Rui Borges já gelou a Luz e dá a receita para nova surpresa do Alverca
O Alverca defronta o Benfica no Estádio da Luz, na segunda-feira, em duelo referente à décima jornada da Liga, com um objetivo claro em mente: pontuar contra os três grandes pela primeira vez desde o regresso ao principal escalão, em 2025.
Os ribatejanos perderam todos os oito jogos que já disputaram contra Benfica, Sporting e FC Porto na Liga desde o regresso à elite. Para inverter a tendência em pleno Estádio da Luz é preciso repetir um feito alcançado há 25 anos.
O Alverca venceu pela primeira e única vez até ao momento na casa do Benfica (2-0), a 4 de maio de 2001, a três jornadas do final da Liga. Os ribatejanos começaram a construir o terceiro triunfo em quatro jogos contra as águias através de um autogolo de Dudic, aos 17', antes de Rui Borges ter selado a surpresa, aos 68'.
O extremo só precisou de encostar para protagonizar mais um capitulo na história de dissabores provocados pelo Alverca aos três grandes. «Nunca é igual marcar golos aos grandes, altera totalmente a nossa rotina», admitiu em conversa com A BOLA. Rui Borges ganhou três vezes pelo Alverca ao Benfica, mas o golo marcado na Luz potenciou a atenção mediática: «Quando se marcava golos às equipas grandes, já sabíamos que durante a semana íamos ter duas ou três entrevistas e a possibilidade de aparecer num programa televisivo, era algo muito significativo.»
O golo assinado foi a cereja no topo de um bolo em forma de uma vitória «muito bem conseguida». Rui Borges admitiu que a maturidade do Alverca contrastava com a infelicidade do Benfica que «não estava a atravessar um bom momento».
«Era o terceiro ano do Alverca na Liga com jogadores maduros e mais experientes. A nossa equipa estava talhada para jogar no contra-ataque, defendíamos bem e nos jogos com os grandes acabávamos por aproveitar bem os espaços nas costas. O jogo com o Benfica correu-nos muito bem.», frisou.
Rui Borges esteve particularmente inspirado e tirou do sério... Pierre Van Hooijdonk, uma das estrelas do Benfica. «Na primeira parte, estava a fazer gato-sapato do Dudic no lado esquerdo e ele nem se aproximava. O Van Hooijdonk estava tão irritado que veio defender o meu lado e deu-me uma cacetada nada simpática», recordou o atual diretor desportivo dos egípcios do ZED FC. Tudo ficou sanado após o apito final: «Ele veio ao balneário a perguntar por mim para me pedir desculpa, foi elegante da parte dele.»
Se o Benfica contava com o bombardeiro neerlandês na frente, o Alverca tinha... o futuro do ataque das águias nas mãos. «O Mantorras era um jogador fora do normal, ajudou-nos a fazer uma época muito positiva», frisou Rui Borges sobre o avançado que já tinha sido apresentado como jogador das águias, a 17 de abril de 2001.
Mantorras rumou aos encarnados no final da temporada... tal como Jesualdo Ferreira «peça muito importante» no 12.º lugar conquistado pelo Alverca e Luís Filipe Vieira, que presidia os ribatejanos.
«Conseguimos fazer uma época positiva, não só pelos resultados, mas também pelas exibições agradáveis que fazíamos», apontou.
A receita para nova surpresa, 25 anos depois
Rui Borges continua a acompanhar o Alverca, mesmo no Egipto ao serviço do ZED FC. O antigo extremo e atual diretor desportivo destacou o registo de uma equipa que «tem uma média de idades mais baixa» e «mais jogadores estrangeiros» em relação aos ribatejanos que chocaram o Estádio da Luz em 2001.
A receita para nova surpresa, ainda assim, é imune à passagem do tempo: «O segredo passará pela estratégia, aproveitar mais as costas do Benfica e depois jogar um bocadinho com os minutos. Os adeptos vão começar a enervar-se se o Benfica não começar a ganhar cedo e os jogadores também começam a ficar nervosos. São humanos, também erram.»
O antigo jogador do Alverca recordou as palavras de José Romão, antigo treinador dos ribatejanos que venceu o Benfica e o Sporting e empatou contra o FC Porto em 1999/2000: «Ele dizia muitas vezes 'Os adeptos vão começar a assobiar, o treinador vai começar a ficar nervoso e a fazer substituições e nós vamos beneficiar disso'. A verdade é que funcionava. Conseguíamos enervar os grandes, não só em casa, mas também fora.»
Rui Borges destacou o nível superior dos comandados de Marco Silva, que «têm feito muito boas exibições» em relação ao Benfica de 2001, que terminou a Liga na sexta posição. Mas há esperança num resultado histórico: «Aumenta um bocadinho a dificuldade, mas quanto maior o risco, maior a recompensa. Estes são os palcos nos quais todos os jogadores querem jogar.»
O duelo de segunda-feira afigura uma «oportunidade de poder obter um bom resultado e fazer uma boa exibição» e somar pontos no Estádio da Luz pela terceira vez na história. Além do triunfo em 2001, os ribatejanos empataram 2-2 na casa encarnada, a 17 de outubro de 1998.