«Emocionalmente, foi muito difícil deixar o Marítimo»
Vítor Matos lançou-se numa carreira a solo enquanto treinador no Marítimo. Os madeirenses lançaram uma operação de charme, com presidente e diretor desportivo em ação, e convenceram-no finalmente a aceitar o projeto. Na Madeira, sabia-se que, se corresse bem, a capacidade de argumentar contra emblemas mais poderosos seria reduzida, mas talvez não esperassem que acontecesse tão cedo, ao fim de 12 jogos, com o pagamento da cláusula de rescisão de um milhão de euros, um valor-recorde para os insulares. A estes restou encontrar alguém com perfil semelhante e Miguel Moita cumpriu com as expectativas, estando agora os verde-rubros perto de carimbar o regresso à Primeira Liga.
— Foi importante teres trazido a equipa técnica que na prática juntaste no Marítimo, a tua primeira equipa técnica enquanto treinador principal…
— Claro que sim. A equipa técnica é sempre muito importante para um treinador, porque por um lado equilibram-te, por outro lado desafiam-te, e ajudam em muito naquilo que é o processo. Naquilo que foi a transição da equipa técnica, o Fernando, que é o treinador do guarda-redes, e o Bernardo, o preparador físico, não conseguiram vir, primeiro por uma questão de disponibilidade do clube, mas também por situações relacionadas com os vistos de trabalho. Mas foi possível trazer o restante staff: o Tozé, o Diogo e o Gonçalo.
— Obviamente que não podemos comparar a realidade de um Championship com a realidade de uma segunda liga portuguesa, mas terá sido muito difícil largar aquele Marítimo sem seres tu a atingir o objetivo a que te tinhas proposto…
— É uma boa pergunta, Luís, porque agora, com um bocadinho mais de distância, as ligações emocionais, as amizades criadas, a relação se construiu com o plantel, tudo isso foi muito marcante para todos nós, para mim, para o staff e também para os jogadores. E é óbvio que não é fácil. Foi se calhar das decisões mais difíceis emocionalmente devido a essa ligação. Mais do que o objetivo final, que foi aquilo que me perguntaste, essa ligação era muito daquilo que nos movia. Abdicar em função daquilo que era o meu sentimento e as minhas ambições, não era fácil, nem foi fácil. A única coisa que, se pudermos dizer assim, tornou as coisas mais leves foi, sem dúvida, o projeto que me foi apresentado pelo Swansea. As pessoas daqui são fantásticas. E não tive muito tempo para pensar porque passado dois dias estava a jogar. O plantel aqui é formado por um grupo de miúdos também fantástico, com uma empatia grande, com uma vontade muito grande de aprender e, acima de tudo, de tentar fazer as coisas certas. Há um espírito coletivo fantástico também e isso tornou as coisas muito mais leves. O frenesim diário da competição e este lado também da profissão permitiram que as coisas fluíssem com muito mais naturalidade, mas sem dúvida que emocionalmente foi difícil.