Antonio Conte despediu-se do Nápoles no final da época passada
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«Na Premier League usam-se bazucas, nas outras ligas ainda pistolas...»

Antonio Conte destaca o fosso financeiro entre o campeonato inglês e os restantes, apontando baterias para o futuro com o desejo de acordar um gigante adormecido

Numa extensa entrevista concedida ao The Athletic, Antonio Conte passou em revista a carreira de treinador e deixou mensagens claras sobre o futuro imediato. O italiano admite voltar ao ativo a meio da época em curso caso «valha a pena» e traça o perfil do seu próximo desafio: resgatar um gigante europeu adormecido.

«Se chegas a um clube cuja história fala por si — feita de troféus, títulos e vitórias —, só a podes honrar de uma forma: ter a ambição de colocar essa equipa novamente a lutar por esses objetivos. Há muitos clubes que se perderam um pouco. Gostaria de ir para um deles, tirar o pó a esse passado e fazê-los brilhar novamente. Clubes onde se sente a pressão e onde se sabe perfeitamente que não se vai apenas para participar, mas para competir», sublinhou o técnico de 57 anos.

A fome insaciável de vitórias nasceu dos desaires mais marcantes enquanto futebolista, nomeadamente as duas finais perdidas por Itália (no Mundial 1994 e no Euro 2000), bem como os três duelos decisivos da Champions em que saiu derrotado com a camisola da Juventus (1996/97, 1997/98 e 2002/03).

«Quando falo com os meus jogadores, puxo por uma determinação competitiva feroz e tento incuti-la neles, porque sei como as coisas são. Já ganhei muito, mas também perdi muito. Se perdes uma final de um Mundial ou da Liga dos Campeões e depois vais de férias, podes pensar que haverá outra oportunidade. Mas nem sempre há outra oportunidade. Aquela era a oportunidade», explicou.

Esta exigência máxima acabou por acelerar a saída do Tottenham em 2023, clube onde, a par da Atalanta, não venceu títulos. O treinador recordou uma conversa com o então presidente Daniel Levy após um resultado negativo: «Lembro-me que tínhamos empatado um jogo e enviei-lhe uma mensagem. Ele respondeu: 'Não te preocupes, ganhamos o próximo'. 'Que raio...?', respondia-lhe eu. Os jogadores escolhem sempre o caminho mais fácil, aquele que os faz sentir bem e exige menos esforço. O que me deixava louco era ouvir à minha volta dizerem: 'O Tottenham nunca vai ganhar nada. São uns perdedores'.»

Em contraste, Conte destacou a conquista da Premier League ao serviço do Chelsea, na temporada 2016/17, a última alcançada pelos blues: «Esse é precisamente o problema; é por isso que o trabalho árduo é crucial. Ganhar não é fácil, exige esforço. Há quem pense que o sucesso cai do céu e aterra no colo. Mas é preciso ir à procura dele. Falar não chega para que aconteça.»

Ao analisar o panorama do futebol europeu, Conte enfatizou o fosso económico existente entre a liga inglesa e as restantes: «Em Inglaterra usam-se bazucas, enquanto noutros locais ainda se usam pistolas. Mas também é preciso ter atenção à forma como o dinheiro é gasto.»

O técnico recordou ainda a sua passagem pelo Nápoles: «Foram dois anos fantásticos, foi uma experiência maravilhosa, mas gastei muita energia e não foi fácil.»

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