Roberto Martínez: «Se pudéssemos ter o Cristiano para sempre...»
Roberto Martínez é o primeiro convidado do novo podcast do Portugal Football Summit. Na entrevista divulgada na manhã desta segunda-feira, o Selecionador Nacional olha para a conquista da Liga das Nações no ano passado como um marco que pode contribuir para o sucesso de Portugal nas próximas competições internacionais, nomeadamente no Mundial 2026, que se aproxima a passos largos.
«Foi essencial na forma como se pode comprar confiança, como se pode comprar crença, e se consegue que o grupo tenha uma energia especial. Quando falamos da Liga das Nações é o formato mais difícil. Tem 10 jogos, cerca de 10 meses, cinco estágios diferentes, e depois os dois últimos jogos são o resultado de um quarto de final a duas mãos em março. E depois joga-se contra a Alemanha na Alemanha, um lugar onde não ganhávamos há 25 anos. E é a primeira final contra um campeão europeu. Portanto, quando se olha para a dificuldade e a complexidade do torneio é quase um passo para dizer que fizemos algo que nos pode dar uma confiança incrível para o futuro», frisa o técnico da equipa das Quinas.
O papel crucial de Ronaldo na Seleção
Na equação para este sucesso entra, sublinha Martínez, o papel fundamental de Cristiano Ronaldo, capitão luso: «Vai ser o maior jogador de Portugal de sempre, ganhe ou não o Mundial. Acho que o importante para nós é sabermos como podemos ter a melhor hipótese possível de lutar pelo Mundial, e isso é analisar os nossos padrões e tentar melhorar constantemente. E é essa a forma muito específica como todos os dias lhe dá uma oportunidade de enfrentar uma determinada oposição, da mesma forma que fizemos com a Liga das Nações».
«Nunca trabalhei com um jogador que, todas as manhãs, tenha este foco de tentar usar o dia para melhorar. Se pudéssemos ter o Cristiano para sempre, seria a forma mais fácil de treinar os jogadores mais novos quando chegam à seleção, porque ele tem esse foco. O seu desejo é usar todos os dias para se tornar melhor», referiu ainda o espanhol sobre CR7, antes de destacar a força do coletivo.
«É essencial porque a diferença entre ganhar e não ganhar o troféu é mínima. E ganhar dá-lhe a possibilidade de eliminar a incerteza. A última coisa que se quer num balneário é que qualquer jogador tenha incerteza. Quando não se ganha um troféu, e se fez tudo corretamente, fica-se com esse desconhecido. Nós, quando olhamos para isso, temos tantos jogadores que experienciam ganhar que isso lhes dá a crença e a compreensão do que é necessário nesses momentos-chave durante um jogo, o que ajuda a ganhar. E isso é essencial. Provavelmente é um aspeto que não se pode treinar», realçou.
O impacto dos calendários cada vez mais apertados nos jogadores
Com os calendários competitivos são cada vez mais apertados, Roberto Martínez reforçou a importância de permitir aos jogadores ter um período de descanso definido entre temporadas: «Ninguém quer ceder, mas todos deveriam ceder. Isto não é uma questão de saber se as competições de clubes ou as competições internacionais são as que ganham. Isto não é uma luta para ganhar. Isto é alguém definir que o que um jogador precisa é de uma pausa de três a quatro semanas. Ponto final. Porque o corpo precisa disso, porque os músculos precisam de recuperar, porque há uma fadiga mental que precisa de ser trabalhada».
Refira-se que o podcast do Portugal Football Summit, da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), promete trazer várias figuras de relevo do futebol nacional e internacional até ao arranque da segunda edição do evento que irá decorrer entre os dias 23 e 26 de setembro deste ano, na Cidade do Futebol, em Oeiras.
Veja o episódio completo com Roberto Martínez:
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