Vítor Matos não esconde que o objetivo é chegar às posições de play-off ou subida, mas lembra que o crescimento tem de ser sustentado

«Queremos chegar à Premier League a dar os passos certos»

O sonho está vivo, mas Vítor Matos prefere pensar em chegar lá com o Swansea, o que levará a um processo bem mais estruturado e consistente

— O sonho da Premier League está mais perto de se concretizar, seja com o Swansea ou através do barulho que estás a fazer com o Swansea?
— O que me move ou aquilo que nos tem de mover a todos é sermos os melhores profissionais e, ao mesmo tempo, construirmos alguma coisa da qual os adeptos se sintam orgulhosos. É isso que me move a mim, aos jogadores e a todo o clube. Obviamente, enquanto clube queremos chegar a esse nível. E para chegares a esse nível tens de dar os passos certos. Às vezes, não sabes se vai ser o passo certo e outras tens de recuar para voltar a construir, mas quando os dás de forma consciente e de acordo com uma visão acima de tudo agregadora, consegues estar sempre mais perto. Nós temos a tendência de estares ainda no primeiro passo e quereres passar já para o terceiro e quarto. As coisas têm o seu tempo. O processo tem a sua forma de crescer. Esta maturidade competitiva, esta mentalidade muitas vezes clínica que tens de ter em muitos momentos da época, esta cultura tática que queres fazer crescer, é preciso continuar a construí-la, é preciso continuar a modelá-la para ganhar uma consistência que nos identifique perante diferentes adversários. E isso é algo que é algo que nós queremos para o futuro, não é? E para isso precisas de treino, precisas de identificação, precisas de uma visão conjunta. Isso que nos move, é isso que me move a mim, é continuar a fazer com que as pessoas se sintam orgulhosas em olhar para o Swansea, a ir ao jogo, não só no fim de semana, mas durante a semana também. Essa vontade tem de continuar a existir.

Swansea — Foto: Swansea
Swansea — Foto: Swansea

— O jogo com o Sheffield United, em que recuperaram para 3-3, ter-te-á mostrado aquela alma 'never say die' que queres que a equipa tenha sempre?
— Sim. A equipa já tinha mostrado isso noutros jogos, mas às vezes a dificuldade vem de fazeres isso na sequência de um momento não tão positivo. Neste caso, vínhamos de paragem internacional. Temos 12 internacionais, entre os quais cinco jogadores, se não estou em erro, estavam no torneio que a FIFA organiza do outro lado do mundo. Ou seja, tivemos jogadores na Austrália; Chile, Finlândia e Nova Zelândia estiveram lá. A maior parte destes jogadores chegou na quinta-feira, ou seja, um dia antes. Jogou quarta à noite, portanto na quinta-feira treinaram e na sexta-feira tiveram jogo, ou seja, tivemos de viajar para Sheffield. Todo o contexto não é fácil. Não é e nunca são desculpas, são sempre factos. Eu costumo dizer isto. Factos que tens de ter em conta naquilo que é a qualidade do jogo e também na forma como pensas a equipa e preparas o jogo. Acima de tudo foi isso, não era um contexto fácil. Por exemplo, acontece o segundo golo, em que é um lance em que nós quase marcamos, mas falhamos, a bola ressalta, dá-se o contra-ataque e sofremos o 2-1. Ou seja, a forma como a equipa conseguiu reagir a esta desvantagem, que aumentou depois para 3-1, e conseguir chegar ao 3-3, foi sem dúvida mais um passo nessa direção do acreditar que é sempre possível, mesmo quando as probabilidades não estão a nosso favor. É sempre possível. Isso sem dúvida que é muito importante no que é o caráter da equipa e esta maturidade competitiva que tens de ter. Mesmo com o Middlesbrough… Paragem internacional e jogámos sexta e segunda e, para piorar as coisas, contra o Middlesbrough que é uma equipa fantástica. Começámos a perder, mas conseguimos voltar ao jogo, dominá-lo e chegar ao 2-1. Revela muito daquilo que estamos a tentar construir. Obviamente, depois acabas por empatar num penálti, mas são sinais positivos. Sobretudo na fase da época em que estás, com o número de jogos que tens, com a estabilidade em termos de tabela, tens de manter esta competitividade, esta fome, esta vontade em querer competir e jogar. É fantástico. Os jogadores, o staff, o clube estão todos de parabéns por conseguir manter esta vitalidade.

Swansea — Foto: Swansea
Swansea — Foto: Swansea

— São esses dois momentos os que escolhes desta campanha?
— Temos muitos. São tantos jogos que às vezes é difícil enumerar. Mas temos bons momentos. O jogo contra o Coventry, aliás os dois jogos contra o Coventry… O jogo fora perdemos 1-0, mas conseguimos ser um uma equipa fantástica lá e é muito difícil. Este jogo aqui em casa também perdemos, mas a forma como jogámos contra eles, como os pressionámos, as oportunidades que criámos, também revelam… Há jogos que ganhas de forma dominadora, em que consegues mesmo mostrar o caminho que estás a tentar construir. E há muitos jogos, seja um Sheffield em que, se calhar, se olharmos para a posição do Sheffield [Wednesday], uma vez que neste momento está ainda com pontos negativos e com poucas vitórias, não parece, mas em nenhum dos jogos que fez existiu uma diferença grande em termos de resultado. Exceto nós, fomos das poucas equipas se não a única a conseguir ganhar por números elevados e nós ganhámos 4-0. Mas é um 4-0 em que dominas e crias ainda mais ocasiões. Há um jogo em casa com o Wrexham também e marcas também a fechar. Há o Stoke, o Bristol, muitos jogos em que tivemos bons momentos e conseguimos ser dominadores. Lá está, com todas as circunstâncias, com tudo aquilo que implica a mudança de um treinador a meio da época, num momento difícil para o clube e para o grupo também de jogadores, conseguir aquilo que já conseguimos só nos tem de deixar a todos orgulhosos e, acima de tudo, com um sentimento muito positivo para aquilo que é o futuro. Obviamente, sabendo que o curto prazo tem sempre muito peso naquilo que é que é o futuro, mas deixa-nos a todos com boas sensações.