Senti que ao intervalo estávamos a desfrutar de jogar e não estávamos com a pressão de ter de ganhar. Senti mesmo a equipa tranquila, independentemente do resultado. O que falávamos era como se estivesse 0-0 e partir para a segunda parte da mesma forma

A goleada parcial causava surpresa pelo adversário, pelo momento da época e pela raridade de ver uma equipa de Sérgio Conceição tão vulnerável em Vila do Conde. Para Pedro Amaral, porém, a evolução do campeonato português impede comparações lineares entre aquele FC Porto e o atual, sem retirar valor à proeza rioavista: «São tempos diferentes. Acho que hoje as equipas estão muito mais fortes, muito mais equilibradas. Não sei se naquela altura era o melhor FC Porto ou, em comparação com o de hoje, o FC Porto atual, se calhar, é um pouco mais forte. Não desvalorizando aquilo que fizemos, mas é a realidade.» 

São tempos diferentes. Acho que hoje as equipas estão muito mais fortes, muito mais equilibradas. Não sei se naquela altura era o melhor FC Porto ou, em comparação com o de hoje, o FC Porto atual, se calhar, é um pouco mais forte. Não desvalorizando aquilo que fizemos, mas é a realidade.

«Também não nos podemos esquecer que o FC Porto era liderado pelo mister Sérgio Conceição, ou seja, à partida é sempre uma equipa competitiva, sejam quais forem os jogadores no plantel. É de mais valorizar aquilo que nós fizemos», acrescenta. 

Livre e pronto para novo desafio

A vitória teve uma repercussão que ultrapassou os três pontos. Aziz, autor de dois golos, ganhou visibilidade, enquanto Pedro Amaral viu igualmente reforçado o reconhecimento pelo impacto direto que teve num resultado que ficou inscrito na história recente do clube.

«Sabemos que ganhar a um grande tem sempre proporções maiores. O nível mediático é diferente. O mister Freire tinha essa particularidade de encarar os jogos, seja contra quem fosse, da mesma forma. Mas o pós-jogo obviamente que foi diferente do que termos um jogo contra uma equipa do nosso nível. Acaba sempre por ser especial pelo reconhecimento que temos no fim», admite.

O pós-jogo obviamente que foi diferente do que termos um jogo contra uma equipa do nosso nível. Acaba sempre por ser especial pelo reconhecimento que temos no fim

O lateral admite, de resto, que essa exposição se refletiu também na sua carreira: «A nível pessoal também senti um reconhecimento diferente por não só termos vencido, mas também por estar envolvido no resultado diretamente.»

Continuo na minha rotina normal diária como se estivesse num clube: a treinar, a cuidar do meu corpo, a descansar e a treinar outra vez. É o que consigo controlar, neste momento

Pedro Amaral deixaria o Rio Ave em janeiro dessa mesma temporada, rumando à Arábia Saudita, apesar de ter outras possibilidades em Portugal. Agora livre, depois de terminar um ciclo também ele muito sólido no Estoril, mantém a preparação física enquanto aguarda pelo próximo desafio: «Continuo na minha rotina normal diária como se estivesse num clube: a treinar, a cuidar do meu corpo, a descansar e a treinar outra vez. É o que consigo controlar, neste momento. Tenho-o feito da melhor maneira para, quando tiver alguma coisa certa, poder estar na melhor forma possível.»

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