Sá Pinto protegido na embaixada em Teerão: «Gostava de não presenciar uma guerra»
Ricardo Sá Pinto diz estar «incomunicável» enquanto aumenta a tensão no Irão, com trocas de ameaças entre o regime dos Ayatollahs e os Estados Unidos. Teerão já ameaçou mesmo atacar posições norte-americanas no Médio Oriente, caso a administração de Donald Trump avance com uma intervenção militar no país do Médio Oriente.
Foi neste contexto que Sá Pinto, a partir da embaixada portuguesa na capital iraniana, publicou esta quarta-feira um vídeo no Instagram a dar conta do que tem vivido nas últimas horas.
«14 de janeiro de 2026, 20.30 horas aproximadamente, Teerão, na embaixada de Portugal. Tudo aparentemente calmo, há pessoas na rua, carros a circular, enfim… tive de vir aqui porque não tenho tido internet, não tenho tido rede no telefone, estou incomunicável, simpaticamente o nosso representante André Oliveira, que está à frente da embaixada, tem sido inexcedível na ajuda que, quer eu, quer a minha equipa técnica precisamos. Estamos apreensivos para perceber o que é que se está a passar, mas em segurança», começou por dizer.
Um responsável europeu disse à agência Reuters que um ataque norte-americano ao Irão era «provável» muito em breve, se calhar até já esta quinta-feira. Esta situação, relatou Sá Pinto, já fez com que jogadores e elementos da equipa técnica tenham saído da equipa.
Há jogadores que tiveram de sair, que não estavam confortáveis, elementos da minha equipa técnica também, mas há jogadores iranianos que não conseguem sair daqui e que não podem deixar as famílias.
O técnico de 53 anos disse que estão delineados «planos de emergência» para prevenir o pior cenário. «Gostava de não presenciar uma guerra nesta altura, novamente, porque já cá estive logo no início, depois acalmou e agora está na iminência de… mas tenho também responsabilidade profissionais.»
«Aqui não interromperam os campeonatos e ontem tivemos jogo, ganhamos para a taça, felizmente, estamos nos quartos de final e durante esta semana vamos ter outro jogo para a Liga, para já nada está alterado», explica, reforçando que não pretende, para já, abandonar o comando técnico do Esteghlal.
«Sinto-me na obrigação de continuar aqui, de continuar a dar os treinos à minha equipa e perceber se há condições», continuou: «Nesta altura, para mim, é difícil abandonar e espero que, enfim, que tudo se possa ser resolvido pelo melhor. Esse é o meu desejo.»
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