Madrilenos saíram derrotados da visita ao Osasuna. Budimir abriu o marcador, de penálti, Vinícius Jr. empatou com o quinto golo em quatro jogos e, já para lá dos 90', Raúl García fez, com um grande golo, o 2-1 final. 'Merengues' jogam com os encarnados na próxima quarta-feira

Real Madrid perde e a jogar assim faz o Benfica acreditar

Na deslocação a Pamplona, equipa de Arbeloa foi batida pelo Osasuna por 2-1 e até pode perder a liderança para o Barcelona. Só Courtois e Vinícius se salvaram

MADRID — O Osasuna teve que esperar quinze anos para voltar a ganhar ao Real Madrid. O seu treinador era, então, José António Camacho e na turma madrilena jogava Cristiano Ronaldo, que nada pôde fazer para evitar a derrota. Depois de tão longo jejum, ontem a turma de Pamplona logrou uma merecida vitória: foi melhor em tudo que a equipa madrilena que, salvo se Luís Castro conseguir o milagre de levar o Levante à vitória frente ao Barcelona, perderá a condição de líder da LaLiga esta jornada.

Arbeloa voltou a mexer na defesa, a de ontem foi a sexta versão que apresentou desde que é o treinador do Real Madrid. Desta vez, prescindiu do que vinha sendo o habitual lateral-direito, Alexander-Arnold, pondo no seu lugar o capitão Carvajal. No centro, a forçada ausência de Huijsen, por lesão, obrigou ao regresso de Asensio, que tinha vindo a ser poupado devido a um tratamento conservador que estava a seguir para tentar resolver um problema na tíbia. O outro central, Rudiger, ficou no banco sendo o seu lugar ocupado por Alaba. Com estas mudanças, Carreras foi o único sobrevivente da linha defensiva que jogou no Estádio da Luz, a meio da semana.

Uma arriscada aposta do técnico madrileno, tendo em conta a falta de rodagem de Alaba e Carvajal, que pouco têm jogado. Mas certamente a pensar que um desaire neste desafio pode ter solução, o que não sucede no próximo jogo, contra o Benfica: é o tudo ou nada e o aconselhável é ter disponíveis os jogadores que considera imprescindíveis para esse decisivo embate europeu.

O Osasuna, sobretudo no seu campo, é sempre um adversário muito incómodo, que exige ao adversário muito trabalho, espírito de sacrifício, imaginação e profundidade atacante, tudo o que faltou ao Real Madrid em todo o desafio.

O Real começou o encontro instalando-se no meio-campo contrário, com maior posse de bola e um domínio mais aparente do que real, pois a bem organizada defesa dos locais fechou bem todos os espaços, não permitiu que na sua área se dessem situações de perigo e foi preciso esperar um quarto de hora para ver o seu guarda-redes fazer a primeira intervenção.

Pouco a pouco o Osasuna foi adiantando as suas linhas, partindo em grande velocidade para o ataque, mostrando-se cada vez mais descarado e agressivo, criando problemas à defesa do Real. Courtois teve de empenhar-se a fundo para evitar ser batido e Budimir ainda enviou uma bola à trave.

Até que, passada meia-hora, surgiu o lance mais polémico do desafio: o mesmo jogador croata caiu dentro da área, o árbitro mostrou-lhe cartão amarelo por entender que tinha simulado penálti, mas o VAR chamou a atenção do juiz da partida que, depois de rever a jogada, decidiu assinalar falta, por uma pisadela de Courtois sobre o próprio Budimir, que, encarregado de apontar o castigo, enganou o belga e fez o golo que punha a sua equipa em vantagem no marcador.

Se as coisas já estavam complicadas para o Real Madrid, pior ainda ficaram com este golo. Tinha que dar a volta ao resultado adverso, missão que obrigava à melhoria geral do jogo da equipa, em especial no ataque, onde Mbappé passou despercebido durante todo o encontro e em especial na primeira parte, ao contrário de Vinícius, que, apesar de bastante marcado, nunca se escondeu e deu sempre a cara. Mas isso não chegou para evitar que, depois de uma exibição bastante deficiente, a sua equipa tenha chegado ao intervalo a perder... e com toda a justiça.

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Depois do descanso, as coisas continuaram mais ou menos na mesma, com o Osasuna com a situação bem controlada e o Real Madrid mantendo-se estático no ataque, tudo muito previsível.

Arda Guler teve um remate que levou a bola a beijar a barra, mas, fora isso, a defesa visitada manteve-se firme e sem dificuldades para neutralizar as jogadas de ataque visitantes, salvo numa em que Mbappé, depois de um bom movimento, marcou um golo que foi anulado por fora de jogo e em outra em que, pouco depois, surgiu o tento válido, que estabeleceu o empate: grande jogada de Valverde, que foi deixando adversários para trás, centrou para a área e aí apareceu Vinícius para mandar o esférico para o fundo da baliza.

Mas nenhuma das duas equipas se mostrava conformada com o resultado, o empate não interessava a nenhuma delas e os minutos finais foram de jogo aberto, com ataques de um lado e do outro, à procura do golo da vitória, que acabou por aparecer, no último minuto, a favor do Osasuna.

Ceballos cometeu um grave erro que Raúl Garcia aproveitou para bater Courtois, que nada pôde fazer. Já não havia tempo para mais, estava consumada a derrota do Real Madrid e o ciclo de oito triunfos seguidos na liga chegou ao fim.

Ganhou o Osasuna com todo o merecimento, já que foi a equipa que mais fez para o conseguir, frente a um Real onde, salvo Courtois e Vinícius, ninguém se salvou, incluindo Arbeloa, que reagiu tarde e mal. Substituiu jogadores mas sem ter sido capaz de mudar a forma de jogar da equipa que, talvez acusando o esforço feito em Lisboa, fez uma fraca exibição.

O empate teria sido o mal menor, mas até isso não soube aproveitar. Ou o Real Madrid melhora muito ou na quarta-feira o Benfica pode complicar muito a vida e até causar-lhe um sério desgosto. Depois de ver este jogo, Mourinho já sabe o que há a fazer para que isso aconteça.