O português José Boto assumiu cargo de diretor executivo paras o futebol no ano passado - Foto: Flamengo
O português José Boto assumiu cargo de diretor executivo paras o futebol no ano passado - Foto: Flamengo

Tensão entre jogadores do Flamengo e José Boto

Dirigente português também está a ser alvo de contestação

A forma como José Boto, diretor executivo para o futebol, conduziu a demissão do treinador Filipe Luís gerou uma onda de contestação interna no Flamengo, agravando a já delicada situação do português no clube.

O dirigente enfrenta a maior crise desde que chegou, com jogadores e funcionários a demonstrarem crescente descontentamento.

A decisão de afastar Filipe Luís partiu do presidente Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, mas foi Boto quem a comunicou ao treinador.

O momento escolhido foi o balneário do Maracanã, logo após a conferência de imprensa do treinador, numa conversa que não durou mais de um minuto.

Durante o breve diálogo, o diretor português terá afirmado que não concordava com a decisão, tratando-se de uma ordem da presidência. Contudo, esta versão é contrariada pela informação de que Boto já estaria a negociar ativamente com Leonardo Jardim dias antes do despedimento.

O mal-estar no seio do plantel intensificou-se no treino de ontem, terça-feira. Numa curta intervenção, José Boto reuniu os jogadores e atribuiu-lhes parte da responsabilidade pela saída do treinador, afirmando que alguns se preocupam mais em melhorar os contratos do que com o rendimento desportivo. O discurso foi recebido em silêncio e desagradou ao grupo, que abandonou o local sem responder ao dirigente.

Este episódio evidencia o distanciamento entre o diretor e o plantel. Os jogadores criticam a falta de contacto de Boto no dia a dia, especialmente em momentos de crise, como na derrota na Supertaça frente ao Corinthians, em que a ausência no relvado após o jogo foi notada.

Desde a chegada, em janeiro de 2025, com a missão de reformular o departamento de futebol, o dirigente português nunca fez questão de ser uma figura consensual.

Apesar de ter sido contratado como um especialista em prospeção de mercado, com a promessa de alterar a estratégia do Flamengo nas transferências, o trabalho é descrito internamente como superficial.

Fontes do clube apontam que os avultados investimentos em reforços contrariam a reestruturação prometida. Embora tenha defendido Filipe Luís em várias ocasiões junto do presidente, Boto afastou-se do treinador nos dias que antecederam à demissão.

O presidente Bap continua a apoiar o diretor português, mas o cargo de Boto está cada vez mais instável. O clima, descrito como quase insustentável, levou o presidente a intervir mais no quotidiano do futebol. Boto tem sido alvo de protestos por parte dos adeptos, mas mantém a confiança de Bap, que o consulta em todas as matérias relacionadas com o futebol.

O desgaste atual é superior ao de julho do ano passado, quando o presidente vetou a contratação de Mikey Johnston e surgiu a polémica com Pedro. Já nessa altura, os métodos de Boto geravam desconforto. Um dos episódios mais marcantes foi a publicação de Arrascaeta no Instagram, que, insatisfeito com a condução da sua renovação, partilhou uma foto com o seu empresário, Daniel Fonseca, e a legenda: «O tempo põe cada um no seu lugar. Cada rei no seu trono e cada palhaço no seu circo».

No primeiro ano no Brasil, em 2025, Boto fez parte de uma época histórica em que o Flamengo conquistou o Carioca, a Supertaça, o Brasileirão e a Libertadores. Até agora, contratou dez jogadores: Juninho (que já saiu), Danilo, Jorginho, Samuel Lino, Saúl, Royal, Carrascal, Vitão, Andrew e Paquetá. Destes, apenas Jorginho é titular indiscutível, enquanto o dirigente é criticado por não ter encontrado um ponta de lança para o plantel.