Ricardo Sá Pinto já não está no Irão
Ricardo Sá Pinto já não está no Irão - Foto: IMAGO

Relato impressionante de Sá Pinto sobre o Irão

Treinador diz que número de mortos é muito superior ao que tem sido noticiado

Sá Pinto, de 53 anos, esteve no Irão a treinar o Esteghal e, esta quarta-feira, fez relato impressionante sobre o que vivenciou, em declarações à RTP Notícias.

Nestas manifestações falam-se de 20/25 mil mortos? Não! Foi mais do dobro. Muitas imagens e vídeos infelizmente não chegaram à Europa porque foi realmente uma catástrofe

«[Escalar dos conflitos] Já sentia que podia acontecer há algum tempo. Com o contacto que tinha na embaixada fui entendendo isso, era uma questão de tempo. É tudo muito restringido e difícil de viver, principalmente para pessoas europeias como eu, que não estamos habituadas a este regime», começou por dizer.

«Tive jogadores que tiveram problemas por fazerem posts. Nestas manifestações falam-se de 20/25 mil mortos? Não! Foi mais do dobro. Muitas imagens e vídeos infelizmente não chegaram à Europa porque foi realmente uma catástrofe.»

Quando estas ações começaram, não foi uma situação circunstancial, foram dias e dias a matarem crianças, jovens, mais de 50 mil pessoas morreram por se manifestarem pacificamente

Nesta que foi a segunda passagem de Sá Pinto pelo Irão, já havia treinado o Esteghlal em 2022/2023, o treinador falou sobre o impacto que o aumento da tensão no país teve na antiga equipa.

Sá Pinto falou também sobre o impacto que o aumento da tensão no país teve na sua antiga equipa. «No primeiro momento não queria deixar a equipa, mas o pós foi terrível. Quando estas ações começaram, não foi uma situação circunstancial, foram dias e dias a matarem crianças, jovens, mais de 50 mil pessoas morreram por se manifestarem pacificamente. Tive elementos da equipa técnica que regressaram aos seus países e não voltaram, jogadores estrangeiros que foram e não voltaram. Nos tempos de hoje é inadmissível viverem com este regime. A falta de liberdade é demais», sublinhou.