Rafa Silva no Benfica: um regresso que divide
O tempo de Rafa Silva no Besiktas acabou, e o interesse do Benfica em trazê-lo de volta é real — disso já ninguém duvida. O avançado quer regressar ao futebol português, voltar à casa que conhece como poucos e reviver um ambiente onde viveu os melhores anos da carreira.
Foram sete épocas e meia a vestir de encarnado antes da saída para a Turquia, e voltar agora ao Benfica parece, à primeira vista, uma solução perfeita. Voltar para Portugal para jogar no Sporting ou no FC Porto, se estes o quisessem, traria embaraços para o jogador e igualmente para o Benfica.
Quanto à qualidade, não há muito a discutir: mesmo aos 32 anos (faz 33 em maio), Rafa continua a ser um jogador acima da média. Os números estão aí. No Besiktas, mesmo em conflito e afastado, somou cinco golos e três assistências em 16 jogos. Na última temporada de águia ao peito (2023/2024), saiu com 22 golos e 15 assistências em 52 jogos. Um craque continua a ser um craque — mesmo longe.
Um craque continua a ser um craque — mesmo longe.
Ainda assim, independentemente dos valores envolvidos, o regresso de Rafa Silva levanta questões sérias. Qual é o plano para o jogador? José Mourinho precisa de talento, e Rafa poderia oferecer algo que o plantel atual simplesmente não tem. Mas é preciso perguntar: para quê exatamente? Para impacto imediato ou para preparar o futuro? Rafa não joga há algum tempo, nem se treina em condições ideais. E o Benfica, esta época, simplesmente não tem tempo. Na verdade, nunca teve.
Se o objetivo for preparar a próxima temporada, será essencial perceber se ela será com ou sem Mourinho. Essa resposta muda muito o contexto. Além da qualidade inegável, Rafa representa uma identidade de Benfica que, em boa verdade, já não existe. O problema é que nunca foi um líder. Segundo relatos, chegou a recusar ser capitão e evitou sempre o papel de voz do balneário. Se regressar, carregará o peso da liderança que antes não quis assumir. E há feridas que ainda não sararam. Muitos benfiquistas não esquecem a saída a custo zero e o facto de não ter renovado contrato. Outros acham que o clube fez mal em não ceder às exigências salariais. Rafa, como sempre, divide opiniões.
Há feridas que ainda não sararam.
O avançado pode voltar a ser decisivo dentro de campo, mas há armadilhas claras. Ter Rafa será sempre melhor que não ter, mas, desconhecendo contexto e outros pormenores determinantes para este tipo de decisões, considero que José Mourinho e a estrutura do futebol encarnado poderiam ter agora, paradoxalmente numa época que não está a correr bem, margem de manobra para experimentar, de forma afirmativa, jovens da formação. Como o próprio treinador disse, se não forem lançados, nunca saberemos se estão prontos. Talvez fosse altura de descobrir isso. Rafa seria um luxo, sim, mas também um teste à coerência do projeto desportivo do Benfica.
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