Mauro Xavier: «Gastamos cada vez mais para ganhar cada vez menos»
Mauro Xavier pediu respostas à direção do Benfica durante a intervenção na Assembleia Geral do clube, realizada este sábado no Pavilhão n.º 2 da Luz. «São três épocas sem sermos campeões. Mudaram as palavras, mas o discurso é o mesmo: promete sem esclarecer», frisou o mediático sócio das águias.
Mauro Xavier alertou para a subida dos custos operacionais na última temporada: «Temos 42 jogadores, contra 80 em 2021/22. Ainda assim, as amortizações e imparidades subiram 23%, para 52,2 milhões, e os gastos com pessoal do Grupo chegam a quase 160 milhões. Gastamos cada vez mais para ganhar cada vez menos.»
Para o gestor «o modelo de gestão está esgotado» e o Benfica «tem de equilibrar as contas para manter os melhores jogadores».
O discurso completo de Mauro Xavier
«Senhor Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Senhor Presidente da Direção, caros consócios.
Em junho pedi aqui à Direção que explicasse as suas escolhas e assumisse os erros. Volto a fazê-lo.
Em 2023/24, o Presidente anunciava «medidas impactantes, já em curso». Este ano, garante que «as mudanças empreendidas vão permitir alcançar os patamares almejados».
São três épocas sem sermos campeões. Mudaram as palavras, mas o discurso é o mesmo: promete sem esclarecer.
Reconhecer que ficámos aquém não é prestar contas. Que medidas falharam? Que decisões foram erradas? O que vai mudar e o que se vai deixar de fazer? Nada disso está neste relatório.
Reconheço os méritos: o novo contrato com a Adidas a partir de 2027/28, o Emirates Lounge e o recorde de quotização. Mas o essencial não mudou.
Os custos operacionais subiram mais de 4% e as receitas caíram cerca de 3%. Sem as transferências de jogadores e os 15 milhões de Mourinho, o défice operacional rondaria os 75 milhões de euros. E esta época, fora da Champions, estima-se uma perda de 30 a 35 milhões.
Temos 42 jogadores, contra 80 em 2021/22. Ainda assim, as amortizações e imparidades subiram 23%, para 52,2 milhões, e os gastos com pessoal do Grupo chegam a quase 160 milhões. Gastamos cada vez mais para ganhar cada vez menos.
O modelo de gestão está esgotado. O Benfica não pode vender os melhores jogadores para equilibrar as contas. Tem de equilibrar as contas para manter os melhores jogadores.
Num só ano, entregámos ao Estado 79 milhões em impostos e contribuições. Onde está a nossa proposta para uma fiscalidade que nos permita competir na Europa?
Temos também de fazer muito mais fora das quatro linhas, para defender a verdade desportiva dentro delas.
Sobre o estado putrefacto da nossa arbitragem, a Direção diz ter entregue uma proposta à Federação em setembro. Ainda bem. Que passos vai dar para que essa proposta se torne uma decisão?
A Luz esteve fechada em agosto por incidentes de 2022 e 2023. Onde está a nossa proposta para um regime de sanções mais justo?
Na centralização dos direitos televisivos ficámos isolados. Ter razão não chega. É preciso liderar: propor, construir maiorias e fazer valer o peso do Benfica.
E temos a maior força do futebol português: os sócios. Envolvam-nos na construção destas propostas. Uma Direção forte só tem a ganhar com esse contributo.
Todos neste pavilhão queremos o mesmo. Que daqui a um ano possamos discutir o que mudou, e não apenas o que se promete mudar. Como sempre, os sócios estão prontos para ajudar.
Viva o Benfica!»