Pedro Tonicher - Foto: IMAGO
Pedro Tonicher - Foto: IMAGO

«Queremos ganhar, acreditem em nós!»

Guarda-redes Pedro Tonicher conversou com A BOLA depois de ter parado Mathias Gidsel, estrela da tetracampeã mundial Dinamarca. Agora, Portugal tem passaporte para a 'main round' e muita ambição

Dificilmente Pedro Tonicher se esquecerá da estreia no Europeu. Aos 23 anos, ajudou a travar Mathias Gidsel, um dos melhores andebolistas da atualidade, a quebrar a invencibilidade da tetracampeã mundial e campeã olímpica Dinamarca (31-29), que não perdia há 19 partidas, o que permitiu a Portugal passar à main round no topo do Grupo B. Agora, é porta-voz da ambição para o jogo com a Alemanha, agendado para esta quinta-feira, às 14h30.

— Melhor estreia impossível. O que lhe passou pela cabeça quando a Seleção Nacional venceu a Dinamarca, tetracampeã mundial, que não perdia há dois anos?

— Foi uma sensação muito boa. Na altura uma pessoa não tem noção do que acabou de acontecer, é muito bom estrear-me contra a melhor seleção do mundo e ajudar equipa a ganhar, foi positivo, um momento que irei recordar para sempre.

— O que sentiu quando entrou na quadra de um pavilhão repleto de dinamarqueses?

— Foi uma sensação muito boa, é sempre bom chegar a um patamar muito elevado, estou orgulhoso. E, bem, uma pessoa só pensa em entrar e tentar ajudar, sem pensar muito naquilo que está a acontecer.

— A exibição individual foi elogiada nas redes sociais, sobretudo por aqueles que desconhecem o seu percurso. Sentiu que se apresentou à Europa e que não poderia ter tido um melhor cartão de visita?

— Sim, foi uma boa apresentação e agora é tentar ajudar a equipa sempre que tiver minutos.

— Sente que jogar em Espanha [Ciudad Encantada, em Cuenca] pode contribuir para o facto de não ser tão familiar para alguns adeptos?

— Depende da perspetiva, os nossos adeptos em Portugal podem ter algum desconhecimento, mas em Espanha os adeptos conhecem-me bastante bem, e a nível internacional, a pouco e pouco, as coisas vão acabar por acontecer.

— Duas defesas ficaram na retina: aos 43' e aos 50'. Foi instinto?

— Foi instinto, faz parte. Essencialmente, na minha cabeça, tentei abordar o lance de forma agressiva, limitar o espaço, de forma a limitar o remate, e correu tudo bem.

— Foi uma das chaves para limitar a Dinamarca a 11 golos na primeira parte.

— Tivemos uma prestação defensiva muito boa, o Gustavo [Capdeville, guarda-redes titular] esteve muito bem. A parte psicológica foi muito importante, após um resultado menos conseguido frente à Macedónia [29-29]. A parte mental foi muito importante para encarar o jogo. Entrámos no jogo para ganhar e conseguimos.

— Esse resultado menos conseguido realça mais o feito contra a Dinamarca?

— São jogos completamente distintos. Depois de um jogo menos positivo ter uma reação tão positiva é muito bom. Mas nem no dia em que empatámos com a Macedónia erámos os piores como agora não somos os melhores.

— Com outro jogo à porta, frente à Alemanha, é importante conter a euforia?

— Sim, claramente. Esta quinta-feira temos um jogo muito importante para as nossas ambições. Estamos bastante contentes pelo que fizemos, mas com vontade de ganhar e de decidir sortes no campeonato.

— Quais as projeções para o 'main round'? A qualidade do grupo impõe respeito.

— Claro que este grupo é bastante complicado, vamos ter jogos bastante intensos, mas temos capacidade para chegar longe e vamos ter de mostrá-lo em campo.

— Até onde pode chegar a Seleção?

— Queremos ganhar, é complicado, porque vamos enfrentar grandíssimas seleções, mas vamos jogo a jogo e ver onde este caminho nos leva.

— Foi mais difícil responder a estas perguntas ou parar o Mathias Gidsel?

— Bom, se calhar… não, mais difícil parar o Mathias Gidsel… [risos]. O segredo foi a combinação de muitos anos de trabalho, preparação, e de acreditar que é possível.

— Que mensagem deixa aos portugueses?

— Continuem a acreditar em nós. Todos juntos vamos fazer tudo para dar o máximo de alegrias possíveis.